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Equador
inicia mobilização para referendo da nova Constituição
O presidente
Rafael Correa chamou o povo a defender “os interesses da Pátria, sua soberania e
a propriedade dos nossos recursos, questões que estão expressas na nova
Constituição”, que será submetida à consulta no final de setembro
Uma enorme manifestação convocada pela Aliança País, principal base de
sustentação do governo do Equador, tomou as principais avenidas e ruas da região
norte de Quito, no domingo, dia 24, em apoio ao Sim à nova Constituição, que
será submetida a referendo no final de setembro.
O presidente
Rafael Correa se dirigiu às milhares de pessoas vindas de todos os bairros da
capital afirmando que “se alguma duvida restava da esmagadora vitória que terá o
Sim no dia 28 de setembro, depois de ter visto esta multidão entusiasmada,
decidida a defender os interesses da Pátria, sua soberania e a propriedade dos
nossos recursos, questões que estão expressas na Nova Constituição, essas
dúvidas se dissipam”.
“Derrotaremos
o velho país, a oligarquia, as estruturas caducas, as máfias de sempre”,
assinalou o líder, acompanhado por milhares de jovens, trabalhadores urbanos e
rurais, lideranças de movimentos sociais e indígenas de todo o país. Os
equatorianos vão às urnas para se pronunciar sobre o projeto constitucional
redigido e aprovado pela Assembléia Nacional Constituinte, que tem como objetivo
“superar o modelo neoliberal amparado na já caduca legislação vigente, a qual
afundou esta nação numa profunda crise”, esclareceu Correa.
O
presidente, que chegou até o palanque passando pelo meio da multidão, convidou o
povo a não regressar ao passado, “porque o não, o entreguismo, a falta de
pátria, lamentavelmente tudo isso já vivemos. Vivemos a privatização da educação
e da saúde. Vamos levar a luta pela Pátria nova de maneira positiva, com alegria
e esperança. Os que estão de luto são os que já se sentem derrotados, os
banqueiros que se enriqueceram com a fraude e o roubo de milhões de pessoas”.
Rafael Correa
alertou seus apoiadores que “os que defendem o Não vão recorrer à violência e,
sobretudo, vão tentar atacar o presidente, como vinte malcriados tentaram na
semana passada”, aludindo à baderna provocada por estudantes ocorrida durante
sua visita a uma universidade privada de Guaiaquil. Denunciou que esses jovens,
provindos dos setores mais ricos da maior cidade do Equador, foram instruídos
pelos grupos da direita universitária da Bolívia e da Venezuela para gerar mais
distúrbios e fazer uma imagem negativa de seu governo.
Depois de
finalizada a manifestação, durante uma entrevista de televisão realizada no
próprio domingo, o presidente destacou que “os setores estratégicos da economia,
os que têm incidência no conjunto da sociedade devem estar controlados pelo
Estado. Essa questão chave para o país foi definida na Constituição. O petróleo
com o qual se faz a gasolina não pode ficar em mãos privadas sem nenhum
controle, senão fecham as portas e paralisam o país”.
Correa
ressaltou que “atualmente, estamos diante a reconstrução do Estado, que foi uma
das principais vítimas do neoliberalismo que fez tudo o que estava a seu alcance
para destruí-lo”.
Acrescentou
que “os grupos de poder econômico ficaram com os projetos mais rentáveis e com
recursos naturais como o petróleo. Isso é que queremos e vamos evitar com a Nova
Constituição, porque o Estado vai regular e planificar”.
Afirmou que
“o Estado não é outra coisa que nós mesmos, é a representação institucionalizada
de uma sociedade por meio do qual realiza sua ação coletiva. É decisivo para que
o país, se quisermos justiça e igualdade, cresça”. |