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Quem sentou antecipadamente na cadeira foi FH,
disse Dilma
A candidata a presidente da República, Dilma
Rousseff, rebateu na segunda-feira (30) a crítica do candidato do PSDB, José
Serra, que a acusou de sentar precocemente na cadeira presidencial em resposta a
uma declaração sua de que “estenderá” a mão para o tucano. “Não só não sento na
cadeira porque acho um desrespeito com o eleitor como também acho que dá azar”,
disse a petista.
“Não só é injusto, como ele está passando para
mim uma característica do PSDB. Quem literalmente sentou na cadeira antes da
eleição foi o ex-presidente FHC, que ele esconde sistematicamente”, devolveu
Dilma Rousseff, numa alusão a Fernando Henrique Cardoso, que chegou a tirar uma
foto sentado na cadeira de prefeito de São Paulo, em 1985, sendo derrotado em
seguida por Jânio Quadros.
A ex-ministra também aproveitou a entrevista,
concedida em um hotel em São Paulo, para reiterar que não fará ajuste fiscal
“sob hipótese alguma”. “O Brasil não precisa mais de ajuste fiscal”, enfatizou,
assinalando que as notícias que dizem que ela fará um ajuste fiscal são
factóides.
“O pessoal tem mania de olhar o ajuste fiscal só
pelo lado da despesa e esquece que ele também é feito pelo lado da receita”,
acrescentou, lembrando que o país vive “o momento de uma nova era” e que essa
política promoveu cortes “absolutamente lineares”, atingindo desde salários do
funcionalismo a investimentos no governo de FHC. Ela criticou o endividamento da
gestão tucana (1995-2002), destacando que durante o aperto fiscal promovido por
FHC a dívida pública duplicou, apesar da entrega de R$ 100 bilhões em patrimônio
público.
A candidata destacou que na gestão do presidente
Lula a relação dívida líquida sobre o PIB caiu de 60% no início de seu governo
para 41% e que “a tendência é que chegue a 30%”. “Não acho nada similar o que
foi feito no governo Fernando Henrique e o que foi feito no governo Lula”,
disse.
Dilma rebateu ainda, com números, as ilações do
candidato tucano, para quem a candidata não teria o direito de ir à favela de
Heliópolis, porque o governo federal não teria feito nada na região. Segundo a
candidata, foram destinados R$ 148,4 milhões desde 2007 para obras de
urbanização em parceria com a prefeitura e outros R$ 162 milhões para a favela
de Paraisópolis, também na capital paulista.
“Eu lamento muito que exista esse nível de
distorção a respeito dessa obra de Paraisópolis e de Heliópolis, que é feita com
o orçamento geral da União, porque, naquele momento, a prefeitura não tinha
condições de se endividar”, ressaltou. A candidata explicou que existem três
contratos do PAC para construção e reforma de moradias, além de implantação de
infraestrutura nesses locais.
ENTREVISTA
Dilma também foi entrevistada na segunda-feira à
noite no Jornal da Globo e voltou a repudiar a acusação sobre quebra de sigilo
de imposto de renda dos tucanos. “É absolutamente injustificável que uma pessoa
acuse outra sem apresentar provas”.
“Aliás, se essa situação for colocada dessa
forma, eu queria dizer uma coisa: o partido do candidato meu adversário tem uma
trajetória de vazamentos e grampos absolutamente expressiva. Por exemplo,
vazamento das dívidas dos deputados federais com o Banco do Brasil nas vésperas
da votação da emenda da reeleição. Os grampos que existiram no BNDES e também os
grampos feitos juntos ao próprio gabinete, o secretário da Presidência da
República”, lembrou. Ela descartou apertos fiscais e negou que haja discussão
sobre divisão de cargos entre os partidos aliados.
“É uma questão assim de princípio”. Dilma
ressaltou que os investimentos no governo Lula cresceram, ressaltando que vai
“precisar investir muito mais”.
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