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Virgílio vocifera contra Lula e Senado
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio
(AM), ocupou a tribuna da Casa para investir contra o presidente Lula, por
conta da matéria de “Veja” sobre grampos, num discurso assistido por apenas
um senador no plenário. “Não quero nada espetaculoso, mas o justo talvez
fosse o presidente da República vir aqui prestar satisfações ao Congresso,
se fosse este um congresso que se desse o respeito, que se sentisse atingido
e afrontado como eu estou me sentindo”, disse. “Isso nos Estados Unidos
daria impeachment”, gritou ele.
Em seu afã de fazer passar a matéria da
intriguista revista como se fosse supra-sumo da verdade sobrou até para os
seus colegas e para o presidente do Senado. Ele declarou que lamenta “muito
a pequena mobilização do Congresso, quase como se esta Casa não estivesse
disposta a se auto-defender” e que o Senado não “pode passar para a história
com esse nível de baixa respeitabilidade”. “E houve uma reação pífia do
presidente desta Casa, Senador Garibaldi Alves Filho, reação pífia,
inclusive com essa história de trazer para o Senado a possibilidade de o
grampo ter partido daqui. E mais ainda, sou informado por setores da
segurança do Senado que teria dado um prazo de cinco dias para que eles
elucidassem tudo”. Para a investigação do Senado ele não brada por rapidez,
reclama que o prazo é pequeno.
Virgílio, que em outubro de 2005 ameaçou “bater
na cara do presidente Lula ou de qualquer outra pessoa”, diz agora que é
amiguíssimo dele desde pequenininho. Talvez porque viu que a fórmula não deu
certo quando em 2006, candidato a governador do Amazonas, foi repudiado
pelas urnas obtendo apenas 5% de votos, onde Lula, por sinal, recebeu 78%.
Seu disfarce não resistiu 1 minuto porque mais adiante voltou a repetir que
o caso “poderia levar até ao impeachment do presidente da República”. Disse
ainda que “raiz do problema está no Planalto” e proclamou que “isso já não
comporta delongas”.
Depois ele confidenciou que vai manter com
Gilmar Mendes “um contato muito forte, muito expressivo”. Mendes foi
advogado-geral da União no governo do PSDB e indicado por Fernando Henrique
Cardoso para o STF.
“Aliás,
eu estou falando quase sem testemunhas, porque, enfim, estou falando... O
que eu disser é como se eu estivesse conversando aqui num confessionário: só
estamos eu e um padre, porque estamos aqui V.Exª e o Senador Papaléo Paes
apenas”, frisou.
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