Marcos Corrêa/PR

Mais de 70% da proposta original da reforma está mantida, diz Meirelles

“Recuo” é falácia para destruir a Previdência dos brasileiros

Propineiros acenam com falsas mudanças para aprovar o achaque às aposentadorias

Diante da crescente resistência dos mais amplos setores da sociedade ao ataque à Previdência Social, incluindo a OAB, CNBB, Centrais Sindicais, CMB, ANFIP, COBAP e entidades sindicais dos mais variados setores, públicos e privados, e da própria base do governo, Temer “acena” com mudanças na PEC 287 que não passam de disfarces e manobras para conseguir aprovar a destruição da Previdência Pública em prol da previdência privada e do sistema financeiro, sob os auspícios do banqueiro Henrique Meirelles.

As mudanças que Temer alardeia não mudam a essência de sua intenção nefasta, que é basicamente dificultar o acesso à Previdência Pública para quebrá-la e abrir espaço para os bancos privados e fundos especulativos. Com a “reforma”, eles pretendem dificultar ao máximo o acesso dos trabalhadores à aposentadoria pública. Queriam que o trabalhador só se aposentasse depois de mortos. Agora, acenam recuar recuar, mas ainda mantém inaceitáveis obstáculos para que o trabalhador se aposente.   

Com a aposentadoria jogada para as calendas gregas, os trabalhadores passariam a ver como única saída, a aposentadoria privada. Esse é o plano deles. Esse é o caminho da destruição da Previdência Social. Para reforçar isso, eles desmontam a CLT, aprovam a terceirização e acabam com os vínculos empregatícios. Sem vínculos, o trabalhador não contribui para a Previdência Pública. Sem as contribuições, eles conseguem destruí-la aumentando os rombos e viabilizando as arapucas da previdência privada.

PROPOSTA INDECENTE

Os trabalhadores não vão cair nessa cilada e cresce a preparação da greve geral contra o ataque à Previdência. O senador Paulo Paim (PT-RS) denunciou as manobras de Temer, em entrevista à TV Senado. “O governo apresentou um verdadeiro cavalo de tróia que é destruir a Previdência, aqui no Congresso e para a sociedade, mas a sociedade se mobilizou, continua mobilizada”, disse. Segundo Paim, “o governo dá sinais de que vai diminuir na idade mínima, no tempo de contribuição, na questão da Loas. Na questão da aposentadoria mesmo, ele ainda está vacilando entre 35 e 40 anos, mas não sinalizou nada em relação às mulheres, não está claro em relação aos trabalhadores rurais e mesmo no BPC (Benefício de Prestação Continuada), ele também não definiu com clareza o que vai acontecer. Ele queria elevar, invés de 65 diretamente para 70 anos e desvincular todos os benefícios da Loas, no caso do salário mínimo”.

“A nossa posição continua firme em dizer não à reforma da Previdência e não à reforma trabalhista. O certo seria ele recuar. Retirar essa proposta e nós começarmos um novo debate sobre patamares mais equilibrados e decentes. Porque essa proposta deles, eles sabem que é uma proposta indecente”, afirmou Paim.

Às vésperas da leitura do relatório da PEC 287, que trata da destruição da Previdência Social pública, na Câmara dos Deputados, Michel Temer declarou, em entrevista ao SBT Brasil, no sábado (17), que a reforma da Previdência “é uma necessidade indispensável” e que “não vamos deixar que uma delação qualquer paralise o país. O Brasil precisa de reformas”, disse.

A “delação qualquer” a que se refere Temer é a denúncia de que a reunião que selou a propina de 40 milhões de dólares para o PMDB foi realizada no escritório político dele em São Paulo, e com Temer sentado à cabeceira. A denúncia foi feita por Marcelo Odebrecht em seu depoimento na Lava Jato que relatou desvio de recursos públicos, via propina, para ministros, deputados, senadores, presidentes da Câmara, do Senado e ex-presidentes, entre outros afins, do PMDB, PT, PSDB e satélites.

O depoimento de membros da Odebrecht se seguiram à divulgação da lista do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), abrindo inquéritos para investigar 108 políticos com foro privilegiado – do PMDB, PT, PSDB, PP, Dem e outros partidos – incluindo o presidente do Senado, o presidente da Câmara, nove ministros, 29 senadores, 42 deputados e três governadores.

Não é uma delação qualquer. Foram até agora, cerca de 10 bilhões de reais em propinas, segundo executivos da Odebrecht, desviados dos cofres públicos para os bolsos da quadrilha que se instalou no governo.

Entre os acusados está o deputado federal Arthur Maia (PPS/BA), relator da emenda da PEC 287. Ele vai ser investigado por ter recebido R$ 200 mil por meio de caixa dois para sua campanha a deputado em 2010. Apelidado de Tuca na planilha da empresa, Maia foi citado por dois dos 78 delatores da Odebrecht: Cláudio Melo Filho e José de Carvalho Filho. A pena prevista é de até cinco anos e multa. É esse ladrão que está fazendo o relatório contra a Previdência.

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), é outro salafrário que persegue as aposentadorias. Ele preside a comissão especial da reforma na Previdência na Câmara. Foi um dos principais aliados do deputado cassado e preso Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e chegou a integrar o grupo conhecido como a “tropa de choque” de Cunha.

Em suma, uma verdadeira quadrilha de ladrões está tentando roubar os recursos da Previdência. Antes de votar a retirada de direitos, eles têm que ser julgados por seus crimes. A greve do dia 28 de abril será a resposta dos trabalhadores às tentativas de retirada de seus direitos e às manobras de Temer e seus cúmplices.

ELIANA REIS 
 


 


Capa
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Temer mentiu: agendou reunião da propina com grupo Odebrecht

Reforma política dos ladrões é para manter o roubo

Cunha distribuiu R$ 50 milhões da Odebrecht para Jucá, Chinaglia, Mabel e outros aliados

Para Gleisi, não é o roubo mas a Lava Jato o perigo

Referências eram “sítio de Lula”, diz Odebrecht

Juiz Sérgio Moro aceita as 87 testemunhas desde que seja com a presença de Lula

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Presos palestinos iniciam greve de fome contra prisões da ocupação

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