Chacina de crianças no Iêmen por ataques sauditas é parte do "trabalho" premiado pela CIA

CIA premia príncipe cúmplice
saudita por ‘combate ao terror’

Como registraram as redes sociais, é como “condecorar o McDonald’s por combate à obesidade”. Do Afeganistão até à Síria, dobradinha Riad-CIA vem armando e financiando terroristas


 

No que as redes sociais compararam a “premiar o McDonalds por combater a obesidade”, o recém empossado diretor da CIA, Mike Pompeo, entregou pessoalmente em Riad ao príncipe herdeiro Mohammed bin Nayef, ministro do Interior e vice-primeiro-ministro da Arábia Saudita, na sexta-feira (10) a medalha George Tenet pelas contribuições do saudita ao “combate ao terror”.

  Como se sabe, e documentos dos serviços secretos americanos já cansaram de registrar, conforme mostrou o WikiLeaks, grande parte do financiamento das organizações terroristas ditas “islâmicas” provém do governo saudita, como visto na Síria e Líbia e não tem parado desde que, no Afeganistão, na década de 1980, esse tipo de “empreendimento conjunto” CIA-feudais sauditas começou, como “Al Qaeda”, aliás, a “base” de mercenários na sua folha de pagamentos. A parceria já tivera outros bons momentos na Bósnia, Kosovo e Chechênia.

Visto de outra forma, ainda mais cínica, a CIA estava premiando o maior comprador individual no último período de armas fabricadas pelo complexo industrial-militar ianque, o regime saudita, que comprou dos EUA US$ 80 bilhões. Armamento usado para massacrar o Iêmen, e ainda contra a Síria, além de servir para ameaçar o Irã (mas inteiramente inútil contra Israel).

Embora não se saiba nos detalhes a gênese do Estado Islâmico, documento do serviço de inteligência do Pentágono (DIA) revelou que era esperado, como consequência da intervenção norte-americana (e de seus fantoches) contra o governo Assad, o surgimento de um “principado salafista” no leste da Síria. Cuja matriz é o reacionarismo de seitas que subsistiram na península arábica como subproduto dos acertos sobre o petróleo do Departamento de Estado/Rockefellers com os feudais sauditas, e cuja metástase engrendrou os variados bandos de takfiris e wahabitas.

O amedalhamento talvez tenha sido uma pequena compensação aos sauditas pela aprovação, no ano passado, de lei no Congresso norte-americano que permite que famílias americanas processem países estrangeiros por terrorismo, apoiada pelas vítimas do 11 de Setembro, legislação que causou enorme consternação em Riad.

Cumpre lembrar que, apesar de quase todos terroristas a quem se atribui a derrubada das Torres Gêmeas em Nova Iorque – e há até uma carteira de identidade intacta de um deles para comprovar -, serem sauditas, na época W. Bush, cuja família sempre teve profícuos negócios com Riad, garantiu salvo conduto aos saudistas que tinham pressa em deixar o país.

Na verdade, um feudal com mais brio nem teria aceito uma medalha “George Tenet” – aquele diretor que dirigiu a CIA entre 1997 (governo Bill Clinton) e 2005 (W.Bush), o que abarca o 11 de Setembro (quem sabe, uma “Allen Dulles”?).

Sobrinho do idoso rei Salman, que assumiu o poder após a morte do rei Abdulah, o príncipe bin Nayef foi pouco depois nomeado príncipe coroado em 2015, em substituição a outro príncipe, Muqrin Abdulaziz, sendo que o filho do rei Salman, Mohammed bin Salman, foi nomeado vice-príncipe coroado, deixando para trás centenas de outros parentes príncipes.

Entre outros atributos, bin Nayef tem estreitos vínculos com Washington, tendo estudado nos EUA; diz-se que o descoroado príncipe Muqrib tinha objeções à invasão do Iêmen. Como Bin Nayef tem 55 anos de idade e não tem filhos, ao que parece o rei Salman achou que não seria empecilho à posterior subida ao trono de seu filho, de 34 anos.

Além de seu peculiar “combate ao terrorismo” enviando bandoleiros, armas e dinheiro para intervir na Síria e outros países, Bin Nayef, nas horas vagas, como ministro do Interior, é responsável por mandar cortar a cabeça de opositores – inclusive menores e religiosos - e perseguir mulheres que ousam dirigir um automóvel.

DEGOLADORES

Em dois anos, Bin Nayef – e Bin Salman – não pouparam esforços para atender a todas as demandas da CIA. Às turbas de degoladores e comedores de fígado na Síria não faltou nada, a ponto de lograrem empurrar um milhão de refugiados desesperados ao Mar Mediterrâneo, em botes, e Europa adentro. 300 mil mortos. No pequeno e miserável Iêmen, aviões sauditas reabastecidos por aviões-cisterna norte-americanos matam e causam fome em massa com mísseis e bombas de fragmentação norte-americanos, tendo escolas, hospitais, funerais e casamentos como alvos prediletos.

Como em todos esses crimes contra a Humanidade, a CIA ocupa o papel decisivo no planejamento, financiamento e execução, em última instância a Agência estava premiando a si própria. A decisão de afagar o ego dos feudais sauditas foi tomada ainda no governo Obama, mas mantida por Cachorro Doido Mattis e Trump, ao que parece para “sinalizar” ao – leia-se chantagear – Irã.

A mídia anunciou que a primeira operação planejada no governo Trump para atacar um navio de guerra iraniano no Mar Arábico, em águas internacionais, supostamente para deter o apoio aos “terroristas houtis” que combatem a invasão saudita, foi abandonada, após alguém mais sensato pouquinha coisa apontar o óbvio: vai feder.

ANTONIO PIMENTA

 

 

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