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Governo
reafirma Telebrás como a melhor opção para banda larga
O ministro da
Comunicação Social, Franklin Martins, afirmou em audiência no Senado que “o
governo precisa de uma entidade para administrar a banda larga e a Telebrás hoje
é a que parece mais fácil” e que “há uma demanda brutal que não é atendida”
O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, afirmou que
quando se iniciou as discussões sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL)
ficou evidente que o “mercado” não conseguiria resolver, espontaneamente, o
problema. “O governo precisa de alguma entidade para administrar a banda larga e
a Telebrás hoje é a que parece mais fácil”, disse o ministro durante audiência
pública realizada na terça-feira (9) pela Comissão de Ciência, Tecnologia,
Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado para debater o plano de
expansão da internet rápida.
Franklin ressaltou que o governo tem ativos de 23 mil quilômetros de fibras
ópticas das estatais de energia elétrica e reafirmou que “o governo vai pegar
suas fibras ópticas, parte das quais ganhou direito ao uso na Justiça, e vai
utilizar isso como fator de regulação e competição”, acrescentando que “há uma
demanda brutal que não está sendo atendida”.
Na mesma audiência, o assessor especial da Presidência da República Cezar
Alvarez ressaltou que os “estudos mais aprofundados dizem que o melhor é a
Telebrás” para gerir o PNBL. Segundo o coordenador do grupo responsável pela
elaboração do plano, é obrigação do governo levar a banda larga aos locais onde
as teles não atuam. Ele avaliou que até o fim deste ano o PNBL deverá chegar a
300 municípios, “mas serão cidades e regiões e perfis diferentes, que reflitam a
diversidade do Brasil”.
CUSTOS
Segundo Alvarez, os custos para a expansão da banda larga a todos os
municípios brasileiros, até 2014, deverão variar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 15
bilhões, se o governo decidir atuar na última milha. “Ou até R$ 26,5 bilhões, se
usarmos os números previstos pelo Ministério das Comunicações”, frisou Alvarez,
referindo-se à proposta do ministro Hélio Costa e das teles. A constatação
imediata é que os custos do governo, mesmo na hipótese de oferecer os serviços
de última milha, são muito menores do que os das concessionárias, que
reivindicam desoneração, utilização dos recursos do Fundo de Universalização dos
Serviços de Telecomunicações (Fust), não pagamento do Fundo de Fiscalização das
Telecomunicações (Fistel) e, como ninguém é de ferro, financiamentos do BNDES.
REDE PÚBLICA
No 1º Fórum Governo Digital, evento ocorrido em Brasília, o secretário de
Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério
Santanna, declarou que a União tem condições de implantar o PNBL mesmo sem
utilizar a rede de fibra óptica da Eletrobrás que era administrada pela
Eletronet e que foi retomada por decisão judicial. “A Eletrobrás possui ainda
mais quatro fibras ópticas, que podem ser usadas para o programa de banda
larga”, ponderou.
Santanna explicou que o back up (cópia) de proteção para as estatais de energia
elétrica pode ser feito por uma provedora desse tipo de serviço. “Basta uma
fibra para o back up. As outras fibras podem servir para levar a banda larga
para diferentes cidades do país”, pontuou.
Depois da decisão do presidente Lula, que acontecerá na primeira semana de
abril, Santanna observou que serão lançados editais para a construção do
backbone (estrutura dorsal da infraestrutura de banda larga) e do backhaul (que
liga o backbone ao município).
Na audiência do Senado, o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias
do Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), José Fernandes Pauletti, creditou
a baixa velocidade e os altos preços cobrados atualmente a um suposto problema
tributário, superior a 40%. E defendeu subsídios para a banda larga, uma vez
que, segundo ele, o problema é de “demanda”, no que foi contestado tanto por
Franklin Martins quanto por Cezar Alvarez. O ministro apontou que se as
operadoras tivessem universalizado a banda larga o preço seria mais barato. Por
sua vez, Alvarez destacou que a maior parte dos encargos são relativos a ICMS,
um tributo estadual. Contudo, nos estados em que foram oferecidos redução de
ICMS, as operadoras não aderiram. No máximo tentaram fazer vendas casadas de
telefonia fixa com internet “banda lerda”, como no caso de São Paulo, redundando
em fracasso.
COSTA E AS TELES
Além das teles, a única voz discordante da reativação da Telebrás é a do
ministro Hélio Costa, alegando agora problemas jurídicos: “A Lei das S.A., por
exemplo, impede que o governo, na medida em que ele tenha os fundos de pensão
como sócios de uma empresa de telecomunicações, possa participar ativamente de
outra empresa”. Certamente, Costa se referiu à Oi, que conta com participação do
BNDESPar, Previ, Funcef e Petros. Ocorre que é esse é um argumento cretino, pois
ele sabe muito bem que os fundos de pensão não são estatais, mas instituições
que atuam em previdência complementar. Segundo, na hora do BNDES encher as
burras das teles o ministro não vê nenhum problema nisso. De acordo com o
Minicom, em caso de o PNB gerar prejuízos os acionistas minoritários da Telebrás
seriam lesados. Acionistas minoritários, depois de 12 de privatização das
empresas do Sistema Telebrás? Com estatal com as portas praticamente fechadas,
com seus funcionários prestando serviços em outros setores, como a Anatel, por
exemplo? E desde quando o ministro, que ao longo dos anos tem se prestado a
defender os interesses das teles, se preocupa com os interesses dos acionistas
minoritários?
Os “argumentos” de Costa não se justificam, até porque o governo já possui
inúmeras licenças de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), como as estatais
Eletrobrás, Eletronorte e Serpro, entre outras, e nunca se questionou - nem o
Minicom, nem a Anatel - qualquer impedimento na utilização desse serviço por
essas empresas em função da presença do BNDESPar ou dos fundos de pensão nas
teles.
O fato é que as concessionárias foram incapazes de universalizar a telefonia
fixa e também a banda larga. Outro fato é que esses monopólios cobram tarifas
extorsivas para oferecer um serviço de péssima qualidade em telefonias fixa e
móvel e em banda larga. De acordo com a PNAD 2008, apenas 44,5% dos domicílios
brasileiros possuem telefone fixo e 17,9% não têm nenhum telefone. Também
pudera, com o valor da assinatura de cerca de R$ 40,00 não havia como ampliar de
forma expressiva o número de lares com telefone. O mesmo corre em relação à
banda larga, na qual os preços salgados impedem a massificação. Em São Paulo,
área de atuação da Telefónica, assinatura custa aproximadamente R$ 54,90 por um
serviço de 1 Mbps. Em outras capitais, a Oi cobra R$ 49,90 mais assinatura
básica. No interior, R$ 109,90 mais assinatura básica.
Pesquisa realizada pela BBC registra que 91% dos brasileiros respaldam a posição
do governo de implantar o PNBL e apontam o acesso à internet como um direito
fundamental do ser humano. O PNBL a ser implantado sob a batuta da Telebrás
deverá estabelecer as condições para que a internet rápida chegue com qualidade,
velocidade e a preços módicos em cada localidade brasileira.
V.A.
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