"Que
povo
não
se
orgulharia
de
possuir
na
raça
tais
leões?"
1.
Às
Portas
da
Revolução
Domingo,
2
de
julho
de
1922.
O
decreto
de
fechamento
do
Clube
Militar,
anunciado
pelo
governo,
é
debatido
em
Assembléia
dirigida
pelo
marechal
Hermes
da
Fonseca,
presidente
do
Clube.
Presentes
cerca
de
600
oficiais,
em
clima
de
grande
agitação.
Contra
o
tenente
Gwyer
de
Azevedo,
que
discursa
na
tribuna,
disparam
apartes
o
major
Euclides
Figueiredo,
o
coronel
Tertuliano
Potiguara,
os
generais
Setembrino
de
Carvalho,
Napoleão
Felipe
Aché,
Carneiro
de
Fontoura,
membros
da
cúpula
militar
comprometida
com
a
velha
ordem
que
começava
a
desmoronar.
O
relato
do
episódio,
firmado
pelo
próprio
tenente
Gwyer
de
Azevedo,
é
representativo
da
tensão
que
marcava
a
época.
Oito
anos
e
três
meses
mais
tarde,
a
oligarquia
cafeeira
seria
derrubada
do
poder
pela
Revolução
de
1930.
Tenente
Gwyer:
...
Os
jornais
noticiam
que
o
senhor
Presidente
da
República
...vai
mandar
seus
agentes
fecharem
amanhã
o
Clube
Militar,
baseado
numa
lei
proíbe
as
sociedades
de
anarquistas,
de
cáftens
e
de
exploradores
do
lenocínio...
Major
Euclides
Figueiredo:
O
senhor
Presidente
da
República
tem
toda
a
razão.
Tenente
Gwyer:
Vossa
Excelência
concorda
que
o
presidente
feche
o
Clube
Militar
baseado
naquela
lei?
Major
Euclides
Figueiredo:
Concordo.
Tenente
Gwyer:
Então
Vossa
Excelência
é
cáften?
É
explorador
do
lenocínio?
Queira
desculpar
porque,
francamente,
eu
não
sabia.
Marechal
Hermes:
O
senhor
tenente
Gwyer
precisa
modificar
a
sua
linguagem...
Tenente
Gwyer:
...
O
que
revolta
é
oficiais
emprestarem
seus
galões
a
um
bandido,
...
deixando-o
cavalgar
livremente
o
Exército
e
fechar
o
Clube
Militar
de
maneira
infame,
injuriosa
e
opressora.
Coronel
Tertuliano
Potiguara:
Vossa
Excelência
se
atreve
a
chamar
o
senhor
presidente
da
República
de
bandido?
Tenente
Gwyer:
Ele
não
é
somente
bandido,
é
ladrão
também,
está
provado...
Capitão
Teopon
Vasconcelos:
Vossa
Excelência
é
indigno
de
vestir
a
farda
do
Exército.
Não
agrida
seus
superiores!
Tenente
Gwyer:
Eu
falei
com
o
coronel
Potiguara,
e
não
com
o
seu
ordenança...
Capitão
Teopon
Vasconcelos:
Vou
lhe
mostrar
quem
é
o
ordenança,
seu
cachorro...
Marechal
Hermes:
Se
os
senhores
oficiais
continuarem
nessa
linguagem,
serei
obrigado
a
suspender
a
sessão.
Todos
nós
somos
do
Exército,
e
o
que
está
se
passando
aqui
depõe
contra
nossa
cultura
e
nossa
educação.
Continua
com
a
palavra
o
Tenente
Gwyer
de
Azevedo.
Tenente
Gwyer:
A
observação
do
senhor
presidente
atinge
aqueles
que
me
obrigam
a
responder
com
violência
aos
apartes
violentos
e
indelicados...
Coronel
Potiguara:
Vossa
Excelência
é
um
cretino.
Tenente
Gwyer:
Cretino
é
Vossa
Excelência.
Não
estamos
no
Contestado,
onde
Vossa
Excelência
mandava
fuzilar
a
torto
e
a
direito...
General
Setembrino
de
Carvalho:
Fosse
eu
presidente
do
Clube,
esse
oficial
não
continuaria
a
falar.
Tenente
Gwyer:
...
Como
poderia
ser
presidente
deste
Clube
um
oficial-general
que
na
campanha
do
Contestado
roubou
da
nação
dois
mil
e
seiscentos
contos,
assinando
recibos
fantásticos
de
víveres
e
deixando
os
soldados
morrerem
de
fome?
Coronel
Potiguara:
Vossa
Excelência
é
um
caluniador:
Tenente
Gwyer:
Vossa
Excelência
toma
as
dores
porque
mandou
encher
de
palha
os
15
vagões
que
deveriam
levar
roupas
para
os
soldados
no
Contestado,
remeteu
30
volumes
de
pedras
no
lugar
de
30
volumes
de
granadas
...
fluidificou
20
mil
pares
de
botas
de
montaria
que
nunca
foram
vistas,
em
ponto
algum
do
planeta,
a
não
ser
nas
algibeiras
de
Vossa
Excelência,
vastas
como
o
oceano...
General
Napoleão
Felipe:
Torna-se
necessária
uma
reação
da
nossa
parte,
porque
esse
oficial
está
nos
enxovalhando.
Tenente
Gwyer:
Vossa
Excelência
também
tem
rabo
de
palha..
General
Napoleão
Felipe:
Aponte
uma
irregularidade
minha.
Tenente
Gwyer:
Vossa
Excelência,
na
França,
requisitou
dinheiro
do
Tesouro
Nacional
para
pagar
dívidas
contraídas
em
conseqüência
de
jogo
e
libertinagem...
Isso
está
no
relatório
do
embaixador
do
Brasil
enviado
ao
Ministério
do
Exterior.
General
Napoleão
Felipe:
Mas
esse
embaixador
é
um
canalha...
Tenente
Gwyer:
Não
sou
o
culpado.
Entenda-se
com
o
senhor
embaixados.
Marechal
Hermes:
Não
posso
aceitar
os
termos
em
que
o
senhor
está
se
expressando...
Tenente
Gwyer:
Senhor
presidente...
Estamos
às
portas
da
revolução!
2.
A
República
do
Café
Em
1894,
com
a
ascensão
de
Prudente
de
Moraes
à
presidência,
a
oligarquia
cafeeira
paulista
assumira
o
controle
da
República.
A
produção
do
café
viera
se
expandindo
continuamente,
desde
1830.
A
partir
de
1870,
com
a
marcha
para
o
Oeste
paulista
e
a
introdução
da
mão
de
obra
assalariada,
esse
crescimento
foi
fortemente
acelerado.
Porém,
no
final
do
século,
grandes
dificuldades
despontaram
no
horizonte.
Em
1893,
a
saca
de
café
no
mercado
internacional
estava
cotada
a
4,90
libras.
Em
1899,
o
preço
caíra
para
1,48
libras
-
uma
queda
de
70%
em
seis
anos.
Sob
comando
dos
cafeicultores,
a
resposta
do
governo
era
a
desvalorização
cambial.
A
oligarquia
cafeeira
recebia
menos
libras
por
cada
saca
de
café.
Mas
compensava
a
perda
no
momento
em
que
trocava
as
libras
valorizadas
pelos
mil-réis
desvalorizados.
Do
outro
lado
da
moeda,
o
preço,
em
mil-réis,
dos
produtos
importados
se
elevava.
