Prefeitura põe fim à aprovação automática no ensino de S. Paulo

Reforma educacional retoma obrigatoriedade da lição de casa, boletins e adota provas bimestrais para todos os estudantes do Ensino Fundamental

A Prefeitura de São Paulo anunciou na última quinta-feira (15) a proposta de reforma do sistema educacional que, dentre os principais temas, acaba com o sistema de aprovação automática vigente na maioria das escolas do município há 21 anos.

Para o prefeito Fernando Haddad (PT) a chamada aprovação automática “não estava dando certo, razão pela qual 38% das crianças chegam aos 10 anos sem ler e escrever, analfabetas, É quase metade das crianças”, disse durante o lançamento do programa.

Com a reforma, existe novamente a possibilidade de repetência aos estudantes que não atingirem o desempenho exigido desta vez em cinco estágios do ensino básico. Além de criar um sistema de dependência para os alunos do 7º ao 9º ano, ou seja, quando reprovado em algumas disciplinas, o aluno passa para a série seguinte tendo que cursar as disciplinas da atual série junto as em que foi reprovado.

Segundo o secretário municipal de Educação de São Paulo, Cesar Callegari, a atual situação da rede de ensino é um “fracasso escolar disfarçado. As pessoas, só tardiamente, vão descobrir que não aprenderam o que tinham que aprender na hora certa. Então, o que nós pretendemos é tomar um conjunto de providências que cada necessidade, no momento em que ela se apresenta em uma criança ou em um jovem, possa ser atendida por professores e com um apoio pedagógico complementar”, afirmou o secretário.

O novo projeto do governo municipal abrange todos os níveis do ensino básico. Divide o Ensino Fundamental em três ciclos, o da alfabetização (1º ao 3º ano), interdisciplinar (4º ao 6º ano) e o autoral (7º ao 9º ano) e não mais em dois como atualmente, retoma a obrigatoriedade da lição de casa, boletins e adota provas bimestrais.

Atualmente até o 5º ano, alunos têm apenas um professor (generalista). A partir do 6º passam a ter aula com vários professores (especialistas). Com a reforma os alunos entre o 4º e o 6º ano entram numa faze de transição gradual do modelo generalista para o de especialistas. E no ciclo autoral os alunos deverão fazer um Trabalho de Conclusão de Ciclo (TCC), obrigatório para terminar o 9º ano.

O plano prevê ainda a construção de 38 novas escolas com 63.293 vagas, 20 CEUs em que pelo menos dez aproveitarão as estruturas de Clubes Escola e ainda acabará com o turno da fome (período das 11h às 15h) presente em 23 escolas.

Hoje há oito escolas municipais que oferecem o ensino médio com currículo regular e a Prefeitura propõe articular o currículo dessas escolas com parceria com o Instituto Federal de São Paulo.

Na Educação Infantil o projeto visa construir 253 creches com 52.998 vagas e 66 pré-escolas com 35.530 vagas reduzindo o déficit de 127 mil crianças na fila de espera nas creches para 38.472 crianças.

Hoje o Ensino de Jovens e Adultos (EJA) é focado nas aulas do currículo regular, com a reforma a Prefeitura irá firmar parcerias com o Senai e o Senac para aproximar os alunos do EJA a cursos técnicos e profissionalizantes e criar um sistema para avaliar a qualidade do EJA que hoje não existe.

RESPOSTA

Em nota, a União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES-SP), que considera a aprovação automática como um “nefasto mecanismo”, manifestou seu apoio as medidas anunciadas pela Prefeitura. “É elogiável, no plano apresentado pela Prefeitura, a abolição da aprovação automática com o advento de uma avaliação sistemática e comprometida dos educandos, restituindo a autoridade dos professores”, afirma o presidente da entidade Rodrigo Lucas.

Segundo a nota também merece ser ressaltada “a busca pela retomada da ideia-força exercitar/avaliar, estimulando os alunos nos deveres de casa e proporcionando aos professores condições pedagógicas de cobrar o exercício realizado aferindo nota avaliativa da performance deste aluno, podendo identificar assim as insuficiências do educando ou até mesmo do próprio educador, tornando ainda possível o acompanhamento de pais e responsáveis que mergulham com seus filhos no processo de desenvolvimento de novos cidadãos plenos do direito a uma educação pública gratuita e de qualidade”.

O plano fica aberto para cunsulta popular até 15 de setembro no site www.maiseducacaosaopaulo.com.br.

 
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