Responsáveis por receber as propinas de cartel são ligados ao PSDB, afirma IstoÉ
 

As investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Ministério Público revelam quem são os agentes ligados ao PSDB envolvidos no esquema de propinas e superfaturamento que desviou quase meio bilhão de reais dos cofres públicos para deixar as falcatruas correrem soltas e multiplicarem os lucros das multinacionais Alstom, Siemens, Bombardier, CAF, TTrans e Mitsui nos contratos do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) com o Governo do Estado de São Paulo nos 20 anos de administrações tucanas.

Reportagem da revista IstoÉ desta semana, revela o nome de cinco autoridades envolvidas que atuaram no esquema sob o comando de dois homens de confiança das gestões tucanas de José Serra e do atual governador, Geraldo Alckmin. Eles são: José Luiz Portella, secretário de Transportes Metropolitanos na administração de Serra e Jurandir Fernandes, secretário de Alckmin. Segundo as investigações, Portella e Fernandes comandaram as ações dos técnicos Décio Tambelli, Ademir Venâncio, José Jorge Fagali, José Luiz Lavorente e Sérgio Avelleda.

Em documento analisado pelo Cade, José Luiz Lavorente, então diretor de Operação e Manutenção CPTM, é descrito como responsável em receber em mãos a propina do cartel e distribuí-la aos políticos do PSDB. Lavorente é pessoa de confiança de Alckmin. Foi o governador que o promoveu ao cargo de direção na estatal, em 2003.

Lavorente responde uma ação movida pelo MP-SP por superfaturamento e desrespeito à lei de licitações. O processo refere-se a um acordo fechado por meio de um aditivo, em 2005, que possibilitou a compra de 12 trens a mais do que os 30 licitados, em 1995 e só seria valido até 2000. Atualmente Lavorente é coordenador da Comissão de Monitoramento das Concessões e Permissões da secretaria de Transportes.

Décio Tambelli, ex-diretor de Operação do Metrô e atual coordenador da Comissão de Monitoramento das Concessões e Permissões da secretaria de Transportes Metropolitanos, está na lista dos servidores que receberam propina das múltis, segundo depoimentos feitos por ex-funcionários da Siemens ao MP-SP. Tambelli chegou ao cargo que ocupa hoje pelas mãos de Jurandir Fernandes e mesmo sob alvo das investigações é o atual responsável por acompanhar e fiscalizar o andamento da Linha 4 – Amarela do Metrô. Nos e-mails em que Tambelli é mencionado, executivos da Siemens narram os acertos entre as companhias do cartel.

Mais um dos amigos de Jurandir Fernandes e de Alckmin, Sérgio Avelleda, foi presidente do Metrô em 2011, por menos de um ano e meio. Avelleda foi afastado por acusação de improbidade administrativa. Ele era suspeito de colaborar em uma fraude na concorrência da Linha 5 do Metrô, ao não suspender os contratos e aditamentos da concorrência suspeita de formação de cartel, então a juíza Simone Gomes Casorretti, determinou sua demissão. Avelleda obteve uma liminar para ser voltar ao cargo e pediu demissão. Hoje é consultor na área de transporte sobre trilhos e presta serviços para empresas interessadas em fazer negócios com o governo estadual.

O ex-diretor da CPTM, Ademir Venâncio enquanto esteve na direção da estatal se reunia com os executivos das múltis em casas noturnas de São Paulo para fornecer informações privilegiadas e acertar como seria a participação delas nos contratos.

Em meados dos anos 2000, Venâncio sai da CPTM e segue na área da engenharia com empresas de consultoria que prestava serviços aos governos do PSDB e que o MP suspeita que esses serviços eram a cortina de fumaça para garantir vista grossa na execução dos serviços prestados por empresas do cartel. As mesmas que Venâncio mantinha relação quando era servidor público.

Em 2001, Alckmin nomeou Jurandir Fernandes secretário estadual de Transportes Metropolitanos, nesse período tanto a CPTM quanto o Metrô firmaram contratos superfaturados com empresas do cartel.

Arthur Teixeira é o responsável pela abertura de empresas fantasmas no Uruguai usadas no esquema. Ronaldo Moriyama ex-diretor da MGE, empresa que servia de intermediária para o pagamento da propina aos tucanos é conhecido no meio por sua agressividade ao subornar diretores do Metrô e CPTM, segundo depoimentos obtidos pelo MP. Os dois já foram fotografados na companhia de Fernandes.

No governo Serra, José Luiz Portella era o secretário da pasta mais lucrativa para o PSDB e cumpria papel idêntico ao de Jurandir Fernandes no governo Alckmin. Portella é citado em uma série de e-mails trocados por executivos da Siemens em junto com Serra sugerir a Siemens que se associasse com a espanhola CAF em uma licitação para compra de 40 novos trens.

Durante a gestão de Portella, José Jorge Fagali era o presidente do Metrô e teve de conviver com o fato do seu irmão ser acusado de ter recebido cerca de US$ 10 milhões da francesa Alstom.

As investigações sobre a ação do cartel e o pagamento de propinas ainda não foi concluída e novos indícios surgem a cada momento. Difícil mesmo é alguém posar de vítima quando seu envolvimento com a quadrilha está cada dia mais em evidência.


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