Apoio a plebiscito é mais um estelionato de Dilma

Sem amor ao país e ao povo ela promete a senadores algo que jamais pretende fazer para voltar às benesses do governo

Reunida com alguns senadores, Dilma prometeu que, logo assim que terminar o recesso parlamentar, fará uma declaração – e até escreverá uma carta – aos senadores, prometendo convocar um plebiscito para antecipar as eleições presidenciais, se voltar ao poder.

Por que razão alguém quer voltar ao poder somente para presidir à sua própria saída desse poder (pois não há dúvida sobre o resultado do plebiscito), é coisa que não demanda nenhum conhecimento de metafísica, psicopatologia ou qualquer outro negócio complicado.

Evidentemente, ela não pretende fazer nada disso. Dilma tornou-se uma viciada em estelionatos, eleitorais ou parlamentares. A verdade deixou de ser até mesmo um problema para ela. Simplesmente, acha que o marketing – ou, depois da prisão de João Santana, declarações quaisquer e arbitrárias – pode substituir a realidade, portanto, a verdade. Quando foi, nos últimos cinco ou seis anos, que ela honrou uma promessa, um acordo, um compromisso?

Quanto à política econômica, ela, se voltasse, não mudaria absolutamente nada.

Aliás, além dos elogios a Meirelles, foi o que declarou recentemente: "As condições para a inflação cair foram sendo construídas durante meu governo". Se sua política econômica foi tão acertada, e se o ministro da Fazenda de Temer é tão maravilhoso, por que ela mudaria alguma coisa?

Não é espantoso que Dilma aja dessa forma. Pelo menos, não é uma novidade – aliás, nenhuma novidade. Nem que desminta suas próprias declarações, logo depois de feitas - como aconteceu, recentemente, quando o senador Cristovam Buarque (PPS/DF) sugeriu que ela apresentasse uma proposta de renúncia, tanto dela quanto de Temer, para facilitar a convocação de novas eleições. Nesse caso, pela Constituição, elas teriam de acontecer em 90 dias.

Como disse Cristovam, o risco dessa proposta – o que tornava ela inaceitável – era que o presidente da Câmara, que era Cunha, teria de assumir a Presidência até as eleições. Agora que Cunha foi afastado da presidência da Câmara, disse o senador, a situação é diferente.

Respondeu Dilma, quase saindo dos trilhos: "Não existe essa coisa de renúncia. Isso não existe".

O senador preferiu não contradizê-la. Depois, comentou com o jornalista Gerson Camarotti: "É lógico que existe a renúncia patriótica. É aquela que é melhor para o país".

O que é óbvio, até por exemplos históricos muito mais ilustres – muito mais comprometidos com o país e seu povo – que Dilma.

Nessa reunião, além de Cristovam e Dilma, estavam a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) e os senadores João Capiberibe (PSB-AP), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Roberto Requião (PMDB-PR).

Alguém que rejeita tão brutalmente qualquer renúncia ao poder para convocar eleições, não está pensando em admitir plebiscito algum, sobretudo um que, com certeza, vai apeá-la do poder. Por que ela apoiaria, realmente, o plebiscito, se não quer novas eleições?

Esse apego às prebendas, cargos e mordomias é, talvez, a coisa mais repugnante desta senhora. Mas vai além desse apego, e aqui estamos no terreno da doença: o problema de Dilma é, precisamente, que ela quer voltar, e que todos se submetam a ela.

PITORESCO

O senador Cristovam fez, também, uma observação sobre o círculo do Alvorada: "Sempre são os mesmos convidados para as conversas com Dilma. A impressão que tenho é que o PT quer sair como vítima deste impeachment, até porque se livra dos problemas do governo, evita o escândalo de corrupção e com isso o partido vai para a oposição com a bandeira do golpe".

Vai ser difícil colar, como diz o povo. Mais fácil é colar a corrupção na imagem do PT que a do golpe em quer que seja – até porque, Dilma já se encarregou de explicar que o golpe daqui não é igual ao da Turquia. Aqui, segundo sua teoria, o golpe é "democrático"...

Mas, então, o que espera o entorno de Dilma?

Contemos uma história pitoresca (hoje, porque, na época, ninguém viu nada de pitoresco nela...):

Pouco mais de um ano após o golpe de 1964, a ditadura, rompendo com tudo o que se comprometera anteriormente, enviou ao Congresso o projeto de prorrogação do mandato de Castelo Branco – o que significava o adiamento (na verdade, o cancelamento) das eleições presidenciais.

A rigor, foi um fracasso. A proposta obteve 247 votos, um a menos do que seria necessário, mesmo em um Congresso mutilado por dezenas e dezenas de cassações de mandatos. O presidente do Congresso mandou, então, tocar os címbalos, o que, então, significava o encerramento da sessão.

Foi nesse momento que alguns parlamentares, favoráveis à prorrogação, viram, fora do plenário, um bêbado que mal se sustinha em pé, mais trôpego do que um bode subindo uma ladeira cheia de pedras. Logo, identificaram o bêbado como um deputado – e logo um deputado da UDN, partido que estava, naquele dia, rachado, com os lacerdistas fazendo oposição ao governo que ajudaram a instalar, pois Lacerda era candidato à Presidência da República.

Rapidamente, alguns carregaram o bêbado para dentro da sala de sessões e levantaram seu braço, berrando que havia mais um voto a favor da prorrogação. Foi assim que a ditadura conseguiu cancelar as eleições presidenciais – e por 24 anos.

Pois bem, leitores, a julgar pela movimentação e pelas declarações, os dilmistas estão procurando por um bêbado que os salve do impeachment. Fora essa circunstância – por sinal, golpista de corpo e alma – eles nada esperam, exceto encher as medidas dos eleitores, isto é, do povo.

Vejamos, por exemplo, as declarações de um assessor de Dilma: "A situação de Dilma é difícil, mas não é impossível. A margem entre o sucesso e o insucesso é estreita. Os votos são muito voláteis. Nada é consolidado na política. Algum fato novo pode surgir e mudar o rumo das coisas. Além disso, o coeficiente de traição é algo difícil de se contabilizar".

Parece coisa do grande pensador político Rolando Lero.

Mas, se não há certeza de nada, nem há projeto algum para realizar – exceto afundar na mesma fossa de sempre – para que insistir em voltar? É óbvio que tal insistência é a prova mais cabal da falta de compromisso com o Brasil e com os brasileiros. Não é que os dilmistas - e a própria Dilma - não percebam que estão servindo para sustentar o governo Temer, pois estão obrigando o movimento popular a dividir suas forças, diante de dois bandos que querem levar a mesma política antinacional, antipopular, e, por consequência, antidemocrática. O fato é que não percebem, porque estão se lixando para o país e seu povo. E, se percebem, pior ainda.

Estranho como possa parecer, Dilma se sente mais à vontade quando mente, do que quando fala a verdade.

Embora, desde a época em que, ministra de Lula, seus "balanços do PAC" davam por concluídas obras cujos recursos tinham sido, apenas, empenhados, e não liberados, é difícil lembrar algum momento de sua carreira realmente verdadeiro. Mas deve existir, certamente.

CARLOS LOPES

 

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