Juízes e MP repelem ataques
de Gilmar contra a Lava Jato

“É lamentável que um ministro do STF, em período de grave crise no País, milite contra as investigações da Operação Lava Jato”, diz a Associação dos Magistrados Brasileiros

O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), João Ricardo Costa, resumiu bem, em nota divulgada na quarta-feira (24), o significado do charivari do ministro do STF, Gilmar Mendes, contra os procuradores e contra a Operação Lava Jato. Diz ele: "é lamentável que um ministro do STF, em período de grave crise no país, milite contra as investigações da Operação Lava Jato, com a intenção de decretar o seu fim". Na terça-feira, antes de uma sessão de julgamento da 2ª turma do STF, Mendes disse que "é preciso colocar freios" na atuação dos procuradores da República. A grita pró-abafa de Mendes veio se somar à histérica campanha que os petistas vêm fazendo contra Sérgio Moro e a Lava Jato. O PT chegou ao ridículo de tentar culpar a Lava Jato pelo desemprego de 1,5 milhão de trabalhadores.

FARSA

A fala do juiz "militante" (Gilmar) baseava-se num estranho vazamento que supostamente teria ocorrido nos depoimentos do acordo de colaboração premiada do empreiteiro Leo Pinheiro, da OAS, publicados pela revista "Veja", no último fim de semana, e que conteriam acusações vazadas contra o ministro José Antonio Dias Toffoli, do STF. A reportagem da revista, que serviu de senha para Gilmar, acabou desmoralizada. Não houve vazamento nenhum. O procurador Rodrigo Janot desmontou a farsa. A "acusação" de que Toffoli teria se beneficiado de benfeitorias em sua casa por parte da OAS "nunca existiu", esclareceu Janot.

O "plano" para deter a Lava Jato já vinha sendo arquitetado pelo menos desde que Romero Jucá (PMDB) foi flagrado, em maio deste ano, conversando ao telefone com Sérgio Machado. A conversa foi toda gravada. "Temos que armar uma ação política para estancar essa sangria", disse Jucá à época, referindo-se à Lava Jato. Nem bem esfriou o cadáver político de Dilma Rousseff e os interessados em abafar a Lava Jato já botaram as suas manguinhas de fora. Primeiro tinha sido o senador Renan Calheiros (PMDB) que, acumpliciado com Gilmar Mendes, ressuscitou um projeto da Câmara dos Deputados para, supostamente, deter os "abusos de autoridades" dos procuradores e da Polícia Federal. Renan recolheu o projeto da Câmara e o adaptou, criando o projeto de lei do Senado nº 280, de 2016.

O relator do projeto, que Renan queria que fosse votado em caráter de urgência e de forma terminativa (isto é, sem passar pelo plenário), era nada menos do que Romero Jucá (PMDB). O objetivo de Renan com o projeto é constranger procuradores e a polícia para manter a sua impunidade e a impunidade de seus sócios. A o pretexto de limitar supostos "abusos", o projeto surgiu, segundo o próprio Renan, da cabeça de Gilmar Mendes.

Com o foco se deslocando das estrepolias e pixulecos do PT para as armações criminosas da dupla PMDB/PSDB (agora juntos no Planalto), era necessário "tomar providências" contra os "abusos" do Ministério Público e da Polícia Federal. Começaram os ataques às propostas dos procuradores de combate à corrupção. Não importava que os "dez pontos" contra a corrupção, elaborados pelos Ministérios Públicos, tivessem recebido o apoio de milhões de brasileiros. Tinha que desmoralizar as propostas. A comissão encarregada de discutir o projeto de iniciativa popular, transformado em projeto de lei contra a corrupção, passou a ser retardado, combatido e modificado na comissão, por orientação do Planalto, dos tucanos e de Renan.

Bastou sair a denúncia, feita em agosto, por executivos da Odebrecht, de que José Serra (PSDB) recebeu R$ 34,5 milhões (valores corrigidos) em propinas da empreiteira para sua eleição em 2010, para Gilmar Mendes começar a agir. O ministro, que soltou duas vezes, em menos de 24 horas, Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity e beneficiário das privatizações tucanas, preso na Operação Satiagraha, iniciou sua verborragia contra os procuradores. A Veja (sempre a Veja) se prontificou a fazer a "denúncia" - que teria sido vazada pelos procuradores - atingindo um membro do STF. Gilmar, na mesma hora disse que era uma retaliação dos procuradores porque Toffoli teria impedido a prisão de Paulo Bernardo, ex-ministro de Dilma e Lula.

Gilmar disparou sua metralhadora tucana. Chamou de cretino e de delírio o projeto dos promotores de combate à corrupção. Passou a atacar os procuradores por supostamente terem "privilégios salariais".

A AMB classificou de "partidários" os ataques de Mendes contra os procuradores e lembrou que o ministro, além de tudo, ainda se beneficia e apoia financiamentos e remunerações empresariais. "Sustentamos outro conceito de magistratura, que não antecipa julgamento de processo, que não adota orientação partidária, que não exerce atividades empresariais, que respeita as instituições e, principalmente, que recebe somente remuneração oriunda do Estado, acrescida da única exceção legal da função do magistério", sustentam os juízes.

Este fato deixou patente que Serra, Renan, Temer e Lula estão irmanados na triste tarefa de tentar parar a Lava Jato. Repetem o bordão de que estão sendo perseguidos pelo juiz Sérgio Moro. Lula falava em "vazamentos seletivos". Dizia que Sérgio Moro tinha fixação por ele. Nessa época os tucanos aplaudiam as ações da Lava Jato. Bastou a investigação apontar suas baterias para os peemedebistas envolvidos no esquema de assalto à Petrobrás - afinal Dilma havia loteado os cargos, dando diretorias e vice-presidências para Eduardo Cunha e outros - para que o juiz começasse a ser criticado por tucanos e por integrantes do Planalto. Foi nesse contexto que Jucá dançou. Os ministros de Temer foram caindo um após o outro por seu envolvimento na roubalheira.

FUGA

Mas, o mais ridículo mesmo foi Lula e o PT dizerem que o desemprego foi causado pela Operação Lava Jato. Os juros lunáticos de Dilma, os "ajustes" do Levy, os cortes nos investimentos públicos, os mais de 500 bilhões de reais esterilizados na especulação financeira, não têm nada a ver com a crise. Para o PT foi Sérgio Moro quem desempregou essa gente toda. Chegaram ao cúmulo de convocar um ato contra a Lava Jato, com a participação de Lula. Ou seja, uma manifestação em defesa da corrupção. A fuga da realidade é tanta que Dilma Rousseff disse esta semana que se houve desvio de dinheiro, ela não tinha ficado com nada. Ora, isso é puro cinismo. Ela pensa que o povo brasileiro é bobo. Ela só se beneficiou com o cargo de presidente da República nada mais. Um cargo obtido com a utilização desses milhões roubados da Petrobrás e outras estatais para regar suas campanhas mentirosas.

CARLOS LOPES

 

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