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NYT quer reeleição sem restrições para prefeito da cidade de Nova Iorque
EVA GOLINGER
Talvez vocês lembrem de como o
governo dos Estados Unidos e a imprensa norte-americana atacaram o conteúdo
do projeto de Reforma Constitucional na Venezuela, durante a campanha do ano
passado. Chávez seria “presidente de para toda a vida”, gritavam, se a
reforma fosse aprovada. “Haverá ditadura”, diziam, e afirmavam que a reforma
era simplesmente “uma tentativa de obter o poder absoluto” por parte do
presidente Chávez. A questão mais atacada pela mídia nacional e
internacional, tanto como pelos porta-vozes da oposição na Venezuela e os de
Washington, foi a eliminação do limite de mandatos presidenciais, permitindo
então a reeleição sem restrições. Isso foi visto por Washington e seus meios
de comunicação como “a consolidação de uma ditadura” na Venezuela e um
“grave assalto à democracia venezuelana”. Assim foram as manchetes da
imprensa internacional: “Chávez ‘president for life’”, “O futuro da
Venezuela: ditadura ou democracia?”. Ficaram muito felizes quando não foi
aprovada a reforma constitucional durante o referendo de dezembro passado.
“Salvou-se a democracia na Venezuela”, “Uh, Ah, Chávez, sim, vá”, etc.
Um desses críticos e
porta-vozes midiáticos em nível internacional foi o distinto jornal The New
York Times. Algumas de suas manchetes do ano passado diziam: “A decisão
fatal da Venezuela” (30 Novembro 2007), “Calando Chávez na Venezuela” (29
Novembro 2007), “Legisladores na Venezuela aprovam mais poder para Chávez”
(3 Novembro 2007), “Chávez pronto para mandar até 2050” (1 Dezembro 2007),
“O rei da Venezuela” (7 Outubro 2007), “Dizendo Não a Chávez” (1 Dezembro
2007). Por isso, chama tanto a atenção o editorial de 30 de Setembro de 2008
no mesmíssimo New York Times. Sua manchete diz tudo: “The Limits of Term
Limits” (Os limites dos limites de mandatos). Do que se trata esta mudança?
DIREITO DO ELEITOR
Justamente agora, em Nova
Iorque, o atual prefeito da grande maçã não quer deixar seu cargo o ano que
vem. Já foi eleito duas vezes consecutivas como prefeito da cidade e,
segundo a lei vigente, não pode ser eleito outra vez. A lei da cidade de
Nova Iorque permite só dois mandatos para os prefeitos. O que é que diz o
distinto New York Times que tanto se opôs ao conceito da reeleição sem
restrições quando se tratava da Venezuela e do Presidente Chávez? Começa seu
editorial assim:
“O fundamento da democracia
norte-americana é o direito do eleitor de decidir. Embora bem intencionada,
a lei que limita os mandatos na cidade de Nova Iorque restringe gravemente
esse direito, razão principal pela qual este jornal sempre foi a favor da
reeleição sem restrições.”
Pausa…O que? Claro, claro,
entendemos. O cinismo imperial se revela uma vez mais. É como a luta contra
o terrorismo. Realiza-se fora da fronteira norte-americana. Condenam e
atacam países e povos em nome dessa luta, ao mesmo tempo que protegem e dão
refugio a terroristas como Luis Posada Carriles.
Mas olha, olha, olha, o que
diz o editorial logo a seguir:
“Particularmente agora esta
lei não é popular porque está estruturada de maneira que nega aos
nova-iorquinos – num momento em que a economia da cidade esta sob um grande
stress – o direito de decidir por si mesmos se um prefeito popular e efetivo
deve ficar em seu cargo. Parcialmente por esta razão, e parcialmente para
estender suas próprias carreiras políticas, uma maioria dos membros do
Conselho da Cidade estão pensando em aprovar uma emenda à lei para permitir
que os funcionários escolhidos possam ser eleitos por três mandatos em lugar
de dois. Isso permitiria ao prefeito Michael Bloomberg ser candidato outra
vez em 2009 e também poderia prolongar o serviço de outros vereadores e
altos funcionários eleitos. O Sr. Bloomberg, que provavelmente anunciará
esta quinta-feira que buscará um terceiro mandato se puder, gosta muito da
idéia.”
TERCEIRO MANDATO
“Nós também. Mas, nós iríamos
mais longe e pediríamos ao Conselho que permitisse a reeleição sem
restrições, não somente um terceiro mandato – não para servir à carreira
política de um indivíduo e sim para servir à causa maior da democracia….Os
limites postos aos mandatos são sedutores, e prometem aliviar os eleitores