Como
a
oligarquia
não
queria
nem
ouvir
falar
em
política
de
industrialização,
o
país
seguia
importando
quase
tudo
o
que
consumia.
Portanto,
quem
acabava
pagando
a
conta
da
política
de
manutenção
dos
lucros
do
café
através
da
desvalorização
cambial
era
o
povo,
assolado
por
uma
inclemente
carestia.
Em
1901,
a
produção
nacional
de
café
atingiu
16,3
milhões
de
sacas,
enquanto
o
consumo
mundial
era
de
apenas
15
milhões.
O
problema
tornava-se
mais
grave.
Em
1906,
uma
nova
política
foi
inaugurada,
através
do
Convênio
de
Taubaté.
O
governo
paulista
-
secundariamente
os
de
Minas
e
Rio
-,
com
o
aval
do
governo
federal,
contrairia
empréstimos
junto
aos
bancos
ingleses
e
norte-americanos
para
comprar
e
estocar
café,
de
modo
a
que
a
oferta
excessiva
do
produto
não
acarretasse
a
redução
dos
preços.
O
resultado
era
previsível:
estoques
invendáveis
se
acumulariam
e
os
bancos
não
abririam
mão
de
receber
seus
empréstimos.
Para
atendê-los
o
governo
acabaria
promovendo
a
socialização
dos
prejuízos,
drenando
os
recursos
do
conjunto
da
sociedade.
Batizada
de
política
de
valorização
do
café,
esse
expediente
arquitetado
para
garantir
lucros
à
oligarquia
cafeeira
e
ao
sistema
financeiro
internacional,
às
custas
da
expropriação
de
todos
os
demais
setores
da
sociedade,
perdurou
até
a
Revolução
de
1930,
convivendo,
inclusive,
em
vários
períodos
com
a
desvalorização
cambial.
Tal
situação
se
refletiria
diretamente
sobre
o
sistema
político.
Na
impossibilidade
de
mantê-la
através
de
regras
minimamente
democráticas,
seus
beneficiários
transformaram
o
processo
eleitoral
num
grosseiro
cambalacho.
Além
do
voto
a
bico
de
pena
-
aberto
e
não
secreto
-
que
propiciava
toda
a
sorte
de
pressões,
intimidação
e
encabrestamento
dos
eleitores,
o
sistema
de
apuração
alterava
escandalosamente
o
veredicto
das
urnas.
A
designação
de
todos
os
componentes
das
mesas
eleitorais
era
de
responsabilidade
exclusiva
dos
presidentes
das
casa
legislativas.
Depois
de
colhidos
e
contados,
os
votos
eram
incinerados.
Sobravam
as
atas,
cuja
validação
e
totalização
também
estavam
sob
estrito
controle
dos
presidentes
dos
legislativos.
Quando
isso
não
se
mostrava
suficiente
para
alijar
os
candidatos
oposicionistas,
as
comissões
de
verificação
de
poderes
das
Assembléias
Estaduais
e
da
Câmara
Federal,
nomeadas
pelo
mesmo
critério,
se
encarregavam
da
degola:
termo
pelo
qual
celebrizou-se
o
ato
de
transformar
candidatos
derrotados
em
vencedores
e
vice-versa.
Tal
sistema
eleitoral,
fraudulento
até
a
medula,
garantia
às
elites
estaduais
o
controle
sobre
sua
província
e
à
oligarquia
paulista,
coadjuvada
pela
mineira,
o
controle
sobre
a
máquina
federal.
Só
uma
única
vez,
em
1910,
uma
cisão
entre
paulistas
e
mineiros
produziu
a
brecha
que
levou
à
presidência
da
República
um
candidato
fora
do
eixo
café-com-leite,
o
marechal
Hermes
da
Fonseca.
3.
As
Eleições
de
1922
A
pressão
que
a
oligarquia
cafeeira
mantinha
sobre
a
sociedade
acabaria
explodindo
nas
eleições
presidenciais
de
1º
de
março
de
1922.
Os
estados
do
Rio
de
Janeiro,
Rio
Grande
do
Sul
e
Bahia
lançariam
Nilo
Peçanha,
contra
o
candidato
oficial
Artur
Bernardes
-
a
quem
a
voz
do
povo,
revelando
notável
antipatia,
logo
carimbaria
com
os
apelidos
de
Seu
Mé
e
Rolinha.
O
Clube
Militar,
presidido
pelo
marechal
Hermes,
coloca-se
frontalmente
contra
a
candidatura
situacionista.
Empurrado
para
um
papel
cada
vez
mais
subalterno,
desprestigiado
pelos
baixos
soldos,
mas
cioso
do
papel
preponderante
que
desempenhara
na
Abolição
e
na
constituição
da
República,
o
Exército
via
com
olhos
cada
vez
mais
críticos
o
rumo
tomado
pelo
país.
A
gota
d'
água
viria
no
dia
9
de
outubro
de
1921.
O
jornal
carioca
Correio
da
Manhã
publica
em
primeira
página
uma
carta
de
Bernardes
dirigida
a
seu
principal
colaborador,
o
senador
Raul
Soares,
lavrada
nos
seguintes
termos:
"Estou
informado
do
ridículo
e
acintoso
banquete
dado
pelo
Hermes,
esse
sargentão
sem
compostura,
aos
seus
apaniguados,
e
de
tudo
que
nessa
orgia
se
passou...
esse
canalha
precisa
de
uma
reprimenda
para
entrar
na
disciplina.
Veja
se
o
Epitácio
mostra
agora
sua
apregoada
energia,
punindo
severamente
esses
ousados...
A
situação
não
admite
contemporizações;
os
que
forem
venais,
que
é
quase
a
totalidade,
compre-os
com
todos
os
seus
bordados
e
galões".
Os
protestos
de
Bernardes
quanto
à
falsidade
do
documento
não
encontraram
eco
na
oficialidade.
Uma
longa,
desgastante
e
acirrada
polêmica
sobre
a
autenticidade
da
carta
arrastou-se
durante
meses.
A
idéia
que
ficou
pode
ser
resumida
numa
afirmação
que
revela
o
grau
de
radicalização
atingido
pelo
confronto:
Se
não
escreveu,
foi
o
que
disse.
E
se
não
disse,
é
o
que
pensa.
Nos
últimos
dias
de
dezembro,
o
General
Ximeno
de
Villeroy,
depois
de
condenar
com
veemência
a
"desbragada
delapidação
dos
cofres
públicos"
e
a
"onda
de
lama
que
ameaça
submergir
a
República"
lança
um
dramático
apelo:
"Republicanos!
Até
quando
sofreremos
tanta
ignomínia
e
abjeção?
Uni-vos
que
é
chegada
a
hora
de
fazermos
justiça
implacável!
Discípulos
de
Benjamin
Constant!
Soldados
de
Floriano
e
Deodoro,
que
vos
importam
os
insultos
de
um
politiqueiro
de
baixa
estofa?"
A
campanha
da
Reação
Republicava,
nome
pelo
qual
a
chapa
oposicionista
evocava
o
compromisso
com
a
causa
pública
contra
o
processo
de
privatização
do
Estado
promovido
pela
oligarquia
cafeeira,
empolga
as
ruas.
Era
absolutamente
nítido
o
contraste
entre
a
vibração
produzida
pelas
duas
campanhas.
