Programa de Temer é esperar o julgamento da sua parceira

Interino quer cortar tudo e esfolar o povo, manter os juros na lua, cortar aposentadorias e tirar direitos trabalhistas

Algum marciano que visitasse a Terra ficaria, talvez, impressionado com o governo Temer: o ataque à Previdência, mote de Dilma desde as últimas eleições, foi, por ora, suspenso; os funcionários, a quem sua antecessora recusava até a discutir algum aumento de salário, foram aumentados em seus salários – os do Judiciário, então, foram aumentados em 41,5%; as verbas cortadas (aliás, "contingenciadas") foram liberadas; a entrega do setor aéreo às multinacionais foi (ou será) vetado; os Estados tiveram a dívida suspensa até o próximo ano; e até o Bolsa-família levou um aumento de 12,5%, superior ao anunciado por Dilma no primeiro de maio (9%).

Devemos ter esquecido alguma coisa, mas só isso já é para marciano nenhum botar defeito. Temer deve ter ganho muitos votos em Marte.

Já no Brasil, entre brasileiros, há quase nenhuma dúvida que Temer não tem nada em comum com aqueles bandidos benignos, que roubavam dos ricos para dar aos pobres. E, se escrevemos "quase nenhuma dúvida", é porque sempre há que se contar com os extremistas ingênuos, homens e mulheres de boa-fé além de qualquer limite razoável - e com os imbecis, pois sempre os há em qualquer população.

Mas, leitor, será que nós ficamos malucos? Será que somos nós que estamos em Marte? Ou será que o novo (?) pessoal do governo fumou alguma coisa que não devia? Ou o Padilha, o Geddel, o Jucá – e o Temer – estavam só enganando o pessoal do "mercado" com aquela conversa de austeridade, arrocho, fim dos direitos trabalhistas, assalto à Previdência, privatização até das latrinas do Planalto, etc.?

Onde foi parar a "ponte para o futuro", o programa mais reacionário já pronunciado no país?

Que o governo Temer, até agora, em tudo de ruim, não fez mais que levar à frente as propostas do governo Dilma contra o país, é fato. Mas isso, exatamente, significa que Temer é tão ruim, tão direitista e tão reacionário quanto Dilma – embora, talvez não seja tão maluco, mas isso é quase detalhe.

O que parece real (por pouco escrevíamos "essencial", mas a palavra nos pareceu inadequada diante de um governo com tão pouca essência) é que, por enquanto, o programa do governo Temer resume-se a esperar o julgamento do impeachment de Dilma e as eleições municipais – ou, melhor, a tudo fazer para que tudo saia em favor do grupo do Planalto. Tudo que atrapalhe Temer e seu entorno para chegar a esse resultado, não conta - e não contará - com a simpatia do bando.

O que não quer dizer que em questões mais fundamentais esse governo já não esteja, desde agora, a depredar o país. A principal dessas questões são os juros. Basta ler o Relatório de Inflação, onde o sr. Ilan Goldfajn introduziu a seguinte frase: "o cenário central não permite trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias" (cf. BCB, Relatório de Inflação, junho 2016, p. 78).

Em resumo, que se dane o crescimento e, inclusive, a inflação – mesmo se ela cair, a "previsão" é manter os juros nominais onde eles estão, o que significa aumentar o juro real, os ganhos dos bancos, fundos e outros especuladores, à custa de estrangular o país.

Isso, em uma situação em que o próprio BC está "prevendo" uma queda de -3,3% na produção - isto é, no Produto Interno Bruto (PIB), depois da queda de -3,8% em 2015. Mesmo assim, o "cenário de referência supõe que a taxa Selic será mantida inalterada (…) em 14,25% a.a." (cf. idem, p. 65).

Não é uma interpretação. É impossível ler o Relatório de Inflação do sr. Goldfajn de outro jeito. Tanto assim que ninguém o fez, inclusive os apoiadores de Goldfajn e de Temer.

Na quarta pela manhã, a compra de títulos DI (títulos da dívida pública) de curto prazo havia estourado a praça – é óbvio que o anúncio do BC, de que os juros não vão cair nem a pau (isto é, enquanto a atual diretoria, e, talvez, o atual governo, não saírem a pau do BC e do Planalto), fez a especulação atingir um ritmo febril, que continuava na quinta-feira pela manhã, quando fechamos esta edição.

Esse é o verdadeiro governo Temer. O leitor poderia dizer que isso não é diferente do governo Dilma, até porque foi no governo dessa senhora que os juros básicos foram para 14,25%.

É certo, mas isso também quer dizer que aquilo que a imprensa chamou de "pacote de bondades" do governo Temer é apenas um adiamento do pacote de maldades – até o impeachment e as eleições municipais.

Sucintamente, o que é esse pacote, o real programa do governo Temer, explicitado sem pudor no já citado ponte que partiu, que dizer, "para o futuro"?

"Estabelecer um limite para as despesas de custeio após serem eliminadas as vinculações e as indexações" - o que já foi anunciado, em parte, por Temer e Meirelles: significa acabar com os percentuais obrigatórios para a Saúde e a Educação públicas e reduzir as verbas para os dois setores.

Sobre as aposentadorias: "idade mínima que não seja inferior a 65 anos para os homens e 60 anos para as mulheres, com previsão de nova escalada futura" - atualmente, no governo, fala-se em idade mínima de 65 anos tanto para homens quanto para mulheres – e um fundamentalista do neoliberalismo, também no governo, falou em idade mínima de 70 anos para homens e mulheres.

Proibição de "indexação de qualquer benefício ao valor do salário mínimo" - ou seja, as aposentadorias poderiam ser menores que um salário mínimo.

Manutenção dos juros no atual patamar, com a conversa de que eles só podem cair depois da inflação atingir "o centro da meta" (hoje em 4,5%, embora Goldfajn pretenda reduzi-la para 4%, o que representaria mais transferência de dinheiro público para os bancos).

Privatização geral, desbragada, sem limites – e, portanto, ilimitadamente corrupta.

Atrelamento ainda maior do Brasil aos monopólios norte-americanos ("Realizar a inserção plena da economia brasileira no comércio internacional, com maior abertura comercial e busca de acordos regionais de comércio em todas as áreas econômicas relevantes – Estados Unidos, União Europeia e Ásia – com ou sem a companhia do Mercosul").

Fim, na prática, da legislação trabalhista ("permitir que as convenções coletivas prevaleçam sobre as normas legais, salvo quanto aos direitos básicos").

Temer pode não conseguir colocar isso em prática – como até agora não conseguiu e, se depender do povo brasileiro, jamais conseguirá.

Mas que o seu programa é esse, assim é.

O fato de não ser muito diferente daquele de Dilma – o real, não o farsesco marketing – só significa que precisamos de eleições para varrer essas duas quadrilhas do poder.

CARLOS LOPES

 

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