A propina de Palocci, PB, Gleisi
e Mantega e a relação com Lula 

R$ 128 milhões para Palocci, R$ 50 milhões para Mantega, R$ 1 milhão só para a campanha eleitoral de Gleisi em 2010

Primeiro, o favorito de Lula e Dilma, Eike Batista, correu para contar aos procuradores, que, em novembro de 2012, recebeu uma "solicitação expressa" do então ministro da Fazenda, Guido Mantega, "para repassar recursos para pagamento de dívidas de campanha do Partido dos Trabalhadores". Mantega, além de ministro da Fazenda, era presidente do Conselho da Petrobrás.

Na versão de Eike, ele teria passado US$ 2 milhões e 350 mil, através de contas no exterior. Porém, ao mesmo tempo, o Consórcio Integra, composto pela Mendes Jr. e pela OSX, de Eike Batista, firmou um contrato de US$ 922 milhões com a Petrobrás, que rendeu R$ 29 milhões em propinas. As fraudes da OSX foram comprovadas pelo depoimento de um de seus executivos, Ivo Dworschak Filho.

Mantega foi preso – e depois solto, quando o juiz Moro soube que ele acompanhava sua esposa, que faz tratamento contra câncer, em um hospital de São Paulo.

Mas isso não mudou a situação. Pelo contrário, a Operação Omertà encontrou registros de que a Mantega (chamado "Pós Itália" nos papéis Odebrecht) coube R$ 50 milhões na "conta corrente" que Palocci mantinha com a empreiteira (cf. MPF, Representação por medidas cautelares, 25/08/2015, p. 121).

Na terça-feira, o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, aceitou denúncia contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo.

OMISSÃO

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff revelaram que, em 2010, passaram R$ 1 milhão do esquema de propinas do esquema de roubo à Petrobrás para a campanha eleitoral de Gleisi (ver matéria nesta página).

Na quarta-feira, em nome do ex-ministro Antonio Palocci, seu advogado resolveu explicar os R$ 30 milhões encontrados na conta da "Projeto Consultoria Empresarial e Financeira Ltda", um escritório montado por Palocci para receber dinheiro, em troca de alguma coisa. Disse o advogado:

"Para quem acha que isso é muito dinheiro, eu respondo claramente: Olhem aí os clientes da empresa (de Palocci), Banco Safra, Banco Itaú, Amil, JBS. Ou seja, é tudo proporcional. Quem ganha um salário mínimo acha que um juiz ou um promotor ganhar 70 mil reais por mês é um escândalo. Esse é o problema. Cada qual no seu quadrado".

É interessante que o advogado de Palocci tenha omitido a Odebrecht. Não por acaso: esta é a companhia em que há registro de que R$ 128 milhões foram passados para Palocci – e ilegalmente.

Já chegaremos lá. Antes, uma observação: o dinheiro bloqueado na conta do escritório de Palocci (R$ 30.064.080,41) é mais que o faturamento bruto anual de 95,6% das empresas de consultoria do Brasil (cf. Associação Brasileira de Consultores, Perfil das Empresas de Consultoria no Brasil 2015).

Em 2011, quando foi obrigado a deixar o governo Dilma, ao se descobrir que a "Projeto" faturara no ano anterior quase tanto quanto a maior empresa de consultoria do país – com a multiplicação do patrimônio de seu dono por 20 em apenas quatro anos (2006 a 2010), com a compra de um apartamento por R$ 6,6 milhões em 2010 e um escritório por R$ 882 mil em 2009 – Palocci disse que faturava tanto com "consultorias" porque era ex-ministro da Fazenda e o "mercado" gostava de tais "profissionais". Mas recusou-se a fornecer a lista de seus clientes.

Isso foi há cinco anos. Não há, portanto, "consultoria" mais queimada, mais torrada no mercado, que a de Palocci. Há cinco anos que todo mundo sabe qual é o negócio lá: tráfico de influência. Que empresa se arriscaria – e por que razão – a aparecer como cliente de Palocci?

No entanto, o dinheiro continuou entrando.

Porém, fora do governo, por que o Banco Safra ou o Banco Itaú iriam pagar alguma coisa a Palocci, por alguma consultoria lícita? Logo o Safra e o Itaú, que têm dezenas, talvez centenas de consultores em tudo o que é área, sem que seja preciso contratar alguém de fora.

Ainda mais alguém como Palocci, que, como se sabe, tem um diploma de medicina – e, quanto à economia, seu único pensamento (?) é que os tucanos e os americanos é que entendem do assunto. Trata-se de uma nulidade econômica, financeira e empresarial. Se o leitor permite a rude expressão popular, trata-se de uma besta quadrada (deve ser por isso que seu advogado falou em "quadrado").