No
carnaval,
cantada
e
tocada
até
a
exaustão,
apesar
de
proibida
pela
polícia,
a
marchinha
de
Freire
Júnior
e
Careca,
Ai
Seu
Mé,
renovava
as
esperanças:
Ai,
Seu
Mé!
Ai,
Seu
Mé!
Lá
no
Palácio
das
Águias,
olé!
Não
hás
de
pôr
o
pé!
4.
Tribunal
de
Honra
Encerrada
a
votação,
Nilo
Peçanha
começa
a
articular,
com
o
apoio
do
Clube
Militar,
a
criação
de
um
Tribunal
de
Honra,
para
garantir
a
"apuração
isenta"
do
pleito.
Em
favor
da
tese,
é
invocado
o
exemplo
norte-americano
das
eleições
presidenciais
de
1876.
Ao
substituir
a
comissão
de
verificação
de
poderes
do
Congresso,
o
Tribunal
de
Honra
poria
em
cheque
o
principal
trunfo
da
oligarquia
para
produzir
a
vitória
de
seu
candidato:
a
fraude.
A
proposta
ganha
força
na
sociedade.
Os
pronunciamentos
militares
se
sucedem.
O
presidente
Epitácio
Pessoa
tenta
contê-los
através
de
atos
administrativos,
transferências,
punições,
o
que
só
faz
elevar
a
temperatura.
A
oficialidade
jovem
revela-se
cada
vez
menos
disposta
a
aceitar
que
as
eleições
terminem
num
novo
cambalacho.
Os
tenentes
sonhavam
com
um
Brasil
livre
dos
grilhões
da
monocultura
cafeeira,
renovado
pelo
voto
secreto,
educação
pública,
industrialização,
moralidade
administrativa,
erradicação
da
miséria.
A
fraude
eleitoral
significava
o
contrário.
Uma
idéia
vai
ganhando
força
nos
quartéis:
Tribunal
de
Honra
ou
Revolução!
No
mês
de
abril,
são
presos
quatro
aviadores
navais,
sob
a
acusação
de
planejarem
o
bombardeio
do
trem
presidencial,
que
transportaria
Epitácio
Pessoa
em
sua
viagem
de
Petrópolis
para
o
Rio
de
Janeiro,
no
dia
28.
Na
noite
de
1º
de
maio,
o
presidente
realiza
uma
reunião
de
emergência,
no
Palácio
do
Catete,
com
os
mentores
da
candidatura
oficial,
para
avaliar
a
conveniência
de,
como
resposta
ao
Tribunal
de
Honra,
promover
uma
reforma
no
regimento
do
Congresso,
para
que
a
comissão
de
verificação
de
poderes
ganhasse
o
caráter
de
comissão
de
arbitragem
constituída
por
três
representantes
de
cada
candidato.
Seria
uma
proposta
de
acordo,
que
contava
com
o
apoio
de
Nilo
Peçanha.
Os
ministros
da
Guerra
e
da
Marinha
alertam
para
o
estado
agudo
e
explosivo
da
crise
militar
e
consideram
o
acordo
uma
boa
saída.
O
senador
Raul
Soares
-
já
eleito
para
substituir
Bernardes
no
governo
mineiro
-
contesta
a
idéia.
Argumenta
que
tal
comissão,
por
ser
paritária,
terminaria
seu
trabalho
num
impasse,
não
reconhecendo
nenhum
dos
dois
candidatos,
o
que
acarretaria
a
anulação
do
pleito.
A
bem
da
verdade,
a
renúncia
dos
candidatos
e
a
convocação
de
uma
nova
eleição
não
estava
fora
das
cogitações
de
Epitácio.
Em
carta
a
Bernardes,
Raul
Soares
relata
o
diálogo
que
manteve
com
o
presidente:
-
O
Artur
Bernardes
-
é
a
minha
convicção
-
não
se
agüentará
24
horas
no
Catete...
É
possível
que
aqui
ainda
obtenha
certo
apoio
da
guarnição,
porque
está
organizada
com
o
máximo
de
cuidado...
Mas
e
os
estados?
As
deposição
de
governadores
partidários
de
Bernardes
se
sucederão.
Não
ficará
um
só
governo
de
pé
e
o
Bernardes
não
terá
forças
para
restabelecer
a
ordem.
Teremos,
pois,
a
revolução,
a
anarquia
e
o
mais
que
se
pode
prever.
-
De
acordo
com
a
sua
exposição
só
há
uma
solução:
a
desistência
do
Artur...
-
Exatamente,
a
desistência
de
Bernades
seria
a
solução.
O
senador
paulista
Álvaro
de
Carvalho,
que
havia
apoiado
a
tese
do
entendimento,
comunica,
no
encerramento
da
reunião,
o
recado
que
Washington
Luís
lhe
transmitira
através
de
uma
ligação
telefônica:
São
Paulo
não
aceita
nem
reforma,
nem
renúncia,
nem
qualquer
alteração
das
regras
eleitorais.
O
pronunciamento
do
governador
reafirmava
os
termos
da
nota
do
Partido
Republicano
Paulista,
porta
voz
da
oligarquia
cafeeira,
contra
as
tentativas
de
apaziguamento
realizadas
antes
da
eleição:
"São
Paulo,
como
sempre,
assumiu
atitude
definida
e
definitiva".
O
assunto
estava
encerrado.
No
dia
7
de
junho,
o
Congresso
proclamaria
a
vitória
de
Bernardes.
Porém,
até
a
posse,
em
15
de
novembro,
muita
água
ainda
haveria
de
rolar
por
baixo
e
por
cima
da
ponte.
5.
O
Plano
Revolucionário
Fechadas
as
portas
à
saída
política,
a
solução
revolucionária
passa
ao
centro
da
cena.
O
plano
que
vai
sendo
arquitetado
tem
por
objetivo
estratégico
a
obtenção
do
controle
sobre
1ª
Divisão
de
Infantaria,
sediada
na
Vila
Militar,
para,
com
base
nela,
organizar
uma
coluna
revolucionária
que
marchasse
até
o
Catete
e
depusesse
o
governo.
Os
revoltosos
acreditavam
que
com
apoio
no
1º
Regimento
de
Infantaria
e
em
unidades
situadas
nas
proximidades
-
Escola
Militar
de
Realengo,
Batalhão
Ferroviário,
Batalhão
de
Engenharia,
Escola
de
Aviação
-
seria
possível
forçar
o
2º
Regimento
de
Infantaria
e
demais
corpos
da
1ª
Divisão
de
Infantaria
a
se
integrarem
ao
movimento.
Obtido
esse
resultado,
o
marechal
Hermes,
escoltado
por
um
piquete
do
15º
Regimento
de
Cavalaria,
assumiria
o
comando
da
coluna
que
iniciaria
o
seu
deslocamento
pelo
eixo
ferroviário
da
Central
do
Brasil.
Na
região
do
Méier,
previa-se
um
confronto
com
as
tropas
da
Marinha,
do
1º
Regimento
de
Cavalaria
Divisionária,
da
3ª
Companhia
de
Metralhadoras
Pesadas
e
do
3º
Batalhão
de
Infantaria
da
Polícia
Militar.
A
vanguarda
revolucionária
suportaria
o
choque,
enquanto
a
retaguarda,
tomando
o
rumo
de
Jacarepaguá,
se
deslocaria
pela
estrada
do
Pica-Pau,
em
direção
à
Tijuca,
visando
a
Zona
Sul,
por
onde
avançaria
sob
a
cobertura
dos
canhões
do
Forte
Copacabana
e
da
Fortaleza
de
Santa
Cruz,
também
previamente
sublevados,
para
alcançar
o
Palácio
das
Águias,
bairro
do
Catete,
sede
do
governo
federal.
