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Polícia paulista em estado de greve contra o
PSDB: Pior Salário Do Brasil
Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de
São Paulo mantém estado de greve e mobiliza
contra “o descaso e o desrespeito com a
segurança pública”
“A
Polícia Civil do Estado de São Paulo, o mais
rico do país, ga nha o mais baixo salário, o que
revela o desrespeito e o descaso dos sucessivos
governos do PSDB com a segurança e o bem-estar
da nossa população”, afirmou o presidente do
Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de
São Paulo (Sindpesp), José Martins Leal. No site
do Sindicato lê-se a chamada em letras garrafais:
“Delegado de São Paulo é PSDB: Pior Salário do
Brasil”.
A categoria suspendeu temporariamente a paralisação
realizada no dia 13 de agosto e se mantém em
estado de greve após o Tribunal Regional do
Trabalho ter acatado o pedido de liminar do
Ministério Público do Trabalho solicitando a
instalação de dissídio coletivo. “É um momento
histórico. Com a decisão do TRT, conseguimos que
se dê atenção aos nossos reclamos sobre a
necessidade de maiores investimentos na
segurança pública, para que possamos garantir um
atendimento de qualidade nas delegacias”,
acrescentou Leal. Antes da ameaça de greve e da
determinação do Tribunal, lembrou o delegado, o
governo José Serra vinha ignorando a pauta de
reivindicações apresentada pelas entidades
representativas da Polícia, “chegando até mesmo
a impedir a veiculação de inserções na televisão
que informavam a população sobre a situação
vivida em São Paulo”. “O governador fechou as
portas do Palácio dos Bandeirantes para a nossa
pauta”, sublinhou.
ÊXODO
Conforme Leal, faltam profissionais nas delegacias porque
está ocorrendo um êxodo enorme diante dos baixos
salários e da falta de condições apropriadas de
trabalho, que tem levado ao stress e a
multiplicação das doenças profissionais. “As
perdas no caso dos delegados especiais chegam a
91%, com valores aquém das necessidades de
profissionais com estas responsabilidades. A
verdade é que após ter se esmerado em passar no
concurso, há uma decepção com o primeiro
holerite, levando os delegados para outros
estados onde se paga melhor ou para a Polícia
Federal”, ressaltou. Se o achatamento salarial é
algo visível para quem chega, a situação é ainda
mais perversa para quem sai, alertou o delegado,
já que a política de bônus e gratificações serve
para arrochar os proventos dos aposentados. “É
horrível, há uma redução de 30% na hora da
aposentadoria. Há quase quatro anos não se vê um
centavo de reajuste, o que compromete a
qualidade de vida dos profissionais”, condenou.
Frente à carência de delegados, escrivães e investigadores
nas delegacias, alertou Leal, muitos
profissionais têm sido obrigados a conviver com
o desvio de função, o que tem prejudicado
sobremaneira a sua atuação. “Muitas vezes um
investigador está tendo que transportar presos,
ou a prestar socorro, o que acaba comprometendo
o andamento das investigações”, explicou o
delegado, frisando o impacto negativo óbvio para
a segurança.
O presidente do Sindpesp alertou que “ao longo desses anos,
os 188 mil policiais civis e militares de São
Paulo vêm sendo tratados com total descaso,
enfrentando o pior arrocho salarial, mas fazendo
todo o possível para atender o homem de bem, que
precisa do nosso apoio”.
Ao lado das demais entidades representativas das carreiras
policiais civis do Estado de São Paulo, declarou
Leal, o Sindicato luta em prol da segurança
pública, “buscando de maneira incansável e coesa
a valorização das carreiras, a melhoria dos
vencimentos e a participação no projeto de
reestruturação da Polícia Civil”. “O movimento
ganhou força e vulto devido à união de todos os
irmãos policiais. Nossa pauta contém as
necessidades inadiáveis da comunidade, aquelas
que precisam ser atendidas para que não se
coloque em perigo iminente a sobrevivência, a
saúde e a segurança da população”, destacou.
O presidente da Associação dos Delegados da Polícia Civil
de São Paulo (Adpesp), Sérgio Roque, enfatizou
que a mobilização unitária fez vir a público uma
luta por justiça, dignidade e respeito. “Não
queremos apenas melhores salários. Nossa
proposta é de uma completa reestruturação da
Polícia Civil, mas o governador, mal informado,
fechou as portas para as nossas justas
reivindicações”, protestou. |