Mas nós sabemos, graças à Operação Lava Jato, o que ele fazia para ganhar dinheiro: vendia medidas provisórias, empréstimos bilionários do BNDES e outras vantagens ilícitas, como demonstraram os arquivos implacáveis do "setor de operações estruturadas" da Odebrecht - e o próprio celular de Marcelo Odebrecht. Por exemplo, em 2009, quando Palocci estava fora do governo, diz Odebrecht em mensagem a subordinados:

"[Palocci] Vai estar com PR [Lula] na 2ª ou durante o final de semana. Combinamos de nos encontrar amanhã às 15hs. Ele mesmo pediu (…) que levássemos alternativas para nos compensar. Sejamos criativos! O ideal seríamos colocar valores de quanto somos compensados em cada uma das opções abrindo assim um menu/mix de escolhas tributárias e ou com a Petrobrás."

Aqui, nesse trecho, está a chave do sucesso do escroque: Palocci não conseguiria fazer sozinho essas escusas transações, ainda mais, fora do governo. Que poder tinha ele, com sua reconhecida mediocridade, para que Odebrecht & outros molhassem tão abundantemente a sua mão? Não era ele quem assinava medidas provisórias ou concedia empréstimos no BNDES.

No entanto, pela contabilidade de Odebrecht, não era pouco o dinheiro que fluía para Palocci – até agora foram identificados R$ 128 milhões, que devem aumentar, pois a Operação Lava Jato, na quarta-feira, descobriu provas das relações de Palocci com a Odebrecht desde 2004, quando era ministro da Fazenda de Lula. Alguns e-mails mostraram que Palocci, aproveitando-se do cargo, coagia governadores a beneficiar a Odebrecht.

Então, quem bancava Palocci? Qual era o motivo desse rio de dinheiro, do qual aparecem vestígios nas poças ainda não enxugadas ou lavadas, nas contas da "Projeto"?

RELAÇÃO

O motivo era o que Odebrecht falou aos seus funcionários: a relação de Palocci com Lula. Que mais poderia ser?

Palocci foi colocado no Ministério da Fazenda por Lula. Depois de cair – devido ao escândalo do caseiro daquela casa de prazeres que ele e seus amigos montaram – foi Lula, outra vez, que foi buscá-lo e colocou-o no controle das finanças na campanha de Dilma, em 2010, e depois como ministro da Casa Civil, acima de qualquer outro. Não demorou, e ele caiu outra vez – mas continuou operando.

Com que poder? Aliás, por que Palocci conservou R$ 30 milhões na conta da "Projeto"? Pode ser que ele seja, realmente, um mentecapto completo. Ou será que esse dinheiro não era apenas seu?

Aliás, o mesmo pode ser dito para Mantega, outra mediocridade sem lustro, que ascendeu apenas devido a Lula. E, pensando bem, será que Paulo Bernardo é muito diferente?

Por que essa gente tinha tanta desenvoltura no roubar? A única explicação é que havia quem tivesse poder a respaldá-los.

CARLOS LOPES

 

Capa
Página 2
Página 3

A propina de Palocci, PB, Gleisi e Mantega e a relação com Lula

PB e Gleisi tornam-se réus e vão responder por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro

Justiça de Brasília vai julgar se Cunha vendia emendas para André Esteves, do banco BTG

PF vai investigar propinas em 38 obras da Odebrecht

Dois dias antes de vazar ação da Lava Jato, Moraes se reuniu na PF em SP, mostra agenda oficial

Psol aciona o STF contra a MP do retrocesso do ensino médio

Página 4 Página 5

Para governo, a idade mínima deverá ser maior que 65 anos

Petroleiros iniciam greve no Rio contra proposta de Parente que rebaixa os salários e ataca a Petrobrás

Funcionários fazem manifestação no palácio do governo para barrar privatização da Cedae-RJ

TST: acordo feito por usina de cana não prevalece sobre a lei

Proposta prevê fim do direito ao recálculo da aposentadoria

Com PEC 241, educação teria 47% a menos de investimento

ESPORTES

 

Página 6

Mulheres de 44 países exigem fim a guerras provocadas pelo Império

Márcia Campos: “FDIM cresceu apoiando luta das mulheres e dos povos por desenvolvimento com igualdade e soberania”

Acordo das FARC com governo colombiano prevê apoio à diversificação do cultivo agrícola

Shimon Peres, o criador da bomba atômica de Israel, integrou comando da limpeza étnica na Palestina

Governos neoliberais dobram a dívida externa do Paraguai

Página 7

Rússia: relatório sobre o MH17 é “tendencioso e sob encomenda”

Califórnia: Polícia mata com cinco tiros negro desarmado e doente

Opep anuncia em Argel acordo preliminar para cortar produção e recuperar a cotação

     Isinbayeva disputará presidência da Federação de Atletismo da Rússia na eleição de dezembro


     Escritor holandês: “fonte das ‘gravações’ foi o próprio serviço secreto ucraniano”

    
Prisioneiros de 24 estados estão em greve nos EUA


     Adolescente mata o pai e fere duas crianças e uma professora a tiros nos EUA
  

Página 8

A revolta dos escravos e o fim do Império - (15)