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Casa que Serra mora está no nome da filha
sócia de Verônica Dantas
O candidato José Serra se autodenominou “ficha limpa” para insistir na farsa
do dossiê, na sexta-feira, após a Receita Federal divulgar que não houve
crime político-eleitoral na quebra de sigilo, mas crime comum.
Entretanto, ele declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio
total de R$ 1,42 milhão, que poderia ser o dobro se a casa onde reside há
mais de 15 anos no Alto de Pinheiros não estivesse registrada em nome de sua
filha, Verônica Serra – conforme confirmou à IstoÉ sua assessoria de
campanha. O imóvel foi adquirido em 2001 por R$ 475 mil, mas hoje está
avaliado em R$ 2 milhões.
A filha do candidato, Verônica, foi flagrada em sociedade com a irmã de
Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, em uma empresa chamada Decidir.com.br,
criada com sede na Flórida. A parceria só ficou mais conhecida após a prisão
de Verônica Dantas pela Polícia Federal – na Operação Satiagraha, deflagrada
pela Polícia Federal em 2008. Ela foi indiciada pela PF pelos crimes de
lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de
divisas e crime de formação de quadrilha e organização criminosa. Em
dezembro de 2009, a PF a indiciou por tentativa de suborno.
Com a repercussão, a própria Verônica Serra emitiu nota, tentando negar a
sociedade.
Segundo ela, as duas não eram sócias, apenas integravam o “conselho de
administração” e que o objetivo da empresa não era facilitar que seus
clientes se tornassem fornecedores do Estado. Mas, na tentativa de negar a
sociedade com a irmã de Dantas, revelou que chegou à empresa através do
grupo International Real Returns (IRR), que detinha uma participação
minoritária na Decidir.com, que tinha sede fica na Argentina.
“Eu era representante do IRR – não sua sócia e nem acionista”, disse. No
entanto, com a sua entrada é que também veio o interesse de alguns
investidores, como o fundo Citibank Venture Capital (CVC), que por “ter um
acordo com o CVC Opportunity no Brasil, decidiu convidá-lo para co-investir
na Decidir”.
Segundo Verônica Serra, foi aí que entrou Verônica Dantas, indicada “pelo
Opportunity para representá-lo no conselho de administração da Decidir”. No
documento de registro da empresa, todavia, consta que ambas faziam parte da
diretoria executiva. A filha de Serra resolveu sair da Decidir em 2001 e,
junto com ela, foram-se embora o Citi, o Opportunity e os investidores.
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