Boicote à Lava Jato: “Cumpri ordens”, diz serviçal de Renan

“Os fatos são gravíssimos”, afirma juiz

O diretor da polícia do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, o Pedrão, único dos policiais legislativos, presos na sexta-feira, que continuava preso na manhã de terça-feira, quando fechamos esta edição, declarou à Polícia Federal (PF) que "cumpri ordens". Não disse de quem eram essas ordens – talvez porque fosse desnecessário – para sabotar a Operação Lava Jato.

Na segunda-feira, o ataque de nervos do sr. Renan Calheiros, diante da imprensa, com imprecações contra a PF, contra o juiz Vallisney Oliveira, e contra o ministro da Justiça de Temer, foi a confirmação definitiva das atividades ilegais (e, aliás, conspirativas) que motivaram a decisão do juiz e a ação da PF - com a prisão de Pedrão e três de seus subordinados, e a busca e apreensão do aparato usado para perpetrar os delitos.

Não há ninguém neste país que ignore que o desespero de Renan é para fugir da Operação Lava Jato. Contra ele há provas – a começar pelos depoimentos de seu ex-protegido Sérgio Machado – que já deveriam ter-lhe garantido a cadeia ou equivalente.

Para evitá-lo, Renan usa o Senado. Usa o "foro privilegiado" (isto é, o privilégio dos senadores de somente o STF poder autorizar investigações sobre eles). Usa as barganhas com o governo. Usa, agora sabemos, a polícia do Senado e os serviços do prestimoso Pedrão. Além disso, com a ajuda de Gilmar Dantas – aliás, Gilmar Mendes - quer aprovar um projeto para acabar com a Lava Jato, sob o suposto rótulo de combater o "abuso de autoridade".

Mas, como na música já antiga - qual o quê! Nada lhe adianta, ainda que possa adiar um pouco o destino inexorável.

Renan apresentou uma lista infinita de pedidos de varredura, para mostrar que a polícia do Pedrão não faz nada, exceto preocupar-se com a segurança dos senadores. Mas... o que será que o Cunha, que jamais foi senador, faz nessa lista?

Então, a polícia do Senado, além de Renan, Gleisi e Collor, também protegia o Cunha... No dia 16 e 27 de novembro, a polícia do Renan fez varreduras no gabinete do Cunha. No dia 20, na residência do então presidente da Câmara.

Em suma, Renan transformou a polícia do Senado num aparelho de proteção aos ladrões do dinheiro e da propriedade pública, apesar dos protestos de policiais honestos.

Pedrão e seus três subordinados não foram presos por executar serviços de varredura contra grampos ilegais, a pedido dos senadores.

Eles foram presos por tentar "impedir a atuação da Polícia Federal em diligências relacionadas à Operação Lava Jato e outras", como está no primeiro parágrafo da decisão do juiz Vallisney Oliveira.

Acompanhando Renan durante sua diarreia verbal, na segunda-feira, havia três figuras melancólicas: o deputado Paulinho da Força (SD-SP) e os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM).

Não deixou de ser cômico ver a mais rasteira mediocridade que já ocupou a presidência do Senado chamar o juiz de "juizeco de primeira instância" ou o ministro de "chefete de polícia" (antes fosse).

Pior foi a citação de um artigo de Rui Barbosa, escrito em 1911, mais de 100 anos antes da Operação Lava Jato, para justificar as ações do Pedrão. Dentro em breve, Renan vai descobrir que o Código de Hamurábi - do ano 1.772 antes de Cristo - já autorizava o Pedrão a sabotar a Lava Jato.

Porém, o mais cômico de tudo foi a declaração de que as atividades de Pedrão e sua trupe "não têm nada a ver com a Lava Jato" e tinham o objetivo de proteger as "filhinhas de senador que foram acordadas na manhã truculentamente".

Renan é, além de tudo, um cínico: a população carcerária no Brasil passou de 232.755 pessoas (2000) para 622.202 pessoas (2014), último resultado, divulgado este ano. Houve um encarceramento de mais 384.447 pessoas, tornando-nos o quarto país do mundo em número de presos – com a desgraça de que 55% têm entre 18 e 29 anos; 61,6% são negros; e 75,08% têm até o ensino fundamental completo (cf. Ministério da Justiça/Depen, Infopen/dez 2014, 26/04/2016).

Nada disso comoveu Renan, corresponsável, desde o governo Collor, pelas mais criminosas políticas contra o povo que já houve neste país. Contanto que o deixassem roubar, Renan apoiou toda a exploração do povo, sua miséria e fome, incluindo a morte de milhares e milhares de crianças, de Collor a Temer.

Pois agora, com medo da cadeia, recorreu até às filhinhas dos senadores, que não podem ser despertadas pela chegada da Polícia Federal, como se a PF, e não seus pais, que atentaram contra a propriedade do povo, fosse a responsável pela interrupção de seu sono.

