Eleição foi desastre para o PT & satélites. PMDB também perdeu 

PT conquistou em 2012 644 municípios. Agora serão apenas 256. Receita dos municípios atualmente geridos pelo partido
vai cair de R$ 110 bilhões para R$ 15,8 bilhões (menos 86%)

O resultado do primeiro turno das eleições municipais provocou uma reação já conhecida – mas nem por isso menos aberrante – em petistas que circulam em blogs, "redes sociais" e em outros meios de fazer barulho: descobriram que o culpado por sua desgraça é o povo; em suma, o povo é que não presta; eles, petistas ou satélites petistas, são maravilhosos. O povo é que não vale nada (ver, na página quatro, a resposta do poeta Sidnei Schneider a esses anormais).

Por ser tão maravilhosos, provavelmente, eles devem achar que têm o direito de roubar. Porém, não antecipemos as coisas. Uma de cada vez.

Não foram eles – ou seus correligionários da cúpula – que traíram o povo nas últimas eleições presidenciais? Não foram eles que perpetraram o mais escandaloso estelionato eleitoral da História do país? Não foram eles e seus aliados peemedebistas que, depois de prometer o contrário, implementaram a destruição das forças produtivas, o desemprego, o rebaixamento do salário real, o estrangulamento da economia pelos juros, o aumento da parcela de dinheiro público e privado apropriada pelos bancos, fundos, e outros parasitas econômicos, em detrimento da produção, como forma suprema e sublime de "ajuste"?

Não foram eles que assaltaram a Petrobrás? Que armaram, com seus aliados e mais um cartel de empreiteiras que achacava nossa principal empresa, pertencente ao povo brasileiro, um esquema de roubo e propinas bilionário para se perpetuar no poder?

Claro que foram eles. Por isso, mereceram a sorte que lhes sorriu, com maus dentes, no último domingo (o leitor poderá conferir, na página quatro, um quadro dos votos em cada partido para as prefeituras).

Nas eleições para vereador, o PT perdeu 10 milhões, 625 mil e 837 votos, em relação às eleições para vereador de 2012. Perdeu 61% dos votos que conseguiu há quatro anos.

Já o PMDB, perdeu 2 milhões, 130 mil e 134 votos – ou eleitores. Apesar do número de Prefeituras permanecer estável, é evidente que elas perderam importância em termos de população. Em suma, os municípios que terão prefeitos do PMDB serão menores, no conjunto, que aqueles de quatro anos atrás.

A razão para esse resultado é que o PMDB portou-se como sócio do PT no governo Dilma – e, agora, porta-se como feitor da política do PSDB para o trabalho sujo: aquele mesmo começado por Dilma, que nós descrevemos acima.

Mas, vejamos alguns números sobre a performance do PT, porque nada caracteriza melhor essas eleições que o repúdio dos eleitores pela política subserviente e reacionária desse partido. Ganhou quem o povo achou que era mais anti-PT. E é claro que um arrivista, tão reacionário quanto, como o sr. Dória, tirou vantagem disso – sobretudo porque seus adversários não foram suficientemente firmes nesta questão, deixando-o correr sozinho.

Em 2012, os candidatos do PT a vereador, em todo o país, tiveram 17 milhões, 448 mil e 801 votos.

Agora, tiveram 6 milhões, 822 mil e 964 votos.

Portanto, 10 milhões, 625 mil e 837 eleitores deixaram de votar no PT e votaram em outros partidos - ou, simplesmente, não votaram: a soma das abstenções, votos brancos e votos nulos atingiu, por exemplo, 38,11% do eleitorado no Rio e 34,84% em São Paulo.

As 644 prefeituras que o PT obteve no primeiro turno de 2012, foram reduzidas a 256 prefeituras – e perderam praticamente em todas as cidades mais importantes em que até então estavam no governo municipal, o que é evidente pela queda na soma da receita orçamentária dos municípios que o PT irá dirigir agora, em relação à eleição municipal anterior: em valores já corrigidos pela inflação, a receita dos municípios sob gestão petista caiu de R$ 110,5 bilhões para R$ 15,8 bilhões, ou seja, -86%.

