Pezão e Picciani continuam a obra de Sérgio Cabral no Rio

Com as bênçãos do PT e Dilma que disse em 2014: “Eu estou há muito tempo com o Pezão”

Com os votos do PT – e também do PCdoB – o deputado Jorge Picciani (PMDB) foi eleito, pela sexta vez, no início deste mês, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Picciani – que, como Pezão, é um comparsa de Sérgio Cabral Filho, hoje na penitenciária de Bangu – tinha (e tem) dois pontos de programa para o seu novo mandato à frente do legislativo fluminense: 1) aprovar o pacote de arrocho e privatizações que Meirelles, Temer e Pezão acordaram; 2) continuar a roubar o Estado e a desrespeitar as leis.

No momento da eleição, a Assembleia do Rio estava cercada por servidores em revolta contra esses dois únicos pontos do programa de Picciani – e de seus apoiadores.

Para leitores de outros Estados, que desconhecem a carreira de Picciani, aconselhamos a começar o conhecimento de suas obras sociais pelo relatório dos fiscais do Ministério do Trabalho sobre sua visita, ocorrida em 24 de junho de 2003, na "Agrovas – Agropecuária Vale do Suiá S/A", uma das fazendas do deputado, em São Félix do Araguaia, Mato Grosso.

Foram descobertos 41 trabalhadores escravos na fazenda, sob "servidão da dívida" (o chamado "barracão", em que trabalhadores, sob as armas de capangas, são forçados a trabalhar, supostamente para pagar dívidas sem fim com o dono do latifúndio).

Relatam os fiscais que os trabalhadores "eram tratados como inferiores, (…), morando em tendas feitas de plástico preto, algumas sem proteção lateral e outras sem nenhuma ventilação. Apesar de trabalharem numa fazenda que tinha milhares de cabeças de boi, a carne era fornecida raramente. Como trabalhavam no meio da floresta, caçavam animais silvestres e pescavam piranhas, comuns na região. Anzóis e varas de pescar constavam da sua lista de débitos, além de lanternas a pilha, já que não havia energia elétrica. Bebiam água de córregos ou ‘grotas’ (buracos feitos no chão, numa espécie de brejo) ou retirada de córregos, nos mesmos locais onde faziam suas necessidades fisiológicas, tomavam banho, lavavam pratos e roupas, comiam em meio ao lixo, não recebiam socorro quando acidentados, apesar de trabalharem em atividade de grave e iminente risco à sua integridade física, além de estarem sujeitos a ataques de animais selvagens e peçonhentos".

Três acidentados, escondidos pelos capangas em meio à mata, sem nenhuma assistência, foram encontrados pelos fiscais. O relatório, assinado pela auditora fiscal do trabalho Marinalva Cardoso Dantas, que chefiava a equipe, são 16 páginas repletas de crimes contra os trabalhadores rurais.

Isso, como dissemos, é apenas uma introdução às obras de Picciani, o candidato apoiado pelo PT nas últimas eleições para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio.

O Estado do Rio de Janeiro é um dos três Estados brasileiros de maior produção industrial, de onde vem 74,5% do petróleo extraído no país – e, também, onde se localiza a cidade mais famosa (muito justamente) do Brasil, e, talvez, da zona tropical do Planeta.

Mas, como sabe o leitor, este Estado encontra-se, no momento, em situação lastimável, mesmo após a prisão de Sérgio Cabral Filho, que, durante oito anos, assaltou pessoalmente o Erário – além de facilitar a vida, mediante propinas que não foram módicas, dos grandes ladrões de todos os lugares.

O sucessor de Cabral, cassado pela Justiça eleitoral por receber propina ("o governo do Rio concedeu benefícios financeiros a empresas como contrapartida a posteriores doações para a campanha do então candidato Pezão e de seu vice. (…) Restou comprovado que contratos administrativos milionários foram celebrados em troca de doação de campanha", disse o TRE), politicamente, é um morto-vivo.

Mas, como outros mortos-vivos, tramou um cambalacho com Meirelles e Temer para sugar sangue do povo - privatizar a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), e tudo o que restou de público, e esmagar os servidores que atendem ao povo, inclusive os da PM e Polícia Civil, pelo rebaixamento dos salários reais, destruição de seus direitos previdenciários, em síntese, pela estupidez geral, em que ladrões se acham no direito de roubar e tirar os direitos dos outros (ver matéria na p. 4).

Esse é Pezão (PMDB), receptáculo das propinas que o operador de Cabral, um certo Bezerra, lhe passava. O nome de Pezão está, mais de uma vez, nas anotações de Bezerra, que foram apreendidas pela Polícia Federal (diz o relatório da PF, aliás, de modo cauteloso, que foram constatados "elementos probatórios que vinculam o governador atual do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Souza [Pezão] no possível esquema de recebimento de propina de um dos operadores financeiros do ex-governador Sérgio Cabral, também preso na operação Calicute").

Pois esse é o elemento, vice de Cabral, que chama de "irretratável e irrevogável" a privatização da CEDAE, uma construção e propriedade do povo, que ele quer queimar para jogar no fundo do rombo em que, com seus colegas de quadrilha, cavou e atirou o Rio de Janeiro. Ou que diz: "O Estado do Rio está se submetendo a fazer um ajuste duro nas suas contas".

O Rio de Janeiro, por sinal, não está se submetendo a nada – as ruas conflagradas dispensam argumentações sobre este ponto. Nem a privatização da Cedae é "irretratável e irrevogável", até porque não foi aprovada. Quem está se submetendo é Pezão, que quer submeter o povo, mas que, em breve, será submetido, sob vara, a outro ajuste – este de caráter judicial.

Pezão, um dilmista renitente, era, também, o favorito de Dilma no Rio ("Estou há muito tempo com o Pezão", declarou ela, em 2014, apesar do PT, nas mesmas eleições, apresentar, oficialmente, candidato a governador fluminense – mas o PT é assim, um partido muito aderente ao faz-de-conta).

Voltando a Picciani, somente para fornecer uma amostra: segundo evidenciou a Operação Lava Jato, ele fez um superfaturamento de vacas (!) para uma negociata com a Carioca Engenharia (cf. depoimento de Tânia Maria Silva Fontenelle, gerente financeira da Carioca Engenharia, confirmado pelo depoimento dos donos da empresa, Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Junior).

O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Júnior - principal executivo do Grupo, após Marcelo Odebrecht – relatou à força-tarefa da Lava Jato que Picciani exigiu e recebeu propina em três campanhas eleitorais consecutivas.

Em troca, Picciani, com Cabral, agiu para entregar à Odebrecht a reforma do Maracanã e a construção da Linha 4 do Metrô carioca – obras onde reinou, segundo auditoria do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), o superfaturamento e o sobrepreço.

Há mais, como as negociatas no fornecimento de pedra britada para as obras fluminenses por parte da Tamoio Mineração – empresa de Picciani.

Na Lava Jato, há repasses, no exterior, realizados pela Odebrecht, através de uma empresa-fantasma, a Turcon Consulting and Engeneering, para empresas de Picciani.

E, agora, Picciani aparece com riqueza de detalhes, nas confissões do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) Jonas Lopes de Carvalho – também no âmbito da Operação Lava Jato.

Esta é a ficha rápida dos sucessores de Cabral, na quadrilha que quer sufocar o povo do Rio, em nome do roubo e da colaboração com os ladrões de Brasília, isto é, do Planalto e do Ministério da Fazenda.

CARLOS LOPES

 

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