Reforma política dos ladrões é para manter o roubo

Duas coisas ficaram bastante evidentes no escândalo das propinas, revelado pelos executivos da Odebrecht. A primeira é a desfaçatez com que os monopólios subornam e corrompem a tudo e a todos para obter seus contratos superfaturados e bilionariamente infindáveis. A velha concorrência, onde vencia o melhor, o mais eficiente e o mais barato, foi enterrada a sete palmos pelos bandidos. Ganhou quem corrompeu mais. E a repartição das verbas públicas deixou o Estado para ser feita dentro do cartel, sob o comando de Emílio e Marcelo, hoje colaboradores da Lava Jato.

A segunda é que os partidos envolvidos no esquema apodreceram, tornaram-se organizações criminosas e não podem mais continuar existindo. Os quatro principais, PT, PMDB, PSDB e PP viraram bonecos nas mãos do cartel, agiam de acordo com os interesses de quem mais os abastecia de propinas bilionárias e não podem sair impunes depois de promoverem esse verdadeiro rapa nos cofres públicos. Não é, portanto, razoável que se discuta reforma política no Brasil sem se debruçar sobre a punião rigorosa a esse bando de assaltantes. Discutir mudanças de regras nas eleições sem entrar nesse assunto, da cassação de registros de partidos ladrões, é pura tergiversação.

Neste sentido, é bem vinda a decisão do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba de iniciar a punição do Partido Progressista (PP) e seus principais líderes, pedindo ressarcimento e multas que totalizam 2,3 bilhões de reais, por conta do envolvimento nos esquemas de corrupção da Petrobras. O juiz Friedmann Wendpap, da 1ª Vara Federal de Curitiba, decretou o bloqueio de R$ 9, 8 milhões do Partido Progressista (PP). Mas, convenhamos, dos quatro, o PP é o que menos roubou. Portanto, se ele está sendo punido pela Justiça pelo mesmo crime, nada mais justo que os demais partidos, mais degenerados ainda, sejam também punidos de forma ainda mais rigorosa.

O tesoureiro da campanha do PT em 2006, José de Filippi Junior, segundo Hilberto Mascarenhas, nem esperava a propina chegar. "O cara estava tão ávido pelo dinheiro que antes do dinheiro chegar, ele já ia buscar", revelou. Temer acertou 40 milhões de dólares de propina em reunião realizada em seu escritório em São Paulo, detalhou Marcio Faria, executivo da Odebrecht. O encontro teve a participação de Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, ambos do PMDB (ver matéria ao lado).

José Serra, do PSDB, recebeu sua propina no exterior, através de seu comparsa, o famoso Paulo Preto, contou o ex-executivo da empreiteira Luiz Eduardo Soares. E Aécio recebeu depósitos em conta em Nova York, operada por sua irmã e braço direito, a jornalista Andrea Neves, segundo depoimento de Benedito Júnior.

Não escapou nem o "Santo", codinome de Geraldo Alckmin na planilha secreta da Odebrecht. A empreiteira realizou pagamento de caixa dois, em dinheiro vivo, para as campanhas de 2010 e 2014 do tucano. Segundo Carlos Armando Paschoal, o CAP, diretor da Odebrecht em São Paulo, R$ 2 milhões em espécie foram repassados ao empresário Adhemar Ribeiro, irmão da primeira-dama, Lu Alckmin. A entrega do recurso, de acordo com os termos da delação, ocorreu no escritório de Ribeiro, na capital paulista. Ou seja, todos os chamados "grandes partidos" nadaram em propina e roubaram a rodo para eleger seus representantes e dirigentes.

Por isso a verdadeira reforma política que o país precisa neste momento não é a que cria cláusulas de barreiras para os novos partidos ou muda algumas regras aqui e acolá nas próximas eleições, como querem alguns, mas sim a que venha punir rigorosamente esses valhacoutos de bandidos em que se transformaram os velhos partidos da ordem.

SÉRGIO CRUZ

 
 
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