Para Kátia Abreu, Dilma roubou, mas o governo todo era ladrão

“Ela não agiu sozinha”. PT aplaudiu de pé o discurso da ex-ministra da Agricultura de Dilma

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) deve ter se arrependido de ter indicado a sua amiguinha, a ex-ministra da agricultura Kátia Abreu (PMDB-TO) - conhecida como "Katia Motosserra" - para fazer sua defesa na Comissão Especial do impeachment do Senado Federal. A senadora se empolgou em sua fala, na terça-feira (5), e acabou abrindo o jogo sobre todas as falcatruas acorridas durante a administração da petista. Ela deu informações que comprometem ainda mais a já delicada situação do governo Dilma. A senadora simplesmente tentou livrar sua chefe com o "argumento" esfarrapado de que "ela não agiu sozinha".

Para a senadora, eleita pelo voto do agrobusiness, "é uma injustiça" acusarem Dilma de ter roubado sozinha. "Eu pergunto. Foi ela sozinha ou foram todos que mamaram e sugaram esse governo durante cinco anos e agora estão do outro lado da mesa pedindo o impeachment da própria?", indagou Kátia Abreu, sob aplausos entusiasmados dos senadores petistas, e afins.

"Nós estamos vivendo aqui uma farsa. A presidente Dilma fez uma pedalada para ganhar a eleição e hoje nós estamos vendo uma fraude de 170 bilhões na previsão de déficit para o governo [Temer] ganhar o impeachment", prosseguiu a ex-ministra, ao comentar as denúncias das pedaladas de Dilma Rousseff . Ou seja, para Kátia, tanto Dilma quanto Temer cometeram crimes de pedaladas, mas estão pegando no pé só dela. "Vários economistas estão comentando que dos 170 bilhões de rombo nas contas, 50 bilhões são para garantir o impeachment", acrescentou a senadora.

Sobre as denúncias relativas ao assalto do cartel do bilhão (cartel das empreiteiras, chefiado pela Odebrecht) aos cofres da Petrobrás e a enxurrada de propinas desviadas para o esquema político do PT, PMDB e PP, Kátia Abreu complicou ainda mais o governo Dilma. "Foi ela sozinha que destruiu a Petrobrás, ou foram todos os partidos que fizeram essa lambança toda que está vindo à tona com as delações da Lava Jato?", indagou Kátia Abreu. "Se colocar todo mundo que roubou junto, vai encher essa sala aqui toda e todos vão ficar calados", prosseguiu Kátia.

A ex-ministra de Dilma reclamou que o governo não conseguiu fazer o ajuste fiscal pretendido pela presidente e por seu Ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Apesar de Dilma ter conseguido aprovar todas as suas medidas antipopulares, ela colocou a culpa pelo "fracasso" na criação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) na Câmara dos Deputados. "A ação do deputado Eduardo Cunha (PMDB) impediu que o Congresso votasse as medidas para concertar o país", salientou a peemedebista. "Joaquim Levy, que veio como um dos mais renomados economistas desse país, ortodoxo, conservador, não deu conta de enfrentar Eduardo Cunha", completou Abreu.

SÉRGIO CRUZ

 

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