"Se houvesse sarin neste local, todos estariam mortos", afirma Postol

Professor do MIT denuncia: laudo de
Trump sobre sarin na Síria “é falso”

Especialista em tecnologia e segurança nacional, Theodore
 Postol concluiu, após exame dos dados do relatório do
governo, que o suposto dispositivo não foi lançado de
avião e sim colocado no local

O professor Theodore Postol, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), após análise do documento do governo Trump de sustentação da acusação de ‘ataque com sarin em Khan Sheikhun de Assad’ e das fotos divulgadas em anexo, afirmou que o relatório da Casa Branca “é obviamente falso”. Professor emérito de tecnologia e segurança nacional, Postol já havia, anteriormente, examinado o ataque de Goutha de 2013, mostrando que se tratava de dispositivo de fabricação caseira e não do arsenal sírio.

No dia 11, a Casa Branca havia divulgado um relatório com fotos e mapas, que dizia “provar” que o governo Assad teria feito um ataque aéreo com gás sarin, que matou 80 pessoas no dia 4 de abril. A principal evidência apresentada de que se tratava de um ataque intencional – e não um vazamento acidental ao atingir um depósito de armas dos terroristas que continha o gás, como declarara a Rússia – era uma cratera em uma estrada na região, em que aparecia um dispositivo cilíndrico e arrebentado no topo.

“A nenhum especialista competente escaparia o fato de que o tubo de alegado sarin foi forçosamente rebentado desde o topo, ao invés de explodido por uma munição dentro dele”, afirmou. A conclusão mais plausível, destacou, é que o gás “foi dispensado por um dispositivo de dispersão improvisado a partir de um tubo de morteiro de 122 mm de secção e tampado em ambos os lados”.

A conclusão de Postol, após observar o local da cratera, via Google Earth, e as fotos divulgadas pela Casa Branca, foi de que não poderia ser um ataque aéreo, já que o dispositivo não explodira em consequência de detonador interno, como numa bomba de fabricação militar despejada desde um avião, mas por causa de um detonador que fora colocado no topo, ou seja, um dispositivo improvisado. A conseqüência é que a suposta ‘bomba de sarin’ havia sido depositada por alguém sobre o solo e não despejada de avião.

A questão mais escandalosa é a fotografia de vários homens inspecionando o local, com roupas comuns e no máximo uma máscara para evitar perdigotos e luvas dessas de plástico [integrantes dos White Helmets]. Ao fundo, mas bem próximo, é possível ver um transeunte, numa moto e de chinelo.

“Se houvesse algum sarin presente neste local, quando esta fotografia foi tirada, todos na fotografia teriam recebido uma dose letal ou debilitante de sarin”, afirmou o especialista. “O fato de que essas pessoas estavam vestidas tão inadequadamente ou sugere uma completa ignorância das medidas básicas necessárias para proteger um indivíduo de envenenamento por sarin, ou que eles sabiam que o local não estava seriamente contaminado”.

Na análise das fotos, feitas por Postol, ele também demonstrou que o local sofreu adulteração, contrariando afirmação explícita do relatório da Casa Branca. Enquanto uma foto mostra o recipiente meio enterrado na cratera, em outras está desenterrado e reposicionado. A alegação da Casa Branca era “totalmente injustificada”, acrescentou, “e nenhum analista de inteligência competente teria concordado que essa suposição era válida”.

Ainda segundo o professor do MIT, a veracidade das recentes alegações do governo norte-americanos sobre “interceptação de comunicações” que supostamente proveriam com alta confiança que o governo sírio fosse a fonte do ataque “não é diferente da agora verificada falsa alegação de que havia evidência incontestável de lançamento de sarin na citada cratera”.

GOUTHA 2

Postol afirmou que suas conclusões eram “perturbadoras”, por indicarem que o relatório da Casa Branca era destinado unicamente a justificar ações “que não eram apoiadas por qualquer [dado] de inteligência”. Ele relembrou que W. Bush argumentara, após o desastre no Iraque, ter sido “mal informado” sobre a existência no Iraque de armas de destruição em massa. Invasão que “levou à desintegração política do Oriente Médio e à ascensão do Estado Islâmico”. O professor do MIT também registrou que, de novo, em 30 de agosto de 2013 [Goutha], a Casa Branca produziu um “similarmente falso relatório sobre ataque com agente de nervos em 21 de agosto” e só posteriormente Obama em entrevista a The Atlantic disse ter sido informado de “que a inteligência não era sólida”.

“É agora óbvio que um segundo incidente similar ao que aconteceu no governo Obama acaba de ocorrer no governo Trump”, afirmou Postol, acrescentando que, desta vez, a decisão foi de lançar 59 mísseis de cruzeiro, “com o sério risco de criar uma confrontação com a Rússia e também minando esforços de cooperação para vencer a guerra contra o Estado Islâmico”. “Anteriormente a estes inexplicáveis relatórios de inteligência falsos, nós tivemos o episódio do governo Bush que nos levou a tomar decisões com as quais ainda estamos tendo de lidar hoje”, advertiu, cobrando uma “ampla investigação” desses eventos que “ou enganaram gente na Casa Branca, ou, pior, foram perpetrados por gente buscando forçar decisões que não eram justificadas pela citada inteligência”.

 


ANTONIO PIMENTA
                                                           


 

 

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