Temer joga a crise nas costas do trabalhador e do aposentado

Nada diferente do que já vinha fazendo a Sra. Rousseff. Ele quer se destacar pele fidelidade às maldades dela

O ministro do Trabalho (?) de Temer, um certo Nogueira, disse na quarta-feira que o governo pretende "aprimorar" as leis trabalhistas – naturalmente, abolindo a CLT, tornando as "negociações" superiores à lei; falou, também, em estender as terceirizações até ao infinito; e falou em tornar permanente o famigerado PPE de Dilma Rousseff – uma infâmia que, pela primeira vez na história do país, permitiu o rebaixamento do salário nominal dos trabalhadores.

Em seguida, apareceu a ralé da ralé (esse governo tem várias), falando em parcelar o décimo-terceiro e até o salário mensal, as férias, o repouso remunerado, etc., etc.

Em resumo: todas as medidas têm o objetivo de rebaixar ainda mais o salário real dos trabalhadores.

A quem isso beneficia?

Exclusivamente aos monopólios, que, no Brasil, são, quase todos, estrangeiros.

Para o empresário nacional, que produz para o mercado interno – e não apenas para uma pequena faixa privilegiada desse mercado interno – seria o fim.

ESCRAVAGISMO

Somente um cidadão sem muita perspicácia, como o presidente da CNI, poderia dizer que "nós estamos ansiosos para ver medidas muito duras. No Brasil, temos 44 horas de trabalho semanais. A França, que tem 36 horas, passou agora para 80. O mundo é assim".

Que será que esse cidadão fabrica? Quem comprará os seus produtos? Ou será que ele presta serviços às multinacionais? A verdade é que um sujeito que não sabe distinguir escravagismo de capitalismo – nem sabe que a indústria tem os trabalhadores como consumidores e compradores finais daquilo que produz - não deveria ser presidente da CNI. Talvez ficasse melhor em alguma associação em prol da revogação da Lei Áurea.

Vamos ser ainda mais claros: a ilusão de que o mercado externo irá resolver os problemas do país, e das empresas nacionais, é menos que ilusão – é charlatanismo. Nós últimos 20 anos, as exportações jamais chegaram a 10% do Produto Interno Bruto, mesmo nos melhores momentos. Pretender que o mercado externo, à custa de arrochar todo o mercado interno pelo garrote aos salários, vá tirar o país da crise, é o mesmo que esperar do rabo de um cachorro que ele balance o cachorro.

Assim, o grande projeto de Temer é afundar o país, mais ainda, na crise, estrangulando – mais ainda – o mercado interno: o salário de quem trabalha e, como veremos, as pensões da Previdência (além do esbulho covarde, não são poucos os municípios cuja economia depende da renda dos aposentados).

A repetição de "mais ainda", na frase anterior, é intencional: no dia seguinte ao anúncio do ministro de Temer, na manhã de quinta-feira, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou sua pesquisa das medianas de acordos salariais em 2015 e 2016.

Houve 476 acordos salariais abaixo da inflação, isto é, com rebaixamento do salário real.

Só para citar um exemplo mais do que significativo: os trabalhadores na indústria metalúrgica tiveram 190 acordos salariais abaixo da inflação, com mediana do rebaixamento de salário de -16,7% em 2015; já em 2016, a mesma categoria teve 120 acordos com rebaixamento de salário, com mediana de -20% (cf. Fipe. Salariômetro, julho/2016, p. 6).

Note o leitor que a Fipe refere-se não à média, mas à mediana (ou seja, 50% dos acordos tiveram um rebaixamento de salário ainda maior).

Uma parte desses acordos com rebaixamento de salário real foi devida ao PPE da senhora Rousseff. Exatamente a aberração que o governo Temer pretende tornar "permanente".

Essa tentativa de atacar os direitos dos trabalhadores, aliás, não é diferente da tentativa de Dilma. O governo Temer, em quase tudo, é o continuísmo dilmista mais despudorado.

Mas, a que conclusão é possível chegar com os dados que mencionamos?

A situação, com mais quatro milhões de desempregados desde janeiro de 2015, é de arrocho salarial bárbaro, estúpido, alucinado – e, por consequência, de quebra das empresas nacionais, por falta de compradores daquilo que produzem e/ou vendem. Em junho, as falências de empresas aumentaram 20,2% em relação ao mês anterior.

No entanto, para o governo Temer, não basta. É preciso rebaixar mais e mais o salário.

E somente para garantir lucros (ou supostos lucros, pois nessa recessão eles são sempre duvidosos) para alguns monopólios estrangeiros - e ganhos para bancos, fundos e as 60 mil famílias que amealham bilhões com os juros sobre títulos públicos.

