Temer é o retrato da falência política e moral do governo

Governo destrói a economia, aumenta o desemprego, a fome, abandona a saúde, a educação e nos presídios reina a barbárie

Quando a principal figura do governo, o repulsivo Meirelles, diz em Davos que o Brasil "vive um momento favorável" - e depois se tranca, numa reunião sigilosa, com os bancos estrangeiros, e outros bandidos financeiros externos, para, declaradamente, "vender o Brasil", isto é, entregar o pré-sal e o dinheiro da Previdência - a falta de decência se transforma em afronta ao povo brasileiro.

Quando "vender o Brasil" aos monopolistas financeiros dos EUA, e outros países centrais, causa frissons de euforia no Planalto, nos partidos governistas e em certa mídia especialmente pútrida - a conclusão é que o Brasil somente pode ser salvo por seu povo.

Quando o líder do PT na Câmara diz que apoiar o candidato de Temer (aquele pessoal que o PT chamava de "golpista") não tem nada demais, porque "aqui não se trata de ter ou não coerência, mas sim de ocupar um cargo na mesa", é forçoso – para alguém honrado – perceber que a falência moral de certo estrato político já passou do ponto em que é preciso atirar essa malta ao lixo.

PRISÕES

Temos 25 milhões de desempregados e subempregados – e eles estão aumentando; as empresas falidas ou "fechadas" já vão em milhares; o salário real (obviamente, dos que ainda estão empregados) já caiu mais de 10% desde a segunda posse de Dilma e Temer no governo; as universidades públicas não conseguem nem abrir, devido à falta de recursos; as famílias despejadas, com crianças, povoam a sombra dos viadutos, se ainda existe alguma vaga, alguma sombra e algum viaduto.

As escolas públicas primárias e secundárias são uma esculhambação – e uma ficção – em que ladrões roubam, sem contemplação, até a merenda das crianças.

As prisões se tornaram algo pior que campos de concentração, com pescoços cortados, cabeças rolando, fogo ardendo, sangue aos borbotões e outras barbaridades que fazem Vlad Dracul, o empalador, parecer civilizado.

A lei (ou o respeito a ela) parece ter se tornado inexistente para a oligarquia política. De Renan a Alckmin, virou moda não acatar o que a Justiça decidiu – nem receber o oficial de Justiça que vai entregar a notificação da sentença.

Se os governantes não obedecem a lei, se somente o cidadão comum a respeita – até porque não tem outro jeito – em que se tornou o governo, senão em um conluio de foras da lei?

Ainda mais com um advogado do PCC no Ministério da Justiça.

O surto de febre amarela, que avança pelo país, é apenas mais um sinal do que foi feito com a Saúde, impiedosamente privatizada para beneficiar meia dúzia de apaniguados. Uma doença que Oswaldo Cruz erradicou das cidades há mais de 100 anos, no princípio do século XX, agora ressurge como assombração.

O princípio de Temer e asseclas é: o povo que se dane. O governo não sabe fazer outra coisa, até porque não existe para outra coisa, senão retalhar o país, aumentar o desemprego, a fome e atacar as conquistas trabalhistas e previdenciárias - para mais miséria, mais fome, mais desemprego, mais falências.

Tudo para aumentar a parcela da riqueza nacional (renda e propriedade) que vai para os monopólios financeiros externos – e receber propinas pelos serviços prestados.

Não há um prócer desse governo que não tenha, em vez de currículo, uma folha-corrida. Jucá, Geddel, Renan, Meirelles, Padilha, quem sobrará? Quem conseguirá fugir ao longo, pesado e implacável braço da Lei e da Justiça?

O ideal desse governo é que o trabalho seja escravo – no mínimo, que os salários sejam famélicos e o trabalhador só tenha direito à aposentadoria depois de morto.

A prorrogação por dois anos do corte nominal de 30% dos salários, que Dilma concedeu às multinacionais, é apenas mais um crime de Temer e caterva.

Assim, estamos indo em direção a um abismo maior que a fossa das Ilhas Marianas. Mas isso tem nome, tem culpado, tem responsáveis – ou irresponsáveis.

A queda no crescimento do país, em 2016, está em -4%, depois de uma queda de -3,8% em 2015 e quase zero em 2014. A produção industrial já encolheu, até novembro, -7,1%, depois de ter encolhido -8,3% em 2015 e -3,2% em 2014.

O país está ficando sem indústria – o que significa: sem o setor que pode determinar e sustentar o crescimento do país.

O que não quer dizer que a agricultura esteja melhor: regredimos à monocultura. Exportamos soja, soja, soja, cada vez mais soja, por um preço menor. E importamos feijão, arroz, milho, laticínios, etanol, fumo e o escambau.

Porém, tudo é acompanhado pelo pior: a mais completa falta de caráter.

O leitor poderia dizer que, para executar essa política, só mesmo gente sem caráter. E estaria certo.

Na quinta-feira, soube-se que o governo que, uma semana antes, anunciou com fanfarras a liberação das contas do FGTS, resolveu restringir o número de pessoas que terão esse direito...

Em uma semana!

Esse é um exemplo – nem tão pequeno. Mas, em tudo, esse governo é assim – e Temer, tanto quanto Meirelles, é a imagem física e moral desse governo.

Os dois juntos são uma aberração como nunca houve no governo do Brasil. Só falta a Dilma para que tenhamos um monstro teratológico de três (e nenhuma) cabeça no governo. Ainda bem que esta última foi enviada para aquele teatro de canastrões, onde representa o papel de anti-neoliberal - logo ela, que caiu porque fez o governo mais histericamente neoliberal, que, até então, tinha passado pelo Planalto.

AÇÃO

Esse é o "momento favorável" de que falou Meirelles em Davos – um "momento favorável" para que a máfia financeira imperialista se apodere do petróleo e aumente a parte do leão que leva no dinheiro público.

Mas, se isso acontecesse, apenas pioraria a catástrofe, assim como outras medidas do governo, que acaba de estrangular um Orçamento já estrangulado, proibindo gastos com o povo (mas não com os juros dos bancos) de mais do que 1/18 (ou 5,5%) da previsão orçamentária, ao mês, no primeiro trimestre.

Em Davos, até madame Lagarde, diretora do FMI, interpelou Meirelles, quando este amoral fazia propaganda das "medidas amargas" contra o povo. Lagarde apontou que é impossível ao país voltar a crescer sem redução da desigualdade, da miséria que as medidas do governo espalham por atacado.

Nós, o povo brasileiro, já enfrentamos muitas situações difíceis – e vencemos. Em 1822, em 1889, em 1930, em 1985. Nós vencemos.

O que se acumula aceleradamente, hoje, no país, com a dissolução política, ideológica e moral das quadrilhas políticas – PT, PMDB, PSDB e satélites – é uma imensa quantidade de material socialmente explosivo, gente, milhões de pessoas, cuja indignação em breve se transformará em ação.

O que não existe é possibilidade de que as coisas permaneçam como estão.

CARLOS LOPES

 

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