Trata-se de uma tremenda sensibilidade social.

Mas, deixemos esse paiol de hipocrisia, cinismo, farisaísmo.

Renan sabe que o único interesse de Pedrão, nas suas operações, era dificultar a Lava Jato, porque esse era o interesse de Renan Calheiros. Pedrão é, portanto, uma identidade secreta de Renan.

Por isso, eles passaram por cima do próprio Serviço de Suporte Jurídico da Polícia do Senado, que advertiu os envolvidos de que estavam cometendo crimes – informação que está no inquérito da PF; na decisão do juiz Vallisney Oliveira; e nos depoimentos dos que denunciaram as ilegalidades.

Por ex., declarou Carlos André Alfama: "... como chefe do serviço jurídico, informei aos colegas e ao diretor que eram medidas ilegais, por serem medidas destinadas não ao interesse público, não à proteção da atividade parlamentar, mas sim a embaraçar uma investigação feita por órgãos oficiais do estado".

Essa advertência foi efetuada antes de abril de 2015, pois, nesse mês, Pedrão retirou Alfama do serviço jurídico da polícia do Senado.

Outro denunciante, Paulo Igor da Silva, relatou: "Na primeira [operação de sabotagem], que foi na casa do Lobão, [Pedrão] disse que havia uma preocupação de que Lobão fosse um dos alvos da Lava Jato".

Quanto à casa do ex-senador Sarney, Pedrão recomendou uma história de cobertura: "Olha, se, porventura, um dia vocês forem pegos, digam que a visita de vocês, a varredura era porque o ex-senador Sarney iria receber uma visita do Renan Calheiros".

Ou seja, ele sabia que estava fazendo algo ilegal – especificamente nas residências de Gleisi Hoffman (PT-PR), Fernando Collor (PTC-AL), José Sarney (PMDB-AP) e Edison Lobão (PMDB-MA).

"Os fatos são gravíssimos", aponta o juiz. Pedrão, "ordenou diligências nos anos de 2014 e 2015, com infração de dever funcional (...); determinou ações em 2015 e 2016, a fim de embaraçar conscientemente notória Operação conduzida no âmbito do Supremo Tribunal Federal".

A decisão do juiz w foi absolutamente cautelosa, indicando os limites das ações da PF no Senado, de forma bastante minuciosa.

Renan era o chefe de Pedrão. Apesar de óbvio, qualquer outro comentário, depois disso, parece completamente supérfluo.

CARLOS LOPES

 

 

Capa
Página 2
Página 3

Boicote à Lava Jato: “Cumpri ordens”, diz serviçal de Renan

Juízes repudiam ataques de Renan

PF diz que “Amigo” na planilha da Odebrecht é referência a Lula

Empreiteira do “Amigo” vai delatar

Luciana Genro: ‘saudamos a prisão de Cunha’

Presidente do STF rebate Renan: “exigimos respeito”

Mais uma do obscuro Gilmar Mendes (Campanella)

Edmilson Costa é o novo secretário-geral do PCB

Página 4 Página 5

Servidores param universidades federais contra PEC do arrocho

CGTB distribui manifesto a deputados: “241 é verdadeiro genocídio contra a população”

“Projeto do governo limita gastos sociais, mas libera gastos com juros”, denuncia Miguel Torres

Simesp: “PEC será pá de cal na possibilidade de conquistarmos o direito universal à saúde”

Acordos coletivos com perda salarial crescem em setembro

Professores do Paraná não aceitam ameaça de Richa e aprovam manutenção da greve

Federação dos Petroleiros rejeita proposta salarial com reajuste abaixo da inflação

ESPORTES

Página 6

Congresso da FSM repudia guerras imperialistas e cortes de direitos

Bira condenou a agressão aos povos perpetrada pelo imperialismo em crise

Lugo defende soberania e rechaça a privatização e endividamento de Cartes

Calais: desmonte das barracas de refugiados coloca 1600 crianças sob condição de risco

General chavista condena a manobra para o adiamento do referendo revogatório

Anúncio

Página 7

WikiLeaks revela o manual de Hillary para fraudar pesquisas
 

“Chelsea, a filha do casal Clinton, que “esfaqueia você pelas costas enquanto lhe dá um beijo no rosto”


     

     
25 mil presidiários mantêm paralisação contra “escravidão moderna” nos EUA

 

“#DejaVu”: mastodôntica AT&T anuncia fusão de US$ 85,4 bi com Time Warner/CNN


     PSOE se entrega a Rajoy e parte da bancada rebela-se



     Governo da RPDC denuncia nova manobra de guerra dos EUA na Península Coreana

 

Destróier Carney se intromete no Mar Negro para nova presepada
 

Página 8

Meirelles: empresas fantasmas, roubo e fraude acoitados por Lula e Temer (4)