Hermes
da
Fonseca
Filho,
biógrafo
do
marechal,
apresenta
a
seguinte
avaliação:
"Esse
plano
não
deixava
de
ser
bem
estruturado,
pois
enquanto
o
combate
no
Méier
empolgasse
as
atenções
do
governo,
levando-o
a
concentrar
ali
todos
os
reforços,
o
ataque
revolucionário
diversionista
pelo
lado
Tijuca-Copacabana-Gávea
desenvolver-se-ia
a
toque
de
caixa".
O
plano
previa
também
a
sublevação
da
guarnição
federal
de
Mato
Grosso,
chefiada
por
seu
comandante,
o
general
Clodoaldo
da
Fonseca.
6.
O
Fechamento
do
Clube
Militar
Durante
o
mês
de
junho,
a
tensão
política
se
eleva.
O
governador
de
Pernambuco
protesta
contra
a
intervenção
de
Epitácio
Pessoa
nas
eleições
daquele
estado.
O
presidente
alega
inocência.
O
incidente,
porém,
desencadeia
uma
escalada
que
culmina
no
levante
de
5
de
Julho.
Uma
concorrida
Assembléia
do
Clube
Militar,
realizada
no
dia
28
de
junho,
aprova
por
aclamação
o
telegrama
do
marechal
Hermes
ao
coronel
Jaime
Pessoa,
comandante
militar
de
Recife,
recriminando
a
intervenção
do
Exército
nos
incidentes
contra
o
governo
estadual,
provocados
pelos
Pessoa
de
Queirós,
sobrinhos
de
Epitácio.
Os
jornais
de
Recife
estampam
o
texto
do
documento.
A
violência
em
curso
já
havia
provocado
a
morte
do
dentista
Tomás
Coelho,
com
um
inconfundível
tiro
de
fuzil
mauser
que
convulsionara
o
estado.
Diz
o
telegrama:
"O
Clube
Militar
está
contristado
pela
situação
angustiosa
em
que
se
encontra
o
Estado
de
Pernambuco,
narrada
por
fontes
insuspeitas
que
dão
ao
nosso
glorioso
Exército
a
odiosa
posição
de
algoz
do
povo
Pernambucano.
Venho
fraternalmente
lembrar-vos
que
mediteis
nos
termos
dos
artigos
6º
e
14º
da
Constituição,
para
isentardes
o
vosso
nome
e
o
da
nobre
classe
à
que
pertencemos
da
maldição
de
nossos
patrícios...
Não
esqueçais
que
as
situações
políticas
passam
e
o
Exército
fica".
Em
sua
resposta,
o
coronel
Pessoa,
também
parente
de
Epitácio,
comete
a
imprevidência
de
sublinhar
que
estava
agindo
por
ordens
superiores
-
"outro
não
é
nem
será
meu
intuito
que
obediência
à
lei
e
autoridades
constituídas".
A
indiscrição
expõe
e
deixa
furioso
o
presidente
da
República.
No
dia
seguinte,
o
coronel
é
forçado
a
pedir
demissão
do
comando
da
6ª
Região
Militar.
Epitácio
incumbe
também
o
ministro
da
Guerra,
Pandiá
Calógeras,
de
interpelar
o
marechal
Hermes
sobre
a
autoria
do
telegrama
que
considera
desrespeitoso
à
sua
autoridade.
Em
1º
de
julho,
o
marechal
e
a
diretoria
do
Clube
Militar
reafirmam
sua
responsabilidade
sobre
o
telegrama.
O
governo
anuncia,
então,
duas
decisões
explosivas.
O
fechamento
do
Clube
Militar
por
seis
meses,
baseado
na
Lei
Adolfo
Gordo,
que
autorizava
a
interdição
-
a
bem
da
moral
pública
-
de
casas
de
tavolagem
e
lenocínio,
antros
de
vigaristas
e
rufiões,
sociedades
de
cáftens
e
anarquistas.
A
outra
seria
uma
medida
disciplinar,
sob
a
forma
de
repreensão,
contra
o
marechal
Hermes,
que
repele
pronta
e
energicamente
a
punição
dirigindo-se
à
Epitácio
nos
seguintes
termos:
"Considerando
que
a
minha
alta
patente
e
a
condição
de
chefe
do
Exército
nacional
me
conferem
tacitamente
o
direito
de
aconselhar
e
encaminhar
na
senda
honrosa,
sempre
trilhada
pelas
forças
armadas,
àqueles
oficiais
que
porventura
possam
ser
mal
orientados...
declaro
à
vossa
excelência
que
não
posso
aceitar
a
injusta
e
ilegal
pena
que
me
foi
imposta"..
No
dia
2
de
julho,
Hermes
preside
a
tormentosa
Assembléia
do
Clube
Militar,
na
qual
o
tenente
Gwyer
lança
a
dramática
advertência:
"estamos
às
portas
da
revolução".
Naquele
momento,
mais
que
desejo
ou
vaticínio,
essa
era
a
constatação
de
um
fato.
7.
Preparativos
Finais
Condenando
o
decreto
de
suspensão
do
Clube
e
a
repreensão
ao
marechal
Hermes,
o
Correio
da
Manhã
publica
um
editorial
incendiário,
no
dia
3
de
julho,
onde
afirma:
"Afinal
o
crime
do
marechal
Hermes
e
do
Clube
Militar
foi
o
de
terem
em
documento
público
aconselhado
o
respeito
a
Constituição...
Não
é
preciso
mais
nada
para
saber
que
entramos
num
estado
revolucionário
da
pior
espécie,
aquele
em
que
é
o
agente
da
ordem
que
o
provoca
e
entretém.
O
fechamento
do
Clube
Militar
toma
o
caráter
de
uma
medida
em
que
só
se
vê
o
fel
que
amarga
as
resoluções
de
pura
vingança"..
O
ultraje
aos
militares
e
oposicionistas
em
geral
não
ficaria
sem
resposta.
No
bairro
do
Leme,
o
general
Joaquim
Inácio
em
reunião
com
cem
revolucionários,
civis
e
militares
de
todas
as
armas,
que
vinham
há
meses
preparando
o
levante,
fixa
o
seu
início
para
uma
hora
da
madrugada
do
dia
5.
Um
dos
presentes
à
reunião
era
o
tenente
Antônio
de
Siqueira
Campos,
brilhante
oficial
do
Forte
Copacabana.
Nascido
numa
fazenda
de
café,
em
Rio
Claro,
interior
de
São
Paulo,
leitor
assíduo
de
textos
sobre
a
história
do
Brasil
e
a
revolução
mexicana
de
Villa
e
Zapata,
ocorrida
na
década
anterior,
Siqueira,
com
24
anos
de
idade,
seria
o
protagonista
da
epopéia
que
o
transformaria
no
grande
baluarte
do
Movimento
Tenentista.
Das
seis
fortalezas
que
guarnecem
a
baía
da
Guanabara,
Copacabana
(1ª
Bateria
Isolada
de
Artilharia
de
Costa)
era
a
mais
moderna.
Com
suas
cúpulas
protegendo
gigantescos
canhões
de
305
milímetros,
o
Forte
Copacabana
era
o
que
dispunha
de
maior
poder
de
fogo.
