Líder dos professores argentinos é ameaçado
de morte

Com dados minuciosos sobre a família do secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores de Educação de Buenos Aires (Suteba), Roberto Baradel, uma nova onda de correios eletrônicos anônimos e não identificáveis ameaçam, de forma curta e grossa, sua vida e a de suas filhas. “Se não parares de sacanear, tua família vai pagar o preço”, diz um dos e-mails que recebeu Baradel, ao que se soma outro, enviado para uma das filhas: “Diga a Baradel que assine a negociação [com o governo] ou se não tu e tuas irmãs estarão mortas”.

As ameaças voltam com força justamente no momento de maior tensão nas “paritárias” – negociações – entre o governo da capital argentina e os docentes. Na prática, “disseram para Baradel que não se portasse bem, sua família ia passar mal”, denunciou a secretária-feral da Confederação dos Trabalhadores da Educação da República Argentina (Ctera), Sonia Alesso.

“O presidente Mauricio Macri e a governadora María Eugenia Vidal têm a obrigação de garantir minha segurança e a de minha família. Me dirijo ao presidente e à governadora para que ajam e façam a mais exaustiva investigação”, destacou Baradel.
"O modelo do governo neoliberal de turno requer uma classe trabalhadora dizimada e dividida a fim de implementar seu maquiavélico plano de destruir todos os direitos conquistados. Por isso reprime, persegue, ameaça, com a clara intenção de frear toda e qualquer oposição. Não irão nos vencer. Um povo organizado e com claras e firmes convicções, sempre logra a vitória", afirma o comunicado da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA), manifestando sua total solidariedade a Baradel e sua família.

“Em primeiro lugar vamos ter que discutir a perda do nível aquisitivo do salário do ano passado, que está entre 8 e 10%. A isso temos que somar o necessário para fazer frente à inflação deste ano, que vai ficar próxima aos 25%. Por isso, a demanda que vamos levar aos docentes será de um piso nunca inferior a 35%”, declarou Baradel. Afinal, explicou o dirigente, “a inflação de 2016 foi de quase 46%. A meta de 17% fixada pelo governo para este ano é fictícia e tem por objetivo baixar os salários dos trabalhadores argentinos”. Mobilizada, enfatizou, a categoria vai demonstrar que não aceita a imposição de um teto salarial tão violentamente arrochado.

Conforme Baradel, na aplicação da cartilha neoliberal contra os docentes, o governo de Buenos Aires conta com o efusivo apoio do presidente Maurício Macri. “O governo nacional quer voltar aos anos 90 em matéria educativa, deixando sem efeito a Paritária Nacional Docente. Esta Paritária está estabelecida por lei e permite que os professores de todo o país possam discutir um piso salarial. O governo não quer ser responsável pela assistência que deve dar aos estados para que paguem este salário”.

Na abertura de negociações, a governadora de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, ofereceu um reajuste de míseros 18% - a ser pago em quatro parcelas! – com uma cláusula de gatilho, que aumenta conforme a inflação, o que foi prontamente rechaçado pela frente dos trabalhadores docentes, já que mantém intocáveis as perdas acumuladas. Diante da negativa e da tentativa do governo de aplicar sua política de arrocho salarial, cresce a possibilidade real de greve. As aulas deveriam ser retomadas no dia 29 de fevereiro, e a greve já está sendo convocada para o dia 6 de março.
 

LEONARDO SEVERO
       


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