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BC mantém Selic em 8,75%, o
maior juro real do mundo
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu pela quinta
reunião consecutiva manter a taxa Selic em 8,75% ao ano. Foram cinco votos
pela manutenção e três votos pela elevação em 0,5 ponto percentual. Segundo
levantamento da consultoria UPTrend, o Brasil continua com a maior taxa real
de juros do mundo (4,0%), descontada a inflação projetada para os próximos
12 meses.
Cinco países do G-7, os chamados países ricos, estão com juros reais abaixo
de zero: Inglaterra, com -2,9%; EUA, -2,4%; Canadá, -1,6%; Itália, -0,6%; e
França, -0,1%. Na comparação com os EUA, o diferencial de juros é de 6,4
pontos percentuais, um forte atrativo aos dólares vadios – e sem lastro –
emitidos pelo FED, banco central norte-americanos, na guerra cambial
deflagrada após a crise.
Mesmo com algumas restrições, o setor empresarial considerou acertada a
decisão do Copom. “Isso indica que o Banco Central percebe que as pressões
inflacionárias existentes são temporárias e sazonais”, disse o presidente da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, para quem o
aumento dos juros no atual momento seria inadequado. “Apesar dos resultados
positivos atualmente observados, a indústria ainda está em recuperação e não
alcançou os níveis pré-crise”, acrescentou.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp), Paulo Skaf, o “governo foi sensível ao nosso apelo e renovou as
condições de crescimento. Ganham todos, em especial o Brasil”.
“A alta é um obstáculo para o mercado doméstico, que impediu uma queda maior
do PIB em 2009”, afirmou em nota o presidente da Federação do Comércio do
Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), Orlando Diniz.
Por seu lado, dirigentes das centrais reprovaram a manutenção do Brasil como
campeão dos juros altos. “A decisão de manter a taxa Selic é uma
perversidade para com os trabalhadores. O termômetro dos tecnocratas do
Banco Central tem se mostrado extremamente frio com o setor produtivo, que
gera emprego e renda, mas apresenta uma temperatura muito agradável para os
especuladores”, condenou em nota o presidente da Força Sindical, Paulo
Pereira da Silva (Paulinho).
Para o presidente da CGTB, Antonio Neto, “após importar os efeitos da crise
econômica internacional e contribuir significativamente para o resultado
negativo do PIB do ano passado, o Copom insiste na manutenção de uma taxa de
juros restritiva para o setor produtivo e altamente atrativa para os
capitais especulativos”.
Através do boletim Focus, divulgado semanalmente pelo BC, e de seus
colunistas na mídia antidemocrática, os especuladores têm pressionado pelo
aumento dos juros, chutando um aumento da taxa básica de juros para 11,25%
para este ano e inclusive para 2011. A próxima reunião do Copom acontecerá
nos dias 27 e 28 de abril.
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