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Bancoop:
Justiça não vê consistência e rejeita o pedido do promotor Blat
A Justiça de São Paulo negou, na sexta-feira
(12), o pedido de bloqueio das contas da Cooperativa Habitacional dos Bancários
de São Paulo (Bancoop), solicitado pelo promotor José Carlos Blat. O juiz Carlos
Eduardo Lora Franco, do Departamento de Inquéritos Policiais e Corregedoria da
Polícia Judiciária da Capital (Dipo), determinou também que o promotor esclareça
suas solicitações, para que não haja uso político do caso.
“A manifestação apresentada pelo Ministério
Público descreve uma série de fatos e circunstâncias, narrando como seria o
suposto esquema de desvio de valores da Bancoop, inclusive para fins de
financiamento ilícito de campanhas políticas. Porém, não há em tal manifestação
a indicação clara e precisa dos elementos de prova dos autos que sustentam tal
narrativa, bem como os pedidos formulados”, afirmou o magistrado.
Carlos Eduardo Lora Franco rejeitou ainda o
pedido para a quebra do sigilo bancário e oitiva no inquérito de João Vaccari
Neto, ex-presidente da cooperativa e atual tesoureiro do PT, exigindo que o
promotor “esclareça a conveniência” de tais pedidos nesse momento. O magistrado
anotou que “não se pode desconsiderar a repercussão política” que o assunto
adquiriu, a partir do momento em que o pedido formulado por José Carlos Blat foi
divulgado em matéria da Veja “antes mesmo que fosse apresentado em juízo”.
DOLEIRO
João Vaccari Neto negou as novas acusações de
“Veja”, rechaçando, em nota divulgada sábado (13), outra matéria sobre o caso
publicada nesta semana. “Trata-se novamente de matéria sem fundamento ou provas
como outras dessa revista que tem como objetivo atacar sistematicamente o PT,
visando influenciar o processo eleitoral deste ano”, ressaltou.
“As acusações desta semana se baseiam
exclusivamente em depoimento cujo conteúdo não é verdadeiro, que teria sido
prestado em 2005 pelo doleiro Lúcio Bolonha Funaro, buscando benefício de
delação premiada”, disse, lembrando que o Ministério Público não levou as
acusações em consideração e nenhuma denúncia foi apresentada contra ele.
DESMANCHES
A revista “Veja” usa Blat hoje como fonte, mas
em 2006 o acusou de irregularidades. Segundo “Veja”, José Carlos Blat foi
afastado do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco),
em 2004, devido a uma investigação da Corregedoria do Ministério Público. As
investigações apontaram irregularidades nas suas ações contra desmanches de
veículos roubados.
“Promotores afirmaram que uma seguradora de
veículos indicava quais locais deveriam ser invadidos e quem deveria ser preso.
Nessas ações três funcionários dessa seguradora apresentavam-se como peritos.
Todo o estoque era apreendido e, em vez de seguir para a polícia, a maior parte
das peças era desviada para um depósito de terceiros”, afirmou Veja, em matéria
publicada em 5 de fevereiro de 2006.
O promotor moveu ação judicial contra a revista,
reclamando indenização por danos morais por causa da matéria, onde também era
acusado de tentar se livrar de multas do Detran e beneficiar investigados pelo
Gaeco. Em dezembro de 2008, o juiz Luiz Otávio Duarte Carneiro, da 4ª Vara Cível
de São Paulo, livrou a Editora Abril de pagar a indenização reclamada por Blat,
no valor de R$ 20 mil
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