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Professores de SP ampliam a greve contra baixos
salários
Conforme a Apeoesp, na capital, 48% dos
professores já aderiram à greve. Categoria está
reivindicando reajuste salarial de 34,3%
A greve dos professores do Estado de São Paulo,
iniciada na segunda feira, continua e vem
ampliando sua mobilização na capital e no
interior. De acordo com Maria Izabel (Bebel),
presidente do Sindicato dos Professores do
Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), com três
dias de greve, a adesão já atingia 55%.
Os professores denunciam o descaso do Governo do
Estado com os profissionais da educação que,
desde 1998, não obtêm nenhum reajuste. Para
recuperar essas perdas, a categoria reivindica
reajuste salarial de 34,3%, ao invés da política
de bônus ministrada pelo governo que, ao invés
de apresentar um plano de política salarial
abrangente, como defende o sindicato, faz a
avaliação por mérito dos professores. Segundo
Bebel a avaliação “peca porque exclui a maioria,
sendo que até 20% dos professores podem ter 25%
de reajuste”. “Essa é a opção política do Estado
na forma de valorizar o profissional da área de
educação”.
O descaso com os professores pode ser observado
no valor da hora-aula pago pelo Estado de São
Paulo. Segundo o Centro de Estudos e Pesquisas
Educacionais e Sindicais (CEPES) da Apeoesp, o
valor, em São Paulo, pago para os professores do
ensino básico II é R$ 7,58, valor menor do que o
pago no Acre (R$ 11,17), Roraima (R$ 10,32),
Alagoas (R$ 10,15), Tocantins (R$10,10) e
Espírito Santo (R$ 9,60).
Em declaração ao HP, Bebel ressaltou ainda que,
como se não bastasse, “os gastos previstos no
orçamento para a educação estão a baixo do
limite prudencial (teto recomendado para os
gastos do poder público), sendo que o governo já
gastou R$ 700 milhões em política de bônus, que,
se fossem convertidos em reajuste, seria
equivalente a 6% (no caso de ser a todos os
profissionais de educação do estado), ou 10% de
reajuste (no caso de ser apenas aos
professores)”.
A jornada ruim e a baixa remuneração, segundo a
presidente da Apeoesp, também contribuem para um
mau desempenho dos professores. “São 100 mil
professores em caráter temporário e em serviço
precário. É vergonhoso”. Um professor precisa
trabalhar 40 horas semanais para receber R$
1.515,53.
Em relação às condições precárias, os
professores relatam em manifesto: “O governo
mente na sua propaganda. Onde estão as escolas
com dois professores em sala de aula? Onde estão
os laboratórios de informática abertos nos fins
de semana com monitores?
Através de provas e avaliações, o governo
discrimina professores, não garante cursos de
formação no local de trabalho, mantém salas
superlotadas e não realiza concursos públicos.
Hoje, 100 mil professores (ou 48% do total) são
temporários. Não é possível trabalhar bem nestas
condições, o que prejudica a qualidade do
ensino”.
Aprovada por tempo indeterminado, a greve teve
adesão em diversos municípios. Na quarta-feira,
foi divulgado o seguinte índice de paralisação:
Capital: 48%, Araraquara: 50%, Franco da Rocha:
70%, Itaquaquecetuba: 60%, Itapetininga: 69%,
Penápolis: 80%, Ribeirão Preto: 50%, Rio Claro:
63%, Taubaté: 75%, Bauru (60%), Sorocaba (60%),
região do Vale do Paraíba (65%).
Na quinta-feira, as sub-sedes da Apeoesp
realizam assembléias regionais para avaliar o
movimento, e sexta feira (12) haverá nova
assembléia geral. |