Guatemaltecos exigem renúncia de Jimmy Morales após a
morte de 40 meninas asfixiadas

Cresce na Guatemala a pressão pela renúncia do presidente Jimmy Morales, acusado pelo assassinato de mais de 40 meninas de 12 a 17 anos no “Lugar Seguro Virgem de Assunção”, em pleno 8 de março. Outras dezenas de vítimas do incêndio no abrigo da Secretaria do Bem Estar Social da Presidência continuam recebendo assistência hospitalar, algumas em estado grave.

Tudo iniciou quando 60 meninas que foram encerradas em um minúsculo quarto de 4 x 4 m² com as janelas presas, como castigo de 19 menores no dia anterior. Desesperadas, elas colocaram fogo nos colchões. Em vez de abrir a porta, a administração determinou que fosse mantida trancada. Após o “crime de Estado”, o secretário do “bem estar” renunciou.

Localizado no município de São José Pinula, próximo à Cidade da Guatemala, o abrigo está rodeado por bosques e barrancos que passaram a esconder estupros e os mais abomináveis abusos físicos e psicológicos. Muitas das meninas viviam com seus filhos, resultado da abjeta agressão de funcionários da “instituição”. Embora comportasse 500 crianças e adolescentes, oficialmente sobreviviam no local 775, em condições extremamente degradantes.

Uma vizinha viu quando as jovens tentavam se defender dos policiais e dos “professores”, atirando pedras enquanto gritavam: “Nos estuprem agora, diante de todos. Venham se é isso que querem novamente”. Emocionada, a senhora relatou que “esta foi uma rebelião das meninas, pois qualquer um que vive aqui sabe que isso é um inferno”.

Com o lema “Foi o Estado” e erguendo cartazes com crianças chorando lágrimas de sangue, uma multidão se concentrou em frente à Casa Presidencial para defender a saída de Jimmy Morales. Exigindo justiça, as manifestantes reiteraram que “mulheres e crianças não são lixo” e entoaram palavras de ordem como: “Onde está o presidente? Matando meninas”.

Manifestações de solidariedade às famílias das crianças e adolescentes assassinadas chegaram de todos os cantos do planeta, desde o Papa Francisco até o presidente russo, Vladimir Putin, que reiteraram preocupação com o triste episódio.

Quatro meses antes uma reportagem já havia demonstrado que “inferno” não era uma figura de linguagem, e que estudantes de 12 anos eram obrigadas a andar nuas e a fazer sexo oral no seu “educador”. Nenhuma delas, de acordo com o apurado pela própria Promotoria, conseguiu sair sem sofrer abuso sexual. Um dos funcionários chegou a estuprar uma menina doente mental.

No dia do incêndio, a imprensa foi obrigada a manter distância, enquanto as “forças da ordem” faziam a “higienização” do local. As únicas imagens que vieram a público foram tiradas por um repórter que conseguiu entrar dentro de uma ambulância, capturando o horror de corpos cheios de cinza, amontoados uns sob os outros. “Em preto e branco poderíamos confundir com Auschwitz, um crime de lesa-humanidade”, sintetizaram os jornalistas Gabriel Woltke e Martín Rodríguez Pellece.
 

LEONARDO SEVERO


 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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