Lula embolsou R$ 23 milhões
da Odebrecht, confirma diretor

Também esclareceu que o codinome “Amigo”
na planilha da propina da empreiteira é Lula 
 

Hilberto Mascarenhas Alves Silva Filho, o executivo que identificou Lula como o "Amigo" ou "Amigo de EO [Emílio Odebrecht]" da lista de propinas da Odebrecht – ao lado de uma anotação de que o "amigo" recebeu R$ 23 milhões – é, precisamente, o sujeito que organizou essa lista.

Foi também Hilberto quem inventou os codinomes para os corruptos que comiam o milho (aliás, os milhões) de suborno da Odebrecht - desde "Angorá" (Moreira Franco), "Polo" (Jacques Wagner), "Índio" (Eunício Oliveira), "Justiça" (Renan Calheiros), "Botafogo" (Rodrigo Maia), "Gremista" (Marco Maia) até "Mineirinho" (Aécio Neves) e "Amigo" ou "Amigo de EO" (Lula).

Por isso, é algo peculiar a nota de Lula sobre o depoimento de Mascarenhas – na última segunda-feira, no Tribunal Superior Eleitoral. Diz ele na nota que "jamais teve o apelido de ‘amigo’. Se alguém eventualmente a ele se referiu dessa forma isso ocorreu sem o seu conhecimento e consentimento".

Ninguém acusou Lula de ter o apelido de "amigo". Nem de ter dado o seu consentimento para que a Odebrecht o chamasse de "amigo" na sua lista de propinas. Era só o que faltava...

A questão é que Lula era um notório lobista da Odebrecht – principalmente, como muitos testemunharam, quando estava com Emílio Odebrecht a tiracolo (ou, talvez, quem estivesse a tiracolo fosse o Lula) – e estava na lista de propinas da Odebrecht, com R$ 23 milhões de embolsamento.

O que foi confirmado pelo próprio Marcelo Odebrecht, em sua confissão (cf. Vera Magalhães, "O amigo é Lula: Marcelo Odebrecht confirmou identidade do ‘amigo’", OESP, 07/03/2017).

Quanto a Hilberto Mascarenhas Silva, ele era um dos excecutivos mais próximos, inclusive pessoalmente, de Marcelo Odebrecht - e, por isso mesmo, chefiava o hoje notório "Departamento de Operações Estruturadas", enfim, o departamento de propinas da Odebrecht (v. matéria nesta página).

Ele também controlava a conta da empresa de fachada "Smith & Nash", no banco suíço PKB, em que a Odebrecht depositou US$ 45,4 milhões (45,4 milhões de dólares) para passar propinas no exterior, inclusive para o esquema do PT que roubava a Petrobrás (há uma carta, na documentação da conta "Smith & Nash", assinada por Mascarenhas, declarando a Odebrecht como responsável por essa conta).

ACARAJÉ

Hilberto Mascarenhas Silva era conhecido como "tio Bel", "Bel Silva" ou "o homem do acarajé" - porque "acarajé" era o nome do dinheiro para propina, na peculiar linguagem interna da Odebrecht (v. PF/PR, Relatório de Análise de Polícia Judiciária Nº 030/2016, p. 2).

Os funcionários da Odebrecht que queriam subornar alguém – diretores da Petrobrás, políticos, etc. – recorriam a Mascarenhas para que ele liberasse o "acarajé". Entre os e-mails apreendidos na Odebrecht, existem alguns que são inolvidáveis:

"Será que dava para trazer uns 50 acarajés dos 500 que eu tenho com você?", pergunta um executivo a Mascarenhas. E acrescenta: "Tem alguma baiana de confiança, aqui?".

"Onde você quiser, entre SP e Rio, sem problemas. Avise com 48 horas de antecedência", responde Hilberto.

"Gratíssimo, tio Bel!", replica o executivo.

Em outro e-mail, o interlocutor avisa: "OK programado. Seus acarajés chegaram quentinhos".

Portanto, se há alguém categorizado a dizer quem recebia, e quem não recebia, propina da Odebrecht, é o homem do acarajé. Pelo menos a maior parte – pois a propina era tão... estrutural, na administração do sr. Marcelo Odebrecht, que é capaz de ninguém saber de todas. Deve ser por isso que as colaborações "premiadas" da Odebrecht abarcaram 76 funcionários, além do próprio chefe deles.

