Delcídio confirma propina na reeleição de Dilma-Temer 

Em depoimento dado ao TSE, ex-líder de Dilma no Senado confirmou a confissão de Andrade Gutierrez

Há pouco mais de um ano uma dupla agia em sintonia fina no Congresso Nacional para aprovar as medidas do famigerado "ajuste fiscal" de Dilma e Levy. Eram eles, o líder do governo no Senado, cargo ocupado por Delcídio Amaral (PT), e o responsável pela articulação política do governo, ninguém menos do que Michel Temer (PMDB), à época, o vice. Após sua prisão, no fim de 2015, Delcídio confessou, em acordo de colaboração com a Justiça, entre outras coisas, que a chapa Dilma/Temer recebeu propina desviada de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no estado do Pará. O ex-homem forte do governo, que sabe muito bem do que está falando, confirmou, na terça-feira (11), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que investiga os crimes da chapa, a ocorrência das propinas e do crime eleitoral.

A informação do desvio criminoso de recursos públicos já havia sido detalhada pelo ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, responsável direto pelo pagamento da propina à chapa Dilma/Temer. Em seu depoimento, ocorrido em 19 de setembro último, ele informou ao ministro Herman Benjamin, relator das ações que pedem a cassação da chapa presidencial, que a empresa pagou R$ 1 milhão em propina para a eleição da ex-presidente Dilma Rousseff e do atual presidente Michel Temer em 2014. O empreiteiro disse mais. Que, no total, a construtora pagou R$ 30 milhões às campanhas do PT e PMDB em 2014. E que uma parte dos recursos doados correspondiam a propina extraída dos contratos de Belo Monte.

O senador Delcídio, que passava boa parte de seu tempo de líder do governo reunido com os dois acusados, Dilma e Temer, disse no depoimento que os recursos oriundos de propina abasteceram a campanha da chapa PT/PMDB em 2014 e que seria pouco provável que a dupla que encabeçava a disputa eleitoral não tivesse conhecimento do esquema. Ainda de acordo com Delcídio, a maior parte do dinheiro desviado de Belo Monte serviu para abastecer o PMDB de Michel Temer. Tudo o que o ex-líder do governo está dizendo agora já havia sido informado ao Ministério Público Federal, no âmbito da Operação Lava Jato, em acordo de colaboração premiada. Ali, o senador petista já havia informado que um esquema de desvio de dinheiro nas obras de Belo Monte abasteceu as campanhas eleitorais do PT e do PMDB em 2010 e 2014. A Justiça validou o acordo, o que descarta que Delcídio estivesse mentindo ou escondendo alguma coisa.

Diante desses fatos, soa no mínimo suspeito que o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, seja flagrado almoçando, em companhia de Fernando Henrique Cardoso, com Michel Temer, um dos investigados no crime (veja matéria nesta página). Descoberto o encontro, Gilmar Mendes tentou justificá-lo como sendo um encontro entre "amigos". O juiz, que vai decidir sobre o cancelamento da eleição fraudulenta, diz ao ser flagrado que participou do encontro às escondidas com um dos envolvidos no roubo a uma empresa pública, que o que estava ocorrendo era um "encontro entre amigos". Então, como "amigo" do Temer estará impedido de participar de um provável julgamento da chapa Dilma-Temer. Senão seria um escárnio com a opinião pública.

O processo contra a chapa Dilma-Temer, que tramita no TSE, foi aberto a pedido do PSDB para apurar se houve crime eleitoral. O abuso de poder político e econômico para sustentar o estelionato eleitoral de Dilma/Temer foi evidente. Como todos sabem hoje, a principal estatal assaltada para regar a chapa foi a Petrobrás, mas os tentáculos dos criminosos se espalharam por várias outras empresas públicas, inclusive a hidrelétrica de Belo Monte. Se os ministros do TSE entenderem que houve crime e desequilíbrio nas eleições, terão que cassar a chapa e tornar seus integrantes inelegíveis. No caso de Dilma, como ela já foi cassada, deverá tornar-se inelegível e Michel Temer deverá ser afastado da presidência. Se a decisão for tomada ainda este ano, as eleições serão anuladas e um novo pleito será convocado. Caso o desfecho do processo passe para o ano que vem, após a cassação de Temer, o Congresso Nacional terá que eleger um novo presidente tampão.

Tanto no depoimento do empreiteiro Otávio Marques de Azevedo, da AG, como no de Delcídio do Amaral, os advogados do PT, insistem na tese de que há perseguição a Dilma, porque, afinal, o roubo era generalizado entre os principais partidos do país. "Ficou reconhecido a origem legal das doações, que provieram do mesmo caixa das doações feitas (pela Andrade Gutierrez) à campanha de Aécio Neves e Aloysio Nunes (que formavam a chapa adversária)", disse o advogado Flávio Caetano. Ou seja, a tese é a seguinte: se eles podem roubar, por que estão implicando conosco? Michel Temer é mais esperto. Faz almoço secreto com o presidente do TSE. Não é à toa que um encontro do juiz com um dos assaltantes do patrimônio público tenha sido costurado pelo guru do governo em que houve uma ladroagem escandalosa do patrimônio do povo, Fernando Henrique, no processo de privatização do Sistema Telebrás.

Uma outra artimanha de Temer é tentar se desvincular de Dilma, sua companheira de chapa. Os advogados do peemedebista defendem na corte eleitoral que as condutas de Temer e Dilma sejam analisadas de forma separada. Só uma tramoia desse tipo poderia concluir que a chapa regada pelas propinas roubadas do povo não beneficiou os dois integrantes da mesma. Na semana passada, o ministro do TSE, Herman Benjamin, relator das ações, já havia negado também outro pedido da defesa da petista para realizar perícia complementar nas empresas contratadas pela campanha. Na decisão, o ministro considerou a solicitação "manifestamente protelatória".

SÉRGIO CRUZ

 

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