Ou, também, a mesma coisa é demonstrada pelo número de habitantes dos municípios em que o PT estava na Prefeitura até este ano (38 milhões de pessoas) em relação à população dos municípios que serão, a partir do próximo ano, governados pelo PT (6 milhões de pessoas).

Por qualquer ângulo, portanto, a eleição foi um desastre para o PT & satélites (o resultado do PCdoB em Olinda, onde sua presidente nacional, e ex-prefeita duas vezes da cidade, amargou um quarto lugar na eleição - ou o pífio resultado no Rio de Janeiro - são suficientemente emblemáticos para que o aumento de Prefeituras, obtido por este partido, seja destituído de significação política).

Os xingamentos atuais contra o povo, por parte de petistas, repetem os descarregos da época em que Lula foi derrotado pelo seu futuro aliado Fernando Collor de Mello. Os mais velhos ainda se lembram daquele ridículo plástico, em carros de petistas, com os dizeres: "êta, povinho bunda!".

Mas é isso mesmo o que eles acham do povo. Essa é, também, a sua ligação com o Brasil, a de achar-nos um país e um povo inferior. Se existe quem no PT não seja assim – e deve existir – isso em nada altera a questão que estamos tratando.

Resumindo: o problema nunca é deles. É sempre do povo, em quem projetam figuras paternas ou maternas com as quais não conseguem resolver seus problemas.

Mas, voltemos aos números das eleições: não é possível sacar a votação do PSDB – que aumentou seus votos em 3,5 milhões para vereador, em relação a 2012 – para atenuar a derrota do PT e do PMDB. Primeiro, porque estes são inteiramente os responsáveis pelo aumento de votação do PSDB.

Segundo, porque isso apenas significa que a maior parte dos que até então votavam no PT e PMDB mas mudaram seu voto (12,7 milhões), não votaram no PSDB. Houve uma série de partidos que aumentaram a sua votação geral (incluído aqui o voto de legenda): PSL, PHS, PMN, PPL, PTN, etc.

São os partidos que o PT, PMDB e PSDB querem eliminar através de casuísmos – medidas de ordem neo-fascista ou filo-fascista - que eles chamam "reforma política".

Como na época da ditadura, esses partidos decadentes querem impedir a ascensão de outros partidos estabelecendo um ato institucional, sob fachada de "reforma".

O aumento de votos do PSDB, um dos principais partidos decadentes, é, portanto, algo episódico e, a rigor, marginal. Com quem os tucanos contam, daqui por diante: com a densidade do sr. Dória? Com a seriedade do sr. Aécio? Com a senilidade do sr. Serra? Ou com o carisma do sr. Alckmin?

O PT pode, perfeitamente, apoiar esses casuísmos, como fez com a reforma de Cunha, que transformou as últimas eleições no mais vazio pleito da história recente do país. Aliás, não somente os pode apoiar, como os está propondo e promovendo.

Mas, quanto mais acabarem as expectativas do povo em eleições sob um tacão antidemocrático, viciado e vicioso, mais estará próximo o dia – e não está longe, como sabemos por outras épocas – em que as questões nacionais terão que ser decididas pela via plebeia, a mais democrática de todas as vias. O arraso do PT e a perda do PMDB no primeiro turno, assim como a quantidade de abstenções, votos brancos e nulos, são um prenúncio desse dia.

Não foi sempre assim, no Brasil e em qualquer país do mundo?

CARLOS LOPES

 

Capa
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Página 3

Eleição foi desastre para o PT & satélites. PMDB também perdeu

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Página 4 Página 5

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ESPORTES

CARTAS

 

Página 6

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Página 7

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Página 8

A revolta dos escravos e o fim do Império - (16)