Dilma sobre o plebiscito para antecipar eleição: “Não. Não”

Segundo ela, se voltar à presidência, vai fazer um governo de transição de dois anos

Há poucos dias, a senhora Rousseff tentou reunir um grupo de senadores para jurar que, se eles votassem contra o seu impeachment, convocaria uma "consulta popular" ou "plebiscito" para antecipar as eleições à Presidência. O anúncio não entusiasmou ninguém, exceto algum senador mais distraído que o normal – e, claro, algum transviado blogueiro.

Como ressaltamos, "se ela reconhece que seu governo faliu; que só lhe resta, se voltar ao Planalto, convocar um plebiscito para afastar a si própria; e que só consegue convencer alguém a votar contra o impeachment se prometer que se afastará do poder, por que quer voltar ao governo? A resposta é óbvia: porque não pretende fazer nada disso" (v. HP 15/06/2016).

PLEBISCITO

Agora, na segunda-feira, apenas 18 dias depois de seu compromisso com o plebiscito, em outra entrevista, a uma equipe da Agência Pública, ela disse o seguinte, sobre sua volta:

"Eu farei basicamente um governo de transição. Porque é um governo que vai ter dois anos, e o que nós temos de garantir neste momento é a qualidade da democracia no Brasil, o que vai ocorrer em 2018. Eu farei isso, sobretudo" (grifos nossos).

E, quando perguntada sobre se "há esse compromisso de chamar um plebiscito":

"Não, não. Está em discussão isso. Não há um consenso".

No mesmo dia, ela disse à Rádio Guaíba que "ainda não há consenso entre as diferentes forças que me apoiam" sobre o plebiscito (claro, a culpa é sempre dos outros – ela não tem posição sobre o assunto...), e que a única garantia da democracia é sua volta "plena e irrestrita" (sic) à Presidência, pois "caso contrário estaremos sempre na ilegalidade, que é a ruptura democrática sem causa".

As eleições têm pouca importância real para Dilma. Daí, ela não quer o plebiscito, que é para convocar novas eleições, diante do repúdio geral ao seu estelionato eleitoral, que afundou o país na pior crise – econômica, política e moral - de sua História.

Ela não acha que eleições sejam democráticas, exceto quando a eleita é ela – mesmo que seja ao custo de jogar no lixo todas as promessas de campanha e fazer tudo de que acusou seus adversários.

Por essa razão, não pretende convocar plebiscito algum. A democracia de que fala, é a submissão de todos à sua mentira e maluquice – assim como se submete aos sujeitos de Wall Street e da Casa Branca.

Quanto à coerência, o oportunismo visceral já a derreteu faz tempo. Por exemplo:

"Dilma: Em que consiste um golpe parlamentar? Ele não é igual a um golpe militar. Um golpe militar não só extingue o governo, mas acaba também com o regime democrático. [Um golpe parlamentar] tem uma característica: você tira o governo e mantém o regime democrático" (grifo nosso).

Um golpe de Estado para manter a democracia é algo genial. Democracia é o poder do povo. Portanto, Dilma está acusando os que querem o seu impeachment de conspirarem a favor do povo. Mas, então, porque seria um "golpe de Estado"? Ora, leitor, porque é contra ela.

Essa estupidez não expõe apenas o seu pirado egocentrismo, mas, também, que ela não acredita no que diz. O "golpe" de que ela acusa outros é marketing, propaganda enganosa, mentira, tanto assim que é um golpe para manter a democracia. Logo, o governo removido – isto é, o dela - é que não era democrático.

Nem a dona Marcela tem o Temer em tal alta conta. Mas não continuaremos a seguir os fios perdidos do raciocínio dilmeano, pois seria gastar o nosso tempo – e o do leitor. Resta dizer que talvez seja injustiça atribuir ao detento João Santana o lodaçal de falsificações e imoralidades que foi a campanha de Dilma. Pelo jeito, Santana apenas serviu aos desejos da patroa – e por um muito bom dinheiro.

Mas existem, sobre esse assunto, algumas outras considerações:

É mentira que "nós não só não conseguimos aprovar as nossas pautas, como eles apelam para a mais lamentável demagogia" através de "pautas-bombas".

Qual o projeto que Dilma não conseguiu passar no Congresso? Que "pauta-bomba" foi aprovada pelo Congresso? A afinidade reacionária era tanta que, na Câmara, a liderança do PT se tornou um turíbulo para espalhar incensos agradáveis ao nariz de Cunha. Como sabe o deputado Sibá Machado.

Disse Dilma que "uma garra feiíssima já foi mostrada [pelo governo Temer], né? É essa do teto de gastos. Você corrige o gasto de educação pela inflação; aí aumentam as pessoas [estudando], e o gasto está só corrigido pela inflação, o que acontece? Do ponto de vista real, diminui o gasto por pessoa!".

O teto de gastos é um crime neoliberal contra o povo. Mas quem enviou essa proposta ao Congresso foi o governo Dilma – com a assinatura do então ministro Nelson Barbosa e de sua presidenta. E, como disse, ela sabia perfeitamente que era um crime.

Dilma jactou-se de ter entregue o campo de Libra – o maior campo petrolífero do mundo, descoberto pela Petrobrás no pré-sal – a empresas estrangeiras: "O que leva quatro grandes empresas internacionais a virem aqui e pagarem 20 bilhões sabendo que a regra é essa? Muito petróleo, a certeza de que vai achar, da qualidade e do lucro, portanto. (…) Para a gente não ser otário e ficar achando que a presença de chinês é algo terrível, como diziam umas pessoas do Rio de Janeiro. Mas aí o que é o problema? Não é a presença dos estrangeiros. O problema são dois regimes, o de concessão e o de partilha".

O que importa é, exatamente, a presença e domínio dos monopólios do cartel da indústria petrolífera sobre o pré-sal ou a independência do país e o uso de seu petróleo em benefício da população. O regime de partilha é melhor, exatamente, porque é mais favorável ao país e menos favorável às multinacionais. O peculiar é Dilma achar que os otários são os outros.

Segundo disse, sua "dificuldade de lidar com os políticos" é devido à "crise de valores que a política no Brasil atravessa".

VESTAL

Depois de eleger-se com dinheiro roubado da Petrobrás – e tentar obstruir a ação da Justiça, do Ministério Público e da Polícia – essa pose de vestal é uma hipocrisia de provocar náuseas, vômitos, meteorismos, puxos e tenesmos. Não existe, no país, mais grave "crise de valores" que a sua.

Além disso, segundo ela, o Brasil deveria fazer com a Odebrecht, e o resto do cartel do bilhão, a mesma coisa que os americanos fizeram com seus bancos quebrados: "eles não destruíram os bancos. Cobraram multas elevadas, puniram os executivos e não destruíram os bancos".

O que Bush, Obama e outros cretinos fizeram foi encher de dinheiro os cofres desses bancos. Qual o executivo, fora o Madoff - que era um marginal até em relação à bandidagem financeira - , que foi punido, desde 2008? Pelo jeito, Dilma quer encher de dinheiro a Odebrecht e caterva.

Dilma também diz que "eu fui feminista. Hoje eu sou presidenta". E, quando uma das entrevistadoras pergunta "mas a senhora diria ‘eu fui de esquerda’?", Dilma responde: "eu não entro nesse tipo de questão nem que a vaca tussa".

Pois é.

CARLOS LOPES

 

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