No Brasil existem 54 milhões e 300 mil famílias (aliás, deve haver mais, pois esse é o resultado do Censo de 2010, há seis anos). Destas, 60 mil – ou seja, 0,11% das famílias - vivem sem trabalhar, com o parasitismo sobre o dinheiro público. As outras, trabalham, ou sofrem no desemprego, para que essas 60 mil aumentem a sua colossal fortuna. Sucintamente: 99,89% das famílias trabalham ou passam fome para que 0,11% das famílias se locupletem.

É para manter esse estado irracional de coisas, que paralisa o país, que o governo Temer quer mudar as regras – isto é, assaltar o dinheiro - da Previdência. Nas palavras do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha: "Isso é olhar o que aconteceu no mundo desenvolvido, onde existem sistemas previdenciários sustentáveis".

O ministro entende tanto de "mundo desenvolvido" e de "sistemas sustentáveis" quanto o presidente da CNI da política do malfadado Hollande ("80 horas de trabalho na França"? Caramba!).

Porém, o que o governo quer fazer com o dinheiro da Previdência?

Transferi-lo aos rentistas sob a forma de juros. É o que eles chamam de "equilíbrio fiscal": roubar o dinheiro de todos para meia dúzia, quer dizer, tirar dinheiro de 55 milhões de famílias para dá-lo a 60 mil famílias que não trabalham.

CASTA

Na quarta-feira, o Banco Central manteve a taxa nominal do juro básico (isto é, o piso dos juros das economia) em 14,25% - o que significou um aumento na taxa real (ou seja, descontada a inflação) para 8%, algo inconcebível em qualquer lugar do mundo (a taxa média internacional dos juros básicos está em -1,5%: v. matéria na página 2).

Desde o final de 2015, a taxa real dos juros básicos aumentou 22% - e já era a maior do mundo no final do ano passado.

Qual o motivo dessa aberração, em que a taxa real de juros básicos é mais de oito vezes a taxa média real dos países do mundo?

O motivo é passar meio bilhão de reais – ou mais, como em 2015 – do setor público para aqueles que amealham juros sem trabalhar. Até maio, essa conta já estava em R$ 454 bilhões e 48 milhões em 12 meses.

Não há país que saia de uma recessão com essa drenagem dos seus recursos – uma recessão que o rebaixamento dos salários e das aposentadorias, em suma, o achatamento do mercado interno, só tornará pior, mais funda, mais brutal, mais genocida.

 

CARLOS LOPES

 

Capa
Página 2
  Página 3

Temer joga a crise nas costas do trabalhador e do aposentado

Maioria da população não quer Dilma nem Temer e pede eleições já, reconhece Datafolha

Sub de Dilma na Casa Civil recebeu R$ 2,5 mi de empresa investigada pela Lava Jato, diz PF

Luciana Genro anuncia aliança com PPL

PMDB-RJ oficializa candidato que agrediu a mulher

Sr. Mansueto, essa vaca vai nos matar de fome... (2) (Campanella)

Odebrecht recupera dados da propina para fazer colaboração

Só 3% apoiam aumento da idade mínima, mostra pesquisa da Fiesp

Página 4 Página 5

Em protesto, centrais repudiam juro alto: ‘leva país ao abismo’

Confederação Nacional dos Metalúrgicos e empresários lançam campanha contra juro

“O que vale mais frente à Constituição: desvio de verbas aos bancos ou garantia de direitos?”

Ministério Público do Trabalho se manifesta contra “reforma trabalhista” que prejudica os trabalhadores

Metrô de SP abre plano de demissão voluntária

ESPORTES

 

Página 6

Comitê Olímpico Russo rechaça fraude para tirar país de Rio-2016

“Federação Internacional dos Atletas agiu sob ordens para nos barrar a qualquer custo”, afirma Isinbayeva

Mísseis franceses assassinam civis em aldeia ao norte da Síria

“Moderados” bancados pela CIA degolam um menino palestino de 12 anos de idade

Delegação boliviana destratada ao cruzar fronteira com o Chile

Corte colombiana aprova plebiscito para selar acordo final de paz com as Farc

Governo argentino recua e são retomadas conversas com RT

 

 

Página 7

F-16 dos golpistas decolaram da base dos EUA de Incirlik

Plágio é o grande assunto da convenção republicana que escolheu Donald Trump

     PKK denuncia “governo de guerra contra os curdos”

     Autor do “Diário de Guantánamo” é liberado depois de 14 anos preso sem acusação alguma

    Washington mantém suas 50 bombas nucleares em Incirlik

    Polícia confunde estudante com homem-bomba e causa o maior furdunço em Bruxelas

Página 8

Karen Shakhnazarov: “o cinema forma o homem”

Frantz Fanon: a cultura nacional