Corruptos em pânico com Moro põem Moraes no STF

Tudo combinado, a “sabatina” foi apenas para disfarçar a homologação do nome de Xandão

A mal chamada "sabatina" de Alexandre de Moraes, conhecido pela alcunha de "Xandão", que Temer indicou para a vaga do ministro Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF), resvalou rapidamente para o picadeiro – a bem dizer, para a farsa e a palhaçada.

Todos sabiam por que Temer – ele mesmo denunciado, no depoimento do diretor de relações institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, por pedir propina – queria colocar Moraes no Supremo: para abafar a Operação Lava Jato.

Além de Temer, há indícios e provas de que receberam propina contra os seguintes ministros: Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Eliseu Padilha (Casa Civil), Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia e Comunicações), Leonardo Picciani (Esporte), Bruno Araújo (Cidades), Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços) e o demissionário José Serra (Relações Exteriores).

Além disso, há coisas fora – ou além – da Lava Jato, como o misterioso caso de proliferação instantânea do patrimônio de que foi vítima o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Para resumir: alguém acredita que o móvel de Temer, ao nomeá-lo para o STF, foi o saber jurídico do Xandão?

Nem aqueles cavalheiros – e damas – que, logo depois da indicação de Temer, falaram na extraordinária qualificação desse espetacular jurisconsulto. Até para a imbecilidade existe um limite.

LAVA JATO

Já houve presidentes que trataram o STF com a seriedade que ele merece. Não é o caso de Temer – e, se dúvidas houvesse, a nomeação de Moraes as teria dirimido.

Mas a Constituição manda que o Senado aprove – ou não - as indicações do presidente para o STF.

O candidato de Temer foi, então, sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), cujo presidente, Edison Lobão (PMDB/MA), é incurso em três processos da Operação Lava Jato (Inquéritos nº 3986, nº 3977 e nº 3989) e apareceu nos depoimentos do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, recebendo e repassando propinas, dinheiro roubado da Petrobrás, assim como, também, de Belo Monte. Lobão era o ministro das Minas e Energia de Lula e de Dilma. E nem falemos dos 1.200 quadros que a Polícia Federal, recentemente, encontrou em residências de seu filho, Márcio Lobão – que se disse um grande connoisseur da arte moderna...

Se esse é o presidente da CCJ, que sabatinou Xandão, o relator do seu caso nessa comissão foi Eduardo Braga (PMDB/AM), que recebeu propina de 10% sobre o valor de cada obra da Andrade Gutierrez no Amazonas, durante os oito anos em que foi governador daquele Estado, segundo depoimento dos executivos Clóvis Peixoto Primo e Rogério Nora de Sá – os mesmos que revelaram o pagamento de propina ao ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, também do PMDB.

Dos 27 senadores da CCJ, nada menos que 17 estão implicados nos crimes investigados pela Operação Lava Jato.

São eles: Jader Barbalho (PMDB/PA), Renan Calheiros (PMDB/AL), Romero Jucá (PMDB/RR), Edison Lobão (PMDB/MA), Valdir Raupp (PMDB/RO), Fernando Collor (PTC/AL), Gleisi Hoffmann (PT/PR), Benedito de Lira (PP/AL), Eduardo Braga (PMDB/AM), Aécio Neves (PSDB/MG), Antonio Anastasia (PSDB/MG), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP), Acir Gurgacz (PDT/RO), Jorge Viana (PT/AC), Sérgio Petecão (PSD/AC), José Pimentel (PT/CE), Ivo Cassol (PP/RO).

Além disso, apareceram na Operação Lava Jato, embora a Procuradoria Geral tenha decidido não processá-los: Lindbergh Farias (PT/RJ), Humberto Costa (PT/PE) e Cássio Cunha Lima (PSDB). E ainda existem os que não estão na CCJ, mas estão na Lava Jato, como o senador Fernando Bezerra Coelho, um dos mais entusiasmados com Xandão.

Quase não é preciso dizer que essa gente está, literalmente, apavorada com a perspectiva alvissareira de dar com o espinhaço na cadeia. O pesadelo recorrente da maioria é encontrar com o juiz Moro – mais precisamente, olhá-lo do banco dos réus.

Por isso, apegam-se ao foro privilegiado como viciados se apegam ao crack, porque, na verdade, estão apegados ao roubo, estão viciados em roubar.

Talvez com uma e outra exceção – se houver – eles não são diferentes do senador Jucá, líder de Temer, que é a encarnação do célebre Justo Veríssimo, sem pejo de pregar a "suruba" geral, se não for possível uma "suruba selecionada", e o povo que se exploda.

O que inclui, e com destaque, o PT e sua pífia atuação na "sabatina" de Moraes: os senadores Jorge Viana e Humberto Costa viajaram para Israel; a senadora Gleisi declarou-se "impedida", sem explicar por quê – sua condição de ré na Operação Lava Jato não é motivo para isso; o senador Pimentel desandou uma arenga sobre a questão do "extra-teto" na Constituição de 1824 (?!), com elogios à sua colega Kátia Abreu, que deve entender muito da constituição escravagista do Império; fora isso, proferiu maldições ao excesso de partidos e mais outras questões sem importância alguma para a escolha de um ministro do Supremo; por fim, aliás, no começo, o senador Lindbergh fez a pantomina de sempre.

É óbvio que o PT jogou para que Xandão se tornasse ministro do Supremo. Tanto quanto os próceres do PMDB, ou mais, os petistas querem fugir do juiz Moro.

Quanto ao sabatinado, declarou que é a favor da Operação Lava Jato e que é "absolutamente capaz de atuar com absoluta imparcialidade, absoluta neutralidade". Deve ser um caso de absoluta cara de pau.

Também jurou que nunca foi advogado do PCC, embora "não tenho absolutamente nada contra aqueles que exercem a advocacia dentro das normas éticas e legais do Estatuto da OAB em relação a qualquer cliente, inclusive o PCC" porque "a Justiça só pode processar, julgar e, eventualmente, condenar se houver uma defesa, uma defesa técnica", como se o problema fosse esse – e não o fato de que ninguém é obrigado a ser advogado do crime organizado. Se ele foi, é porque escolheu ser - e não porque a Justiça estivesse precisando de um advogado para o PCC. Além disso, não se trata do exercício da advocacia em geral, mas da carreira de alguém que quer ser ministro do STF.

Quanto ao resto de sua explicação, ela também é falsa. Segundo disse, a cooperativa que defendia não era do PCC - "determinado deputado, na sua campanha para a reeleição, pediu emprestada uma das garagens dessa cooperativa (…) absolutamente nada ficou comprovado em relação ao deputado, nada ficou comprovado em relação à Transcooper, que emprestou a garagem".

Resta saber por que o PT expulsou o deputado, exatamente por suas relações com o PCC – ou porque elas se tornaram públicas - e por que a polícia acusou o deputado de lavar dinheiro para o PCC.

Mas o PT, na sabatina, ficou mudo sobre essa questão.

SITES

Por fim, também é falso que sua advocacia para o PCC – 123 processos da cooperativa – tenha sido uma invenção de "oito sites que proliferavam". A matéria sobre esse assunto foi publicada originalmente no jornal "O Estado de S. Paulo", que não desmentiu o que fora publicado – pelo contrário.

Mas, se alguém, na terça-feira, perguntasse a Xandão se ele pretendia se dedicar à proteção da ararajuba da Amazônia ou do cervo do Pantanal, pode acreditar, leitor, ele teria dito que, desde criancinha, sempre achou que essa é a principal função de um ministro do STF...

CARLOS LOPES

 

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