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OAB condena censura às publicações sobre a tentativa de extorsão de Marcela Temer

A Ordem dos Advogados do Brasil considerou um “desrespeito à liberdade de imprensa” a decisão judicial que proíbe a publicação de informações sobre uma tentativa de extorsão sofrida pela primeira-dama Marcela Temer. A liminar foi concedida na sexta-feira (10) pelo juiz Hilmar Castelo Branco Raposo Filho, da 21ª Vara Cível de Brasília.

“A Constituição é clara ao assegurar o direito de liberdade de imprensa, de acesso à informação e de preservação da intimidade”, afirmou o presidente da OAB, Claudio Lamachia.

O jornal “Folha de S.Paulo” publicou reportagem na sexta sobre um hacker que obteve os dados de Marcela Temer e tentou extorqui-la, dizendo que uma menção de Marcela num diálogo com seu irmão pelo WhatsApp sobre Temer poderia levá-lo à “lama”. O governo recorreu à Justiça, alegando que o conteúdo no celular da primeira-dama deveria ter o sigilo garantido.

“O caso mencionado envolve exemplo claro de desrespeito à liberdade de imprensa, que deve poder investigar e publicar reportagens sobre as autoridades que dirigem o país e pessoas que influenciam nas decisões do governo. É preciso proteger dados referentes à intimidade das pessoas, sem fazer com que isso sirva de desculpa para censurar jornais interessados em elucidar fatos referentes à administração pública e à vida partidária”, disse Lamachia.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram nota, segunda-feira (13), criticando a decisão do juiz.

 

 

 

          

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