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Getúlio, Villa-Lobos e a construção de uma nação
ANTONIO
NETO *
Considerei
extremamente infeliz, para dizer o mínimo, o artigo do maestro Júlio
Medaglia publicado na “Folha” (Tendências e Debates – 22/09). Ao comentar o
Projeto de Lei sancionado pela Presidência da República, que torna
obrigatória a educação musical no ensino fundamental, o maestro Medaglia
ataca arrenegadamente o presidente Getúlio Vargas, que implementou um
programa semelhante no país com o apoio do maestro Heitor Villa-Lobos.
Aprovado
no Congresso recentemente, o projeto foi apoiado pelos inúmeros sindicatos
de músicos filiados à CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil). No
último dia 21 de julho, enviamos mensagem ao presidente Lula pedindo a sua
sanção, pois consideramos o ensino de música fundamental para o
desenvolvimento intelectual e cultural de nossas crianças. Ele proporcionará
que a nossa juventude tenha acesso à imensa riqueza cultural do país e
fortalecerá os laços destes com o sentimento de brasilidade.
Mesmo
tentando se mostrar favorável à idéia, ao espremer suas palavras, notamos
que o maestro, intencional ou desapercebidamente, acabou por despejar a sua
bile sobre Vargas para atingir Villa-Lobos e, na tangente, a nova lei. Sobre
Getúlio, se limita a repetir as mentiras marteladas anos a fio pelos setores
reacionários.
Getúlio
foi o pai da Nação brasileira. Foi um exemplo de dedicação ao povo e ao
Brasil. Deu a sua vida por ambos. Comandou uma Revolução e derrotou o que
existia de mais degenerado no país: a oligarquia, os Lacerdas da vida, a
UDN, os integralistas, os nazistas e fascistas.
Justamente
por isso surgiram frases como a repetida pelo maestro Medaglia, de que o
“ditador” era “encantado com as manifestações de massa do ufanismo
patriótico nazifascista”. A verdade é que Getúlio buscou a integração
nacional, a industrialização do país, lutou pelos trabalhadores e alicerçou
a estrutura que garante inúmeros direitos aos brasileiros.
Por estas
e outras coisas que Vargas é lembrado pelo povo e é alvo daqueles que
queriam acabar com a sua “Era”, que a cada dia se revigora diante de
exemplos como os da Petrobrás, que não pára de nos surpreender e realizar
façanhas da envergadura do Pré-sal. Mais que ninguém, Getúlio Vargas sabia a
importância do ensino, dos valores pátrios, fatores que o levaram a
instituir o ensino de música nas escolas num projeto encabeçado por
Villa-Lobos.
Parece-nos
contraditório tecer considerações elogiosas em demasia a Villa-Lobos e ao
mesmo tempo citar que ele participou e contribuiu [de forma intensa] com um
governo “nazifascista”. Não vemos outro motivo para o maior maestro
brasileiro ter integrado por 15 anos o governo Getúlio, ter fundado o
Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, ter sido o responsável pela
organização de concentrações orfeônicas que reuniam até 40 mil estudantes
sob a sua batuta, senão o de que ele comungava do mesmo pensamento e
ideologia do comandante da Nação.
Parece que
o maestro Medaglia não tem coragem de criticar Villa-Lobos por este
trabalho. Ou pior: os seus sentimentos não lhe permitem ser direto. Por isso
usa de subterfúgios, ataca Getúlio para atingir o nosso maior maestro.
De uma
forma ou de outra, Villa-Lobos é lembrado também por ter sido um cidadão com
vértebra, que não cedeu ao canto dos oligarcas que o queriam do seu lado.
Ele
escolheu o lado do povo, estando junto a Getúlio.
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Presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), do Sindicato
dos Trabalhadores em Processamento de Dados de São Paulo (SINDPD) e
vice-presidente da Federação Sindical Mundial (FSM).
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