Sua
guarnição
estava
sob
o
comando
do
capitão
Euclides
Hermes,
filho
do
marechal
Hermes.
Os
revolucionários
contavam
também
como
certa
a
adesão
da
Fortaleza
de
Santa
Cruz
(2º
Regimento
de
Artilharia).
As
demais
-
Vigia,
Laje,
São
João
e
Pico
-
dependeriam
da
evolução
dos
fatos.
Mas
Copacabana
e
Santa
Cruz,
pela
localização
e
potência
de
fogo,
eram
as
principais
unidades
de
artilharia
da
Capital
da
Federal.
A
3
de
julho,
o
Forte
acelera
os
preparativos
para
a
revolução.
A
despensa
é
abastecida
com
víveres
para
um
mês;
barricadas
com
centenas
de
sacos
de
areia
são
erguidas
em
pontos
estratégicos;
a
guarda
é
reforçada.
Siqueira
Campos
minara
diversas
áreas
do
terreno,
desde
o
portão
da
guarda
até
o
farol.
Concentra-se,
agora,
em
recuperar
o
holofote
da
unidade.
8.
A
Prisão
do
Marechal
Hermes
Às
23h,
por
ordem
do
Presidente
da
República,
o
marechal
Hermes
é
preso
e
recolhido
ao
3º
Regimento
de
Infantaria,
na
Praia
Vermelha.
A
afronta
viria
colocar
mais
lenha
na
fogueira,
e
sua
libertação,
ao
meio-dia
do
dia
4,
não
detém
a
marcha
dos
acontecimentos.
A
truculência
empregada
pela
oligarquia
cafeeira
para
sufocar
o
questionamento
à
fraude
eleitoral
que
patrocinara
voltava-se
contra
ela.
O
líder
das
bancada
fluminense,
senador
Irineu
Machado,
pronuncia
inflamado
discurso
que
conclui
dizendo:
"Espero
dos
acontecimentos
e
da
história
os
grandes
dias
em
que
arrancaremos
desse
pântano
mefítico
a
nossa
nacionalidade.
Será
essa,
ainda
uma
vez,
a
obra
grandiosa
do
Exército".
Também
o
líder
da
bancada
gaúcha
na
Câmara
Federal,
deputado
Otávio
Rocha,
não
poupa
adjetivos
para
incentivar
a
resposta
revolucionária
que
está
prestes
a
ser
desencadeada:
"De
joelhos,
nunca.
De
pé
e
de
frente
eu
encaro
o
ditador...
fiquem
para
todo
e
sempre
malditos
os
que...
tiveram
a
ilusão
de
que
os
césares
eram
eternos
e
o
poderio
da
Terra
o
supremo
bem"..
A
única
pessoa
a
quem
foi
permitido
visitar
o
Marechal
Hermes,
durante
a
sua
estada
de
dezessete
horas
na
prisão,
foi
o
ex-presidente
Nilo
Peçanha.
A
conversa
foi
reservada
e
não
há
relato
sobre
o
que
foi
discutido.
Porém
o
marechal
Hermes
não
deixou
o
3º
Regimento
de
Infantaria
com
a
mesma
firmeza
de
propósitos
que
havia
demonstrado
até
antão.
Talvez
porque
Nilo
de
alguma
forma
o
tenha
feito
entender
que
tanto
ele
quanto
o
governador
Borges
de
Medeiros,
que
até
então
vinham
apoiando
seus
pronunciamentos,
consideravam
inoportuno
o
recurso
à
insurreição
naquele
momento.
Borges
formalizaria
essa
posição
em
manifesto
publicado
no
dia
7,
no
jornal
gaúcho
A
Federação:
"Nada
mais
absurdo
nem
mais
condenável
do
que
corrigir
uma
violência
com
outra
violência"...
Declarando-se
"solidário
com
os
vencidos",
Nilo
Peçanha
empregaria
seus
últimos
vinte
meses
de
vida
na
defesa
dos
tenentes
rebelados,
e
em
conversações
que
conduziriam
à
eclosão
de
novo
levante,
na
cidade
de
São
Paulo,
dando
início
à
Revolução
de
1924.
9.
O
Forte
Está
Pronto
À
noite,
cerca
de
duzentos
oficiais,
praças
e
voluntários
civis
começam
a
cruzar
os
portões
do
Forte,
para
reforçar
a
sua
guarnição.
Às
22h
toda
uma
bateria
do
Forte
do
Vigia,
situado
na
outra
extremidade
da
praia
de
Copacabana,
bairro
do
Leme,
integra-se
nesse
esforço.
São
54
homens
comandados
pelo
tenente
Fernando
Bruce.
Às
23h30
o
general
Bonifácio
Gomes,
comandante
do
1º
Distrito
de
Artilharia
de
Costa,
chega
ao
Forte
com
ordem
expressa
de
destituir
o
capitão
Euclides
Hermes
do
comando
da
unidade.
Vem
acompanhado
do
capitão
José
da
Silva
Barbosa,
a
quem
pretende
investir
na
função.
Ambos
são
presos.
Uma
companhia
do
3º
Regimento
de
Infantaria,
que
havia
sido
deslocada
para
apoiar
a
missão
do
general,
é
intimada
a
recuar.
O
tenente
Mário
Carpenter,
que
integra
a
companhia,
confraterniza
com
os
revoltosos
e
também
adere
ao
levante.
À
1h15
de
5
de
julho,
um
disparo
para
o
céu
anunciava
o
compromisso
do
Forte
Copacabana
com
a
revolução.
Conforme
o
combinado,
as
outras
fortalezas
deveriam
confirmar
o
apoio
disparando
também
os
seus
canhões.
A
resposta
é
o
silêncio.
Mas
o
Forte
não
se
deixa
impressionar.
Seus
canhões
alvejam
a
desabitada
ilha
de
Cotunduba.
Depois
começam
os
tiros
para
valer:
os
dois
primeiros,
dirigidos
ao
3º
Regimento
de
Infantaria
e
ao
Forte
do
Vigia.
10.
O
Levante
da
Escola
Militar
Às
23h
do
dia
4
teve
início
o
levante
da
Escola
Militar
de
Realengo.
Por
iniciativa
do
corpo
de
oficiais
instrutores,
composto
por
diversos
protagonistas
das
futuras
rebeliões
tenentistas,
entre
os
quais
os
tenentes
Victor
César
da
Cunha
Cruz,
Ricardo
Hall,
Caio
de
Albuquerque
Lima,
Edmundo
Macedo
Soares
e
Juarez
Távora,
cerca
de
600
cadetes
de
várias
armas
entram
em
forma
e
começam
a
ser
armados
e
municiados.
Patrulhas
foram
destacadas
para
vigiar
a
residência
de
oficiais
sabidamente
contrários
ao
movimento.
Foram
detidos
o
comandante
da
Escola,
general
Monteiro
de
Barros,
e
um
cadete
que
se
recusou
a
participar
do
levante.
À
meia-noite,
sob
o
comando
do
coronel
Xavier
de
Brito,
diretor
da
Fábrica
de
Cartuchos
de
Realengo
e
veterano
da
campanha
de
Canudos,
a
Escola
deslocou-se
pela
estrada
São
Pedro
de
Alcântara
em
direção
à
Vila
Militar
-
a
10
quilômetros
de
distância.
