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“Defender o interesse
da coletividade por uma saúde eficiente contra os que vêem na doença alheia
fundamentalmente uma fonte para engordar os seus ganhos privados”
Senhoras e senhores,
As centrais sindicais estão aqui reunidas para o lançamento
do Fórum Nacional Permanente dos Trabalhadores sobre Saúde Suplementar, que
contará também com a participação do DIEESE, do DIESAT e da ANS.
Numa situação em que temos 20 milhões de celetistas e mais
de 40 milhões de brasileiros associados a planos de saúde, as centrais
sindicais não poderiam se omitir e assumem de frente a defesa desses
trabalhadores, que freqüentemente sofrem toda sorte de abusos por parte das
operadoras.
Mas a pergunta que precisamos responder de forma clara é:
não haveria contradição entre essa defesa dos trabalhadores e a luta que
travamos pela saúde pública e pelo SUS?
Vejamos o que acontece com o SUS hoje. Dois terços dos
pacientes sofrem de doenças relacionadas com a hipertensão e a diabetes e
suas complicações. Hipertensão e diabetes, quando descobertas precocemente,
trata-se com um pouco de exercício, um pouco de dieta e alguns remédios
baratos. Nada que dê muito lucro.
PREVENÇÃO
O governo está implantando a atenção básica em todo o
país, o Saúde da Família, que pode prevenir o agravamento da hipertensão e
da diabetes. 49% da população já é atendida hoje, e até 2010 a meta é
atingir 67%, 130 milhões de brasileiros.
No entanto, a resistência não é pequena. A mercantilização
da saúde resiste à atenção básica e ao trabalho preventivo. Na cidade do Rio
de Janeiro só 8% da população tem Saúde da Família. Brasília tem 6%.Por quê
isso acontece? Sem atenção básica, os hipertensos e diabéticos evoluem para
o infarto do miocárdio e para a insuficiência renal; E aí o governo gasta R$
1,2 bilhão com diálise. 90% disso, mais de R$ 1 bilhão anuais, com
instituições privadas. Para esses mercadores da saúde a atenção básica é uma
ameaça.
Fica claro que a mercantilização da saúde, insatisfeita com
o papel complementar que a Constituição e a Lei 8080 lhe assegura, quer
assumir um papel dirigente, priorizando a sua rentabilidade, em detrimento
da saúde do povo brasileiro e dos trabalhadores.
Entendemos, portanto, que a luta em defesa do SUS, ao lado
da luta pelo aumento das verbas para a Saúde e pela melhoria da gestão,
passa pela luta para que a medicina mercantil se restrinja ao seu papel
complementar e para que o SUS seja dirigido efetivamente em função da melhor
saúde possível para o povo brasileiro.
Na opinião das centrais sindicais, a luta contra os abusos
das operadoras que travaremos aqui neste Fórum tem exatamente a mesma base:
defender o interesse da coletividade por uma saúde eficiente contra os que
vêem na doença alheia fundamentalmente uma fonte para engordar os seus
ganhos privados.
Teremos muitos temas a debater, mas gostaríamos de
ressaltar alguns: a luta contra a subnotificação dos acidentes de trabalho.
Essa notificação é compulsória por lei, mas as empresas para manter a sua
certificação ISO fazem acordos com os planos de saúde para que essas
notificações não sejam emitidas. É necessário estudar providências a esse
respeito.
Teremos também a luta para acabar com a exclusão dos
acidentes de trabalho e das doenças profissionais do rol de procedimentos
obrigatórios dos planos de saúde, emitido pela ANS. Essa exclusão faz com
que hoje praticamente nenhum plano de saúde atenda acidente de trabalho ou
doença profissional. Isso muitas vezes coage o trabalhador a se submeter à
não notificação para poder ser atendido pelo plano. Não há justificativa
para essa situação. São necessárias mudanças.
Temos ainda a luta para impedir os aumentos descontrolados
que sofrem os planos coletivos. Os planos individuais estão hoje mais
regulamentados. Exatamente por causa disso, as operadoras trabalham
preferencialmente com os planos coletivos que já perfazem 77% do total de
planos. E nesses a regulamentação é inteiramente insuficiente, vale
freqüentemente a lei da selva. Precisamos trabalhar também nesta questão.
ARTICULAÇÃO
Sabemos que as soluções para essas e outras questões
relevantes, que serão tratadas e encaminhadas por este Fórum, passam pela
necessária articulação entre diversos atores cujas responsabilidades são
institucionalmente definidas. Entendemos a necessidade de fortalecer a
participação dos trabalhadores nas diversas instituições onde essa temática
é tratada, em especial a Câmara de Saúde Suplementar.
Para concluir, gostaria de registrar o nosso reconhecimento
à Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS. Ao tomar a iniciativa de
provocar este debate com as centrais sindicais, desencadeou um processo
extremamente rico entre as centrais, que hoje gerou, pode-se dizer, uma
unidade exemplar entre elas nas questões de saúde.
CGTB, CTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT |