Lobista abasteceu a campanha dilmista em 2014 com propina

Skornicki confessa que passou o dinheiro

Existe algo que não seja falso – que não seja mentira – na "mulher honesta" e seus sequazes?

Após a confissão de Zwi Skornicki, revelada na quarta-feira, que depositou US$ 4,5 milhões (quatro milhões e quinhentos mil dólares) para a campanha de Dilma em 2014, numa conta secreta na Suíça do marketeiro João Santana - e sua mulher, Mônica –, a pergunta não é somente cabível: também já se tem uma resposta para ela.

Houve nove entregas de Skornicki na conta secreta de Santana:

25/09/2013: US$ 500.000,00;

05/11/2013: US$ 500.000,00;

19/12/2013: US$ 500.000,00;

06/02/2014: US$ 500.000,00;

25/03/2014: US$ 500.000,00;

28/04/2014: US$ 500.000,00;

10/07/2014: US$ 500.000,00;

08/09/2014: US$ 500.000,00;

04/11/2014: US$ 500.000,00.

Esses US$ 4,5 milhões, segundo disse a Skornicki o então tesoureiro do PT, João Vaccari, era "para ajudar a financiar a campanha de reeleição de Dilma Rousseff". Constituíam propina, passada pela Keppel, empresa de Singapura que é dona do Estaleiro Keppel Fels, para obter contratos superfaturados de construção de plataformas petrolíferas e navios-sondas.

A nota lançada pela "mulher honesta" após o aparecimento da confissão de Skornicki, além da vitimização habitual, contém um único argumento, que, aliás, também não é um argumento: o de que o tesoureiro da sua campanha, em 2014, não era Vaccari, mas Edinho Silva.

Além de ninguém ter perguntado – nem ter, nesse caso, qualquer importância - qual era o organograma de sua campanha, Vaccari, tesoureiro do PT, era íntimo de Skornicki o suficiente para ser um dos convidados para a festa de aniversario de seu filho – e sócio – Bruno Skornicki. Por que tanta proximidade? Era uma afinidade de gênios? Ou era pelo prazer da troca de ideias?

Nas palavras da procuradora da República Laura Tessler, da força-tarefa da Operação Lava Jato: "esses valores que eram repassados a Mônica Moura e João Santana eram deduzidos, eram contados como uma parcela da propina que deveria ser paga ao Partido dos Trabalhadores. A remessa dos valores era feita por orientação de João Vaccari, que era a pessoa que coordenava o repasse dos valores".

As provas são esmagadoras.

Ao todo, desde 2003, a Keppel passou, em propina, US$ 216 milhões, se somarmos os contratos com a Petrobrás e aqueles com a Sete Brasil - a hoje falida empresa que o esquema do PT (Duque, Barusco & cia.) formou para transferir dinheiro da própria Petrobrás (e de alguns bancos públicos) a estaleiros, sobretudo os de propriedade das empreiteiras do cartel do bilhão, para construir sondas, e, em seguida, alugar essas sondas à própria Petrobrás.

Os negócios de Zwi Skornicki, que armava (é o termo mais suave) para, pelo menos, uma dezena de empresas dentro da Petrobrás, desde 2003, merecem uma reportagem a parte – trata-se de um emaranhado, uma barafunda, onde abundam empresas de fachada ("Eagle do Brasil Ltda"; "Bay Island Corporation", com sede nas Ilhas Cayman; "Windsor Ventures International Inc", com sede nas Ilhas Virgens Britânicas; "Deep Sea Oil Corporation", etc., etc.).

O fio condutor, para não se perder nesse mangue, são os vínculos de Zwi Skornicki com a campanha de Dilma – mas é necessário ressaltar que esses vínculos só existem (e só existiram) porque ele operava um esquema que era parte do esquema do PT na Petrobrás.

Tanto na representação do delegado Filipe Hille Pace, de 29 de janeiro deste ano, que pede ao juiz Sérgio Moro a decretação da prisão do marketeiro de Dilma - e de Zwi Skornicki – quanto no Relatório Final da PF, assinado em 22 de março último pelo delegado Márcio Adriano Anselmo, existe a anotação de que Skornicki "dissimulou, com a celebração de falso contrato de consultoria, e ocultou, mediante o depósito, no exterior, a partir da offshore Deep Sea Oil Corp., ativos criminosos (nove depósitos de US$ 500.000,00, totalizando US$ 4.500.000,00) decorrentes de pagamento de vantagens indevidas a funcionários públicos da Petrobras, em favor de João Cerqueira de Santana Filho e Mônica Regina Cunha Moura" (cf. p. 129 da Representação e p. 51 do Relatório Final da PF).

Recuemos um pouco no tempo: em dezembro de 2015, depois que Barusco revelou que Skornicki era "operador do pagamento de vantagens indevidas no âmbito do Estaleiro Kepell Fels (...) responsável pela transferência de valores, em conta no Banco Delta, na Suíça, bem como ao Partido dos Trabalhadores, mormente por meio de João Vaccari Neto", o juiz Moro expediu um mandado de busca e apreensão para a residência do operador.

Lá, a polícia encontrou um bilhete manuscrito da mulher de Santana para Skornicki e o filho, acompanhado da cópia de um contrato em inglês: "Zwi/Bruno - Mando cópia do contrato que firmei com outra empresa como modelo. Acho que o nosso pode ser simplificado, este é muito burocrático, mas vcs que sabem. Apaguei, por motivos óbvios, o nome da empresa. Não tenho cópia eletrônica, por segurança. Espero notícias. Segue também os dados de minha conta com duas opções de caminhos. Euro ou Dolar. Vcs escolhem o melhor. Grata. Abs Mônica Santana" .

A mulher de Santana não se preocupou em apagar muito bem o nome da empresa: era a Klienfeld Services Ltd, uma empresa de fachada da Odebrecht no exterior, usada para pagar propinas do esquema na Petrobrás. O contrato era com outra empresa de fachada, registrada no Panamá, a Shellbill Finance, que, como a PF descobriu, tinha dois "beneficiários": João Santana e Mônica Moura ou Santana.

Mônica Moura está pedindo, com o bilhete que transcrevemos, que Zwi Skornicki confeccione um contrato com a Keppel semelhante ao que o casal, através de sua empresa de fachada, tinha com a Odebrecht – isto é, um contrato entre empresas de fachadas das duas partes, para receber dinheiro que "por motivos óbvios" (ou seja, pelo fato de ser dinheiro ilegal) não podia aparecer. E ainda dizia: "Não tenho cópia eletrônica, por segurança".

Então, a PF conseguiu a quebra de sigilo da conta no Citibank, em Nova York, através da qual uma das empresas de fachada de Skornicki, a "Deep Sea Oil Corporation", transferia dinheiro para uma conta da "Shellbill Finance" - a empresa de Santana e de sua mulher – no Banque Heritage, de Genebra, Suíça.

Resta dizer que Mônica Moura, em seu primeiro depoimento após a prisão, contou uma história mirabolante, segundo a qual os US$ 4,5 milhões seriam pagamento de um trabalho de marketagem nas eleições de Angola. Não soube explicar porque os angolanos pagariam através do lobista da Keppel no Brasil – mas, disse ela, todo o dinheiro nas suas contas secretas eram de campanhas em outros países.

Mas isso foi em fevereiro. Em abril, ela já admitiu, em outro depoimento, que recebeu pelo menos R$ 10 milhões da campanha de Dilma via caixa 2. Nada como a reflexão filosófica, possibilitada por um ambiente estimulante...

CARLOS LOPES

 

 

 

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