Antes
de
alcançar
a
parada
de
Magalhães
Bastos,
um
elemento
de
ligação
trouxe
a
informação
de
que
toda
a
tropa
aquartelada
na
Vila
estava
de
prontidão,
e
sob
o
completo
controle
dos
oficiais
governistas.
Cinqüenta
anos
mais
tarde,
Juarez
Távora
descreveria
o
episódio,
com
as
seguintes
palavras:
"Soube-se
mais
tarde
que
apenas
alguns
elementos
de
uma
Companhia
do
1º
Regimento
de
Infantaria
haviam
sido
sublevados
por
um
dos
seus
oficiais,
o
tenente
Frederico
Cristiano
Buiz....
Diante
dessa
grave
situação,
o
comando
da
Escola
deslocou
a
marcha
da
Coluna
para
ocupar
posição
no
morro
da
Caixa
d'Água,
com
bom
domínio
sobre
toda
a
Vila
Militar...
Ao
clarear
do
dia
5,
o
comando
da
Escola
determinou
o
disparo
de
alguns
tiros
de
shranpnel
da
artilharia,
sobre
os
quartéis
da
Vila...
A
reação
não
demorou...
Por
volta
das
9h,
a
situação
estava
claramente
definida;
toda
a
tropa
da
Vila
se
movimentava
contra
a
Escola.
Entre
os
elementos
desta
já
havia
um
morto
-
o
cadete
Fedorval
Xavier
Leal
-
e
um
outro
ferido...
Seria
insensato
e
desumano
prosseguir
naquele
duelo
desigual...
A
retirada
foi
feita
em
ordem".
11.
Malogra
a
insurreição
Na
Vila
Militar
estava
aquartelado
o
1º
Regimento
de
Infantaria,
principal
corpo
de
tropa
a
partir
do
qual
os
revolucionários
pretendiam
irradiar
o
levante
às
demais
unidades
da
1ª
Divisão
de
Infantaria.
O
comandante
do
regimento
era
o
coronel
Nestor
Sezefredo
Passos,
oficial
governista
que,
às
22h15
do
dia
4,
recebeu
ordens
para
prender
diversos
oficiais
que
haviam
tomado
o
trem
na
Estação
Central
com
destino
à
Vila
Militar.
O
coronel
Sezefredo
incumbiu
o
tenente-coronel
Álvaro
Mariante
de
organizar
patrulhas
para
aprisionar
os
insurretos,
antes
que
esses
sublevassem
o
regimento.
Assim,
quando
desembarcaram
na
Vila
Militar,
foram
presos
o
capitão
Agenor
Aguiar,
os
tenentes
Aníbal
Duarte,
Leônidas
Hermes
da
Fonseca
e
outros
três
revoltosos.
Também
num
alojamento
da
Escola
de
Aperfeiçoamento
de
Oficiais,
conhecida
como
Baiúca,
as
patrulhas
do
tenente-coronel
Mariante
detiveram
vários
oficiais.
Desse
modo,
mais
de
uma
centena
de
revolucionários
foi
sendo
detida,
desarticulando
o
levante.
O
tenente
João
Alberto
Lins
e
Barros,
que
poucos
anos
mais
tarde
se
converteria
num
destacado
expoente
do
Movimento
Tenentista,
integrava,
na
época,
o
1º
Regimento
de
Artilharia
Montada,
sediado
na
Vila
Militar.
Eis
o
testemunho
que
apresenta
sobre
o
seu
malogrado
batismo
de
fogo:
"No
dia
4
de
julho,
durante
a
noite,
todos
nós,
revolucionários,
estávamos
a
postos
para
erguer
a
tropa
ao
primeiro
sinal...
Éramos
poucos,
dentro
de
um
regimento
considerado
legalista
e
precisávamos
de
um
apoio
vindo
de
fora
do
quartel
para
fazer
o
levante...
fomos
presos
com
a
impressão
de
que
o
movimento
abortara.
Só
depois
de
transferidos
de
unidade,
quando
nada
mais
podíamos
fazer,
soubemos
que
a
Escola
Militar
e
o
Forte
Copacabana
estavam
revoltados".
À
meia-noite,
no
cassino
do
1º
Regimento
de
Infantaria,
estavam
reunidos
vários
grupos
de
oficiais.
Entre
eles
encontrava-se
o
2º
tenente
Frederico
Cristiano
Buiz.
Pouco
antes
da
1h,
Buiz
dirigiu-se
à
sua
companhia,
armou
os
praças
e
formou
dois
pelotões.
O
primeiro
recebeu
a
missão
de
guarnecer
a
frente
do
quartel.
Com
o
outro
sob
seu
comando,
retornou
ao
cassino.
O
objetivo
era
prender
o
coronel
Sezefredo
e
os
oficiais
governistas
que
ali
se
encontravam.
O
cassino
foi
cercado.
Irrompendo
pela
porta,
pistola
à
mão,
seguido
por
praças
de
armas
embaladas,
Buiz
surpreendeu
os
oficiais,
mas
não
conseguiu
dominar
a
situação.
Após
um
cerrado
tiroteio,
no
qual
foi
mortalmente
atingido
o
capitão
José
Barbosa
Monteiro,
Buiz
acabou
dominado.
Falhara
o
levante
do
1º
Regimento
de
Infantaria.
Nas
demais
unidades
o
quadro
não
era
alentador.
O
capitão
Luís
Gonzaga
Borges
conseguiu
sublevar
a
Companhia
de
Pontoneiros
do
1º
Batalhão
de
Engenharia,
mas
não
logrou
assumir
o
controle
da
unidade.
O
tenente
Luís
Carlos
Prestes,
outro
futuro
vulto
da
história
nacional,
responsável
pela
rebelião
no
1º
Batalhão
Ferroviário,
contraíra
tifo,
no
dia
13
de
junho,
ficando
fora
de
combate.
Na
Escola
de
Aviação
Militar,
quando
os
pilotos
e
observadores
se
dirigiam
para
o
campo,
a
fim
de
experimentar
os
motores
das
aeronaves,
um
batalhão
governista
ocupou
os
hangares,
neutralizando
a
rebelião.
Também
na
Escola
de
Sargentos
de
Infantaria,
Fortaleza
de
Santa
Cruz
e
15º
Regimento
de
Cavalaria,
unidades
cuja
adesão
era
esperada,
os
oficiais
revoltosos
retraíram-se
frente
aos
reveses
iniciais.
Às
6h
do
dia
5,
o
marechal
Hermes
da
Fonseca
e
o
general
Joaquim
Inácio
são
presos
num
sítio,
onde
aguardavam
contato
com
os
comandantes
das
unidades
rebeladas.
O
sítio
de
propriedade
de
um
dos
quatro
filhos
do
marechal,
o
deputado
Mário
Hermes,
ficava
próximo
à
Vila
Militar,
nas
imediações
da
estação
ferroviária
cujo
nome
lhe
rendia
homenagem
-
Marechal
Hermes.
A
Escola
Militar
ainda
sustentava
um
desigual
duelo
de
artilharia
com
as
forças
da
Vila.
Às
9h
empreenderia
a
retirada,
seguida
da
rendição
ao
meio-dia.
Só
no
Forte
Copacabana
a
bandeira
da
revolução
seguia
desfraldada.
A
guarnição
militar
do
Mato
Grosso
havia
cumprido
o
compromisso
de
sublevar-se,
concentrando
em
Três
Lagoas,
na
fronteira
paulista,
a
Divisão
Provisória
Libertadora,
formada
a
partir
das
diversas
unidades
rebeladas.