Mas o depoimento de Hilberto Mascarenhas – assim como o de Marcelo Odebrecht – sobre Lula, confirmam o que é lógico. Há certas coisas que não se podem esconder nem com uma folha de parreira – aliás, nem com uma folha de bananeira.

Alguém acredita que, cercado por ladrões, sendo o centro e o beneficiário final de um esquema para roubar a Petrobrás, e outras propriedades do povo, Lula era alguma flor do lodo?

Evidentemente, ninguém, exceto os débeis mentais (e, mesmo assim, só alguns), pode crer que Lula tirou Palocci da rua da amargura, depois deste cair por ter instalado um bordel de corruptos em Brasília e uma quadrilha em Ribeirão Preto – e quase ter levado junto o governo, com sua política de servilismo extremo aos bancos - porque achava que o sujeito era um gênio econômico.

OPERADORES

Por que Palocci recebia tanta propina, mesmo fora do governo? Que poder tinha essa mediocridade, que não fosse o de seu protetor, isto é, Lula? Sem poder e sem capacidade, para quem Palocci recebia esse dinheiro? Só para si? Nem que ele fosse mágico, pois nenhum dos seus pagadores é idiota de subornar quem não tem nada a oferecer em troca. Mas havia quem tivesse a oferecer em troca – e não era Palocci.

O mesmo pode ser dito de Mantega – um incompetente vocacional. Por que, após a segunda queda de Palocci - que tornou-o inviável como operador - aparece Mantega, por fora do esquema em que cintilava o sr. Vaccari, pedindo dinheiro a Eike Batista, Marcelo Odebrecht e outros campeões nacionais da delinquência corporativa? Para quem era esse dinheiro? Para o próprio Mantega, apenas?

Assim, o apartamento em Guarujá e o sítio em Atibaia são os sinais – a chamada ponta do iceberg – de alguma coisa mais extensa, maior, mais corrupta.

Algo que era visível até por operações supostamente via caixa 1. Por exemplo:

1) Os maiores doadores do Instituto Lula, de 2011 a 2014 foram a Odebrecht, a Camargo Corrêa, a Queiroz Galvão, a OAS e a Andrade Gutierrez.

2) Os maiores contribuintes da LILS (a empresa pela qual Lula recebia dinheiro por palestras), no mesmo período, foram a Odebrecht, a Andrade Gutierrez, a Camargo Corrêa, a Queiroz Galvão e a OAS.

Essas empresas deviam estar muito interessadas no desenvolvimento da ideologia lulista – afinal, ela consiste em dar dinheiro a elas, sob um certo pedágio – e nas brilhantes colocações do fundador dessa escola de pensamento.

Tanto assim que a Odebrecht pagou R$ 359.281,44 por uma palestra de Lula na Venezuela; R$ 372.935,54 por uma palestra de Lula na República Dominicana; R$ 400.000,00 por uma palestra no Peru; R$ 487.250,87 por uma palestra em Portugal; R$ 479.041,92 por uma palestra em Cuba; e R$ 479.041,42 por uma palestra em Angola (a relação das notas fiscais está no Pedido de busca e apreensão da Procuradoria da República do Paraná, 20/02/2016).

A Odebrecht pagou a Lula por oito palestras; a Camargo Correa pagou a Lula por cinco palestras; a Andrade Gutierrez, também por cinco; a OAS, igualmente, por cinco; a Queiroz Galvão, por três; a UTC, por uma; e a Cervejaria Petrópolis, por onde a Odebrecht passava parte da propina, por três.

Em suma, o bando que assaltava a Petrobrás pagou a Lula por 30 palestras, sobre temas fascinantes (tipo: "Oportunidades de Investimento", coisa que seu público sabia melhor que ele).

Algumas pessoas disseram que Lula não fez essas palestras. É um equívoco. O pior é que ele as fez.

Difícil é acreditar que seu preço não fosse pagamento de propina – e lavagem.

C.L.

 

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Lula embolsou R$ 23 milhões da Odebrecht, confirma diretor

Setor de propina da Odebrecht movimentou R$ 10 bilhões ilícitos nos anos de 2006 a 2014

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