Meirelles ressuscita Dilma e quer mais imposto e ‘ajuste’

Financistas e adoradores dos juros altos não vêm que aumentar impostos na recessão atual é aprofundar ainda mais a recessão

O sr. Meirelles, ministro da Fazenda, é a maior prova de que a diferença entre Dilma e Temer (ou entre Temer e Dilma, se o leitor preferir) é, no máximo, a chefia da quadrilha que pretende saquear o país como testa de ferro dos monopólios financeiros.

Meirelles, notoriamente, era o ministro da Fazenda preferido de Lula & cia. para o governo Dilma – assim como é o preferido da camarilha de Temer para o governo Temer.

Segundo declarou Dilma, Meirelles é alguém que ela nem pensaria em criticar.

E, segundo o próprio Meirelles, o ministro da Fazenda de Dilma, Joaquim Levy, é alguém tão formidável que "em qualquer comparação com ele, eu me sinto muito honrado".

TOMADOR

Essa promiscuidade nojenta só tem um significado: não há diferença entre o governo Temer e o governo Dilma naquilo que importa em um governo, a sua política. Nesse caso, até o mesmo herói (cáspite!) eles têm. Meirelles, veja só o leitor, foi sagrado cavaleiro da távola redonda (oh, Deus!) por dilmistas e temeristas - no mesmo momento em que alguns petistas descobriram de repente que são getulistas desde antes de nascer...

Na segunda-feira, por exemplo, Meirelles exumou outra vez uma das magníficas ideias do governo Dilma: o aumento de impostos.

No dia 13 de abril passado – portanto, há somente quatro meses – a então presidenta, ainda não afastada, declarou, em entrevista no Palácio do Planalto: "Vai ter de aumentar tributo, nenhum país sai de crise sem aumentar tributo".

A ideia é totalmente imbecil. A consequência de aumentar tributos num país em recessão é piorar a recessão. O que se faz em um país atingido pela recessão é diminuir os juros – e não aumentar os impostos. Até porque a arrecadação de impostos já estava despencando, em abril, havia 13 meses. Qual a lógica de aumentar impostos se a arrecadação normal estava caindo devido à recessão? A lógica é passar mais dinheiro para os bancos e outros rentistas, mas à custa de piorar a situação dos empresários produtivos e dos trabalhadores, que já caía no abismo.

Pulemos, agora, de 13 de abril para 15 de agosto – ou seja, para a última segunda-feira.

Nesse dia, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi a principal atração de algo chamado "Encontro com Tomadores de Decisão de Fundos de Investimentos"", promovido por uma cafua especulativa de nome "XP Investimentos".

O nome sugestivamente indecente da reunião (antigamente, encontro de "tomadores" acabava na Delegacia de Costumes), não deve assustar o leitor. Era uma freguesia de achacadores, desses que pululam no "mercado financeiro" – e Meirelles não tem vergonha de rebaixar o Ministério da Fazenda à uma trupe de cabaré vagabundo, para diversão dos "tomadores". Aliás, ele mesmo fez sua carreira como um "tomador".

Com os freios afrouxados pelas libações espirituais próprias do ambiente, Meirelles falou sobre os impostos: "Se for necessário nós vamos aumentar, porque o importante é o equilíbrio fiscal".

A arrecadação de tributos do governo federal, em junho, está caindo há 15 meses, devido ao que já dissemos: à recessão fabricada pela política econômica de Dilma, Levy, Temer e Meirelles – que é a mesma.

A solução de Meirelles (como a de Dilma e Levy) para passar mais dinheiro público aos bancos, fundos e demais rentistas (não é para outra coisa), é aumentar os impostos.

Então, a solução de Meirelles é aumentar a recessão – o desemprego, a miséria e as falências de empresas -, pois é evidente que em um país estrangulado por juros estúpidos, um aumento de impostos somente vai aumentar o aperto em torno do pescoço, e, por consequência, fazer a arrecadação cair mais.

Porém, a plateia de Meirelles no "Encontro com tomadores" eram, exatamente, aqueles que se empanturram de juros e querem mais dinheiro público – daí a desinibição com que Meirelles falou em aumento de impostos.

Sucintamente: que se danem as empresas, em acelerada quebradeira; os trabalhadores, em acelerado desemprego; o país, em acelerado processo de miséria e fome.

O "importante é o equilíbrio fiscal". Mas o que é "equilíbrio fiscal" para esses escroques?

Que "equilíbrio fiscal" pode haver com o setor público transferindo meio trilhão de reais a cada ano para os parasitas financeiros, a título de juros?

Que "equilíbrio fiscal" pode haver sem verbas para a Saúde, a Educação, a Previdência, a Defesa, o investimento público e a manutenção das escolas, universidades, hospitais, quartéis, etc.?

Logo, o "equilíbrio fiscal" desses pulhas é o aumento perpétuo do dinheiro público para quem não trabalha, para quem vive de juros, para quem vive de sugar o Tesouro, destruindo o país. Em suma, o mais hediondo desequilíbrio fiscal que pode existir. A isso, eles chamam de "equilíbrio fiscal".

O leitor, que teve a paciência de nos seguir até aqui, viu que repetimos o que foi dito para o aumento de tributos de Dilma, quanto ao de Temer e Meirelles. É verdade. Porque são o mesmo.

Meirelles também repetiu as demais infâmias dilmistas, em especial a de que o único jeito de não aumentar impostos é cortar gastos. Que gastos? Disse ele: "Despesa com saúde é importante? Sim. Educação também? Sim. Previdência também? Sim. E a discussão que se coloca é a seguinte: ‘ta bom, mas quem paga tudo isso é a sociedade brasileira que tem uma certa capacidade de pagar".

A despesa que não é importante, a despesa que precisa ser cortada, a despesa da qual a sociedade brasileira está exausta, é a despesa com juros, que consome meio trilhão por ano, à custa de cortar verbas da Saúde, da Educação, da Previdência – e de asfixiar empresas e consumidores com taxas de juros na lua.

PIOR

Meirelles, como dissemos, é a prova de que o governo Dilma e o governo Temer são, do ponto de vista de sua política, continuidades (ou, como se diz hoje, um continuum).

A ideia de que Temer é pior do que Dilma - ou de que Dilma é pior do que Temer –, desse ponto de vista, da essência de sua política, não se sustenta. Aliás, é até uma ideia estúpida: que desemprego é pior: o de Dilma ou o de Temer? Que arrocho salarial é pior: o de Temer ou o de Dilma? Quais juros são piores: os de Dilma ou os de Temer? Qual entrega do petróleo é pior: a de Libra ou a de Carcará? Que privatização é pior: as "concessões" de Dilma ou as "concessões" de Temer? O que é pior: ter Kátia Abreu na Agricultura ou ter Blairo Maggi na Agricultura? Da mesma forma, qual é o pior: ter Kassab no Ministério das Cidades ou ter Kassab no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações?

Logo, até a quadrilha – pelo menos em seus componentes mais importantes – não é diferente ou quase não é. Para fazer uma política reacionária, de direita, os elementos disponíveis (fora os excipientes, que em nada alteram as propriedades da substância) não são muito variados.

Mas nada deixa essa questão mais evidente que o trêfego Meirelles.

CARLOS LOPES

 

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