No
entanto,
surpreendida
pela
evolução
desfavorável
dos
acontecimentos
no
Rio
de
Janeiro,
permaneceu
estacionada
até
a
deposição
das
armas,
em
13
de
julho
12.
Falam
os
Canhões
Na
manhã
do
dia
5
os
disparos
do
Forte
continuam
a
atingir
pontos
da
cidade,
com
uma
precisão
que
alarmou
as
autoridades
e
assombrou
os
membros
da
Missão
Militar
Francesa.
Durante
a
fase
de
organização
do
levante,
Siqueira
Campos
e
outros
oficiais
do
Copacabana
haviam
preparado
cuidadosamente
novas
tabelas
para
o
tiro
de
canhões,
com
redução
de
carga,
para
modificar
a
trajetória
dos
projéteis,
encurtando
seu
raio
de
ação.
Os
cálculos
foram
revisados
por
um
antigo
professor
de
balística
da
Escola
Militar.
Com
isso
os
canhões
do
Forte
tornaram-se
aptos
a
atingir
alvos
da
cidade
considerados
invulneráveis.
Às
9h,
o
general
Carneiro
de
Fontoura,
chefe
da
1ª
Região
Militar,
nomeia
o
coronel
Nepomuceno
da
Costa
comandante
das
Forças
de
Assalto
ao
Forte
Copacabana,
e
encaminha
uma
intimação
à
sua
guarnição.
A
resposta
foi
um
disparo
sobre
o
quartel-general
situado
no
edifício
do
Ministério
da
Guerra,
na
praça
Duque
de
Caxias.
O
tiro
não
foi
preciso,
atingiu
os
fundos
do
prédio
da
Light
and
Power
e
a
casa
número
216
da
rua
Barão
de
São
Félix.
O
ministro
da
Guerra,
Pandiá
Calógeras,
tomou
então
a
iniciativa
de
telefonar
para
o
Forte,
a
fim
de
protestar
contra
o
bombardeio.
Calógeras
não
era
militar.
Não
percebeu
que
sua
reclamação
indicava
com
precisão
a
localização
do
alvo
atingido.
Com
a
informação
prestada
pelo
ministro,
os
revolucionários
prontamente
refizeram
os
cálculos,
ajustaram
a
pontaria
e
realizaram
novo
disparo.
O
impacto
do
obus
destruiu
parte
da
ala
esquerda
do
Palácio
da
Guerra.
Em
seguida,
mais
dois
tiros
explodiram
no
pátio
interno
do
prédio,
onde
tropas
do
Exército
e
da
Marinha
estavam
estacionadas,
espalhando
morte
e
destruição.
Rapidamente
o
quartel-general
foi
transferido
para
o
Corpo
de
Bombeiros,
do
outro
lado
do
Campo
de
Santana,
e,
em
seguida,
para
o
quartel-auxiliar
do
Largo
de
Humaitá.
13.
O
Forte
esta
isolado
Às
4h
da
madrugada
do
dia
6,
o
capitão
Euclides
Hermes
reúne
todos
os
oficiais
que
participam
da
defesa
do
Forte
e
expõe
claramente
a
situação
vivida.
O
levante
da
Vila
falhara.
A
Escola
Militar
tinha
deposto
as
armas.
O
mesmo
ocorrera
com
o
15º
de
Cavalaria.
A
fortaleza
de
Santa
Cruz
não
havia
aderido.
O
marechal
Hermes
e
o
general
Joaquim
Inácio
estavam
presos.
O
Forte
Copacabana
era
a
única
unidade
que
se
mantinha
rebelada.
Estava
completamente
isolado.
Poderia
resistir
por
mais
tempo,
em
virtude
de
seu
imenso
poder
de
fogo,
mas
as
chances
de
vitória
eram
inteiramente
nulas.
O
capitão
prosseguiu
declarando
que,
em
vista
da
precariedade
da
situação,
não
se
considerava
no
direito
de
sacrificar
seus
companheiros.
Facultava,
portanto,
a
cada
um,
a
opção
pela
resistência
ou
pela
retirada.
Desse
modo,
dos
301
homens
que
iniciaram
a
insurreição
do
Forte
Copacabana,
restaram
apenas
29
-
cinco
oficiais,
dois
sargentos,
um
cabo,
dezesseis
praças
e
cinco
voluntários
civis.
Os
demais
deixaram
as
armas
e
se
retiraram.
14.
Contra-Ataque
Mortífero
Pouco
tempo
depois,
a
Marinha
inicia
uma
ofensiva
contra
o
Forte.
Os
encouraçados
São
Paulo
e
Minas
Gerais,
escoltados
pelo
destróier
Paraná,
cruzaram
a
barra.
Os
revolucionários
são
atacados
pelo
fogo
dos
canhões
de
305
milímetros
do
São
Paulo.
O
impacto
das
granadas
chega
a
estremecer
o
solo.
Ao
organizarem
o
contra-ataque,
os
29
defensores
constatam
que
o
motor
que
movimenta
seus
canhões
de
305
milímetros
está
inutilizado.
Então,
manobrando
a
braço
os
canhões
de
190
milímetros,
a
guarnição
responde
ao
fogo.
O
São
Paulo
é
atingido.
O
tiro
disparado
pelo
tenente
Siqueira
Campos
explodira
na
torre
de
comando.
A
esquadra
recua
para
uma
distância
segura,
e
não
volta
a
entrar
em
ação.
O
Forte
faz
novos
disparos
contra
a
Ilha
das
Cobras,
o
Forte
do
Vigia,
o
Palácio
do
Catete.
15.
A
Prisão
do
Capitão
Euclides
Sensível
às
72
toneladas
de
granadas
de
artilharia
que
abarrotavam
os
paióis
da
fortaleza,
o
ministro
da
Guerra
propõe
uma
conversação
de
paz,
aceita
pelos
insurretos.
O
major
Egídio
Moreira
de
Castro
e
o
tenente-aviador
Pacheco
Chaves
são
enviados
pelo
governo.
No
momento
em
que
o
tenente
Newton
Prado
cruza
o
portão
para
recebê-los,
dois
hidroaviões
da
Marinha
sobrevoam
o
forte,
bombardeando-o.
A
missão
de
paz
degenera
em
conflito
verbal
e
físico
entre
os
embaixadores.
Indignado,
o
capitão
Euclides
Hermes
toma
o
telefone
e
protesta.
Calógeras
desculpa-se,
argumenta
que
foi
um
engano:
a
Marinha
não
fora
devidamente
informada
sobre
a
trégua.
Lembrando
as
relações
cordiais
que
mantinham
até
o
início
do
levante,
propõe
um
encontro
pessoal
entre
ambos.
A
oferta
é
aceita
pelos
revolucionários.
Depois
de
passar
o
comando
do
Forte
ao
tenente
Siqueira
Campos,
o
capitão
Euclides,
a
bordo
do
táxi
231,
transpõe
as
linhas
governistas
sem
ser
molestado.
Chegando
à
residência
de
seu
pai,
em
Botafogo,
telefona
a
Calógeras,
que
pede
para
aguardá-lo.
Mas
quem
comparece
é
o
capitão
Marcolino
Fagundes
que
lhe
dá
voz
de
prisão
e
o
conduz
ao
Palácio
do
Catete.
