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Japão
patina na crise e o governo
manda mais dinheiro aos bancos
Com novo
pacote foram colocados à disposição dos bancos US$ 351 bilhões. Enquanto que
para “estimular empregos” foram destinados US$ 10,8 bilhões
O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, anunciou um pacote de dinheiro para
os bancos como forma de tirar o país da estagnação.
Pendurada nas exportações principalmente para os EUA, a economia japonesa
foi a mais danificada entre os países desenvolvidos, depois da crise dos
títulos subprime que se alastrou a partir dos bancos dos EUA. A economia se
contraiu em 1,2% em 2008, e despencou em 5,0% em 2009.
Agora, que no primeiro trimestre, parecia se desenhar uma ligeira
recuperação – depois da débâcle de 2009, um ligeiro crescimento de 1,1% -
nova e abrupta queda no ritmo com o PIB crescendo em apenas 0,1% do PIB no
segundo trimestre.
Naoto Kan anunciou que o Banco do Japão vai colocar por mais 6 meses um
total de US$ 351 bilhões (30 trilhões de iens) à disposição dos bancos a
juro quase zero. Em dezembro do ano passado o governo havia colocado 10
trilhões e em março passou o volume para 20 trilhões, o que de nada
adiantou.
Já para “proteger empregos e estimular o investimento doméstico e os gastos
dos consumidores”, o governo anunciou recursos em dimensão 35 vezes menor
(US$ 10,8 bilhões, ou seja, 900 bilhões de iens).
Disse o primeiro-ministro japonês que estas medidas seriam “imediatamente
efetivas” e teriam “o grande potencial de estimular empregos”, no que quase
ninguém fez fé.
Além da paralisia da economia dos EUA, ajudou a detonar a economia japonesa
(baseada em exportações) a valorização do ien frente ao dólar (tornando as
exportações mais caras e as importações mais baratas. O ien valorizou-se em
mais de 12% em apenas quatro meses, atingindo o valor mais alto em 15 anos,
sem que o governo tomasse qualquer medida cambial para proteger sua moeda
cedendo a pressões nesse sentido por parte dos EUA.
Diante de tudo isso, o primeiro-ministro do Japão tentou apenas levantar o
ânimo entre seus conterrâne: “Dada a atual subida do ien e severa situação
econômica, decidimos esboçar as medidas econômicas ao final de agosto e
trabalhar medidas concretas baseadas nelas tão breve quanto possível” e
ainda acrescentou: “vou tomar as medidas determinadas quando necessário”.
Ao invés de fazer como a China que lançou medidas vigorosas de estímulo ao
mercado interno e manteve sua moeda no mesmo nível, querer, como quer o
governo japonês que os bancos privados sejam a vanguarda do investimento
produtivo, por livre e espontânea vontade total é de uma ingenuidade próxima
da demência ou pura falsidade para iludir o povo enquanto permite aos bancos
usar a crise para assaltar os cofres públicos.
Até o Wall Street Journal (talvez por que tem que dar algum nível de
orientação aos leitores que buscam instruções para participar do cassino
financeiro) deixou claro: “Enquanto o Banco do Japão tem tido a espectativa
de os bancos usassem o dinheiro para fazer empréstimos produtivos que
estimulem a economia, anzalistas dizem que os bancos, ao invés disso, têm
usado o dinheiro barato para comprar títulos do governo”.
A economia cresceu a ritmos de 10% (anos 1960), 5% (anos 1970) e 4% (anos
1980), a economia japonesa – estimulada pelas exportações aos EUA, que
tinham interesse de ajudar o crescimento do país frente aos vizinhos
socialistas, Rússia e China, com governo neoliberais, voltou os recursos ao
cassino especulativo que alimentou uma bolha na bolsa que a levou à quebra
em 1989.
Mesmo reduzindo os juros a quase zero, as medidas não recuperaram mais o
crescimento. Deixando de colocar o Estado a serviço de fortalecer o mercado
interno a economia, cresceu em toda a década de 1990 apenas 1,5%.
Assumindo em 2001, Junishiro Koizumi tentou fazer com que o Japão retomasse
o crescimento com base nas exportações e na venda de empresas locais. Uma
das tentativas foi vender os Correios mas a resistência impediu sua
alienação.
Sem grandes resultados, deixou o governo em 2006, e foi o último liberal
democrata a governar por um mandato legislativo inteiro. Depois dele os
ministros do Partido Liberal Democrata, todos governaram menos de um ano,
até que, com Taro Aso, que dirigiu o Japão durante a crise recente quando a
economia ao fundo do poço, acabou-se a hegemonia Liberal Democrata. Mas os
seus sucessores, os Democratas, Yukio Hatoyama e Naoto Kan, pouco têm mudado
para retomar o crescimento.
Yukio Hatoyama que prometeu fazer a economia viver novos dias e fechar a
base dos EUA em Okinawa, submeteu-se ao governo dos EUA, não cumpriu suas
promessas e renunciou pouco depois da posse 8 de junho desse ano.
NATHANIEL BRAIA |