Delação reafirma propina para a chapa Dilma-Temer na reeleição

Executivo da Odebrecht relata doação ilegal de R$ 30 milhões para a campanha de 2014

Na segunda-feira, soube-se que um dos depoimentos dos funcionários da Odebrecht revelou que, nas eleições de 2014, o Grupo passou, ilegalmente, R$ 30 milhões para a campanha de Dilma e Temer.

Temer e Dilma, declararam, oficialmente, uma arrecadação, em 2014, de R$ 350.493.401,70 (cf. TSE, Prestação de Contas, Eleições 2014).

Parece, a qualquer cidadão normal, uma barbaridade de dinheiro: 350 milhões e quase 500 mil reais de receita, para uma campanha tão nojenta – e mentirosa – como foi a de Temer e Dilma, é algo tão bizarro, quanto perfeitamente irracional. E isso não inclui o que gastaram os deputados, governadores e senadores que apoiaram Dilma e Temer.

Nem, muito menos, aquilo que foi passado no exterior pela Odebrecht.

Mesmo sem isso, a Odebrecht já confessou esses R$ 30 milhões por baixo do pano, direto do "caixa 2" da empresa para o "caixa 2" da campanha de Dilma e Temer.

O que é 8,6% da arrecadação oficial, fornecidos por um único grupo empresarial. E, lembramos outra vez, isso não inclui o que foi passado no exterior, via empresas-fantasmas da Odebrecht para outras empresas-fantasmas (em junho, foram identificados repasses, feitos pela Odebrecht, de US$ 16,6 milhões numa conta do marketeiro de Dilma e Temer, João Santana, no exterior; um mês depois, a esposa de Santana, Mônica, confessou pagamentos de US$ 35 milhões, também da Odebrecht, no exterior).

ABUSO

Era assim que essa malta "ganhava" eleições: através do mais desarvorado uso do poder financeiro – mais exatamente, de propinas, que recebiam para deixar que um cartel (do qual a Odebrecht era o elemento principal) roubasse bilhões da Petrobrás.

É difícil perceber algo mais antidemocrático. Perto disso até as eleições sob a ditadura ou as eleições sob os coronéis da República Velha parecem um primor de democracia. Talvez por isso seja tão repugnante ver (e ouvir) a ex-presidenta Dilma falar em seus 54 milhões de votos – porque esses votos não significam absolutamente nada diante da falsificação da verdade eleitoral pelo dinheiro ilícito, tanto assim que a primeira coisa que Dilma fez foi trair tudo o que havia dito e prometido na campanha. Ela confiava no dinheiro – como se o dinheiro lhe garantisse eterno apoio. Assim, por que não trairia o povo?

O que vale para Dilma, vale, necessariamente, para Temer.

Imediatamente após a revelação dos R$ 30 milhões que entraram no caixa 2 da campanha de Dilma e Temer, o sr. Gilmar Mendes pulou: disse que as delações da Odebrecht iriam "atrasar" o julgamento da chapa Dilma/Temer no TSE. Esse pulo equivale a uma confissão de culpa. Por que Mendes iria dar essa declaração, se os depoimentos de funcionários da Odebrecht não estivesse colocando em risco, se a lei for obedecida, precisamente, o mandato de Temer, tão ilegítimo quanto o de Dilma?

Um de nossos escritores – Machado, ou, talvez, Bilac – escreveu em algum lugar que "a ocasião faz o roubo, o ladrão já nasce pronto". Em suma, o ladrão não rouba porque apareceu uma oportunidade. Rouba porque é ladrão.

Os casos revelados pela Operação Lava Jato – e suas ramificações – parecem se adequar (e confirmar) a máxima machadiana (ou bilaquiana).

O que vale para o PT, que até hoje está protestando porque não o deixam roubar como deixaram o PSDB roubar, ou para o PMDB e a quadrilha de Temer, Renan, Padilha, Moreira e outros heróis do peculato e do suborno.

Quanto aos primeiros, nada revela tão nitidamente a dissolução moral, ideológica e política do PT, quanto o fato de que o enriquecimento pessoal dos elementos de seu esquema contra a Petrobrás (Renato Duque, Pedro Barusco, etc.) jamais haver incomodado a consciência da sua cúpula, nem antes nem depois de estourar o escândalo. Mas isso quer dizer que eles achavam – e acham - que nada havia, ou há, demais em roubar a propriedade pública, a propriedade do povo brasileiro, ou seja, a própria Nação.

Quanto aos últimos, desde que o diretor de "relações institucionais" da Odebrecht S.A., Cláudio Melo Filho, revelou que houve uma reunião no dia 28 de maio de 2014, no Palácio do Jaburu, sede da vice-presidência da República, em que Temer acertou com Marcelo Odebrecht um estipêndio – isto é, uma propina – de R$ 10 milhões, passada durante a campanha eleitoral de Dilma e Temer, a vazão de revelações tende a se transformar em inundação.

Com uma característica: em todas essas revelações, os eventos – reuniões, encontros, etc. - não foram desmentidos por Temer & cia. Pelo contrário, foram confirmados pela assessoria da Presidência, que contesta o que os depoentes disseram sobre essas reuniões, mas não a existência delas, nas datas referidas nos depoimentos.

Assim, também, além do encontro do Jaburu, foi confirmado o encontro no escritório de Temer, em 2010, em que estiveram presentes Temer, Cunha, o lobista João Augusto Henriques (indicado por Temer para a diretoria internacional da Petrobrás, antes do hoje condenado Jorge Zelada) e Márcio Faria, presidente da Odebrecht Engenharia Industrial.

Esse encontro – e o acerto da propina - foi relatado por Márcio Faria (ver matéria nesta página) em seu depoimento.

IMPOPULAR

É difícil acreditar que presidentes eleitos por dinheiro de suborno tenham qualquer compromisso com o povo e o país. É difícil porque é impossível. O compromisso do corrupto é com a sua corrupção, vale dizer, com quem o corrompe.

Há décadas aparecem, frequentemente, alguns anormais com a retórica das "medidas impopulares". É sempre a mesma coisa: o Brasil tem que cortar salários, direitos e empregos.

Com certeza, "medidas impopulares" são medidas contra o povo. Por isso, exclusivamente por isso, são "impopulares".

Temer é o último degenerado desse tipo. Naturalmente, sua falta de compromisso com o povo está na razão direta de sua corrupção, que não é uma novidade, desde a época das Docas de Santos.

Naquele época, há 17 anos, a ex-esposa do então presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo, Marcelo Azeredo, indicado para o cargo por Temer, denunciou, ao processar o ex-marido para obter-lhe pensão, que este "efetuou uma série de licitações para terceirização de alguns serviços, ou concessão de outros, ou concessão de uso de terminais para embarque/desembarque. Estas ‘caixinhas’ ou ‘propinas’ eram negociadas com os vencedores das licitações ou com os concessionários, e repartida entre o requerido, seu ‘padrinho político’, o deputado Michel Temer, hoje presidente da Câmara dos Deputados, e um tal de Lima".

O roubo já era igual no estilo do escroque. A diferença, hoje, é que há 77 funcionários da Odebrecht confessando a quem passavam as propinas para assaltar a Petrobrás.

C. L

 

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