Lá,
visivelmente
embaraçado,
Calógeras
explica
que:
por
decisão
posterior
do
Presidente
da
República
era
forçado
a
prendê-lo,
devendo
também
o
Forte
render-se
incondicionalmente.
Às
12h30,
o
capitão
Euclides,
por
telefone,
comunica
a
Siqueira
Campos
o
resultado
da
missão
de
paz:
Estou
preso,
Siqueira.
Eles
traíram
a
palavra
de
honra
dada...
Eles
querem
que
os
oficiais
se
rendam,
que
deixem
o
forte,
marchando
desarmados,
um
a
um,
até
se
entregarem
às
tropas
legais.
As
mais
próximas
se
encontravam
na
Praça
Serzedelo
Correia,
a
mais
de
um
quilômetro
de
distância.
A
oligarquia
cafeeira
pretendia
liquidar
a
fatura
com
uma
lição
exemplar
e
definitiva.
Em
troca
de
suas
vidas,
à
guarnição
rebelada
não
bastaria
render-se.
A
humilhação
era
o
preço
a
ser
pago
por
haverem
levado
a
luta
até
aquele
ponto.
16.
A
Decisão
que
Mudou
a
História
Na
sala
de
comando
reúnem-se
os
quatro
últimos
oficiais
que
se
mantinham
em
armas
pela
revolução.
Todos
eram
tenentes.
Nenhum
tinha
mais
de
25
anos.
Dois
eram
membros
da
guarnição
original
do
Forte
Copacabana:
Siqueira
Campos
e
Newton
Prado.
Outros
dois
haviam
se
juntado
a
ela
no
momento
da
sublevação:
Mário
Carpenter
e
Eduardo
Gomes.
Reinava
uma
paz
temporária,
pois
o
dispositivo
legal
recebera
ordens
de
aguardar
a
rendição.
A
decisão
que
sai
da
reunião
é
ousada,
surpreendente,
e
muda
o
rumo
da
história,
transformando
a
derrota
do
levante
numa
esmagadora
vitória
moral
dos
revolucionários.
Ao
invés
de
rendição,
a
resolução
é
a
de
marcharem
contra
a
tropa
governamental,
armados
de
fuzis
e
revólveres.
Se
fossem
atacados,
reagiriam.
Se
não,
a
parada
seria
no
Palácio
do
Catete.
O
ânimo
retorna
e
os
preparativos
são
realizados
em
ritmo
febril.
Siqueira
pede
ao
sergipano
Manoel
Ananias
dos
Santos,
o
soldado
108,
e
ao
praça
José
Olympio,
que
desçam
a
bandeira
do
Forte.
Dividiu-a
em
29
pedaços,
dando
um
a
cada
revolucionário
presente
-
cujos
nomes
foram
gravados
a
prego
e
bala
numa
das
paredes
internas
da
fortaleza.
O
último
guardou-o
consigo,
para
o
capitão
Euclides.
Todos
se
municiaram,
enchendo
os
bolsos
com
cartuchos.
Ninguém
deixou
de
levar
menos
de
200
tiros.
Os
oficiais
barbearam-se,
ajustaram
seus
uniformes,
e
desfizeram-se
das
insígnias
do
grau
militar.
Naquele
momento,
eram
todos
soldados.
As
13h30,
antes
de
transpor
as
barricadas,
Siqueira
fala
aos
companheiros:
Eles
têm
que
atirar
primeiro...
Não
se
dá
nenhum
tiro
antes...
Deixa
eu
conversar
com
quem
chegar
primeiro...
Agora,
se
derem
um
tiro
na
gente,
não
precisam
esperar
ordem
de
fogo
17.
Arrancada
Final
Marcharam
pela
rua
e
a
calçada
que
margeia
a
praia
de
Copacabana.
A
avenida
Atlântica,
na
época,
tinha
poucas
construções,
mas
não
estava
deserta.
No
caminho
falavam
aos
moradores
sobre
seus
motivos.
Lenços
brancos
eram
acenados
das
janelas.
De
longe,
oficiais
e
praças
do
3º
Regimento
de
Infantaria
lhes
gritavam
que
se
rendessem.
Foram
assim
até
o
hotel
Londres,
onde
pararam
para
beber
água.
Já
haviam
percorrido
mais
de
um
quilômetro.
Ao
reiniciar
a
marcha,
Siqueira
verifica
que
alguns
haviam
desistido.
Mas
isso
já
não
tinha
importância.
Antes
de
atingirem
a
rua
Barroso,
o
jovem
engenheiro
gaúcho
Otávio
Correia
se
aproximou
do
grupo.
Dirigindo-se
a
Siqueira,
a
quem
conhecera
na
casa
da
escritora
Rosalina
Coelho
Lisboa,
falou:
Vou
com
vocês
Antônio,
preciso
de
uma
arma...
Newton
Prado
entregou-lhe
o
fuzil
que
trazia
e
sacou
a
parabellum,
que
passou
a
empunhar
na
mão
direita.
Ao
chegarem
na
esquina
da
rua
Barroso,
hoje
Siqueira
Campos,
uma
surpresa.
O
tenente
Segadas
Viana,
comandante
de
um
dos
três
pelotões
da
6ª
Companhia
do
3º
Regimento
de
Infantaria,
surge
diante
deles.
A
6ª
Companhia,
estacionada
na
praça
Serzedelo
Correia,
havia
recebido
ordens
de
preparar-se
para
deter
a
marcha
dos
revolucionários,
enquanto
se
providenciavam
mais
reforços.
Seu
comandante,
o
capitão
Pedro
Crisol
Fernandes
Brasil,
dispôs
então
um
pelotão
na
rua
Barroso,
comandado
pelo
tenente
Segadas;
outro
na
rua
seguinte,
Hilário
de
Gouveia,
chefiado
pelo
tenente
Miquelina;
e
o
terceiro
manteve
na
praça,
sob
comando
do
tenente
Sawen.
Algum
tempo
depois,
o
tenente
Segadas
recebeu
ordem
de
descer
pela
rua
Barroso,
em
direção
à
praia,
para
observar
a
progressão
dos
reforços.
Tendo
atrás
de
si,
a
uns
30
metros,
seu
pelotão,
logo
que
chegou
na
esquina
deparou-se
com
os
insurretos.
Ao
verem
o
tenente
legalista,
três
soldados
tentaram
dominá-lo.
Ele
sacou
a
arma,
mas
o
tenente
revolucionário
Mário
Carpenter,
seu
colega
no
3º
Regimento,
ordenou
aos
praças
que
se
detivessem.
Enquanto
isso,
os
40
membros
do
pelotão
apontavam
suas
armas
contra
os
revoltosos
e
vice-versa.
Nessas
circunstâncias
iniciou-se
um
diálogo.
Siqueira
e
Carpenter
exortavam
Segadas
a
acompanhá-los
e
este
procurava
fazer
com
que
se
rendessem.
Esgotados
os
argumentos,
o
destacamento
revolucionário
retomou
a
marcha,
mas,
vindo
da
Hilário
de
Gouveia,
surge
o
capitão
Brasil
que
acaba
dando
a
ordem
de
"fogo"
ao
pelotão
do
tenente
Segadas.
Um
soldado
obedeceu
e
disparou.
A
bala
matou
pelas
costas
o
soldado
Pedro
Ferreira
de
Melo.
Siqueira
virou-se
e
devolveu
o
tiro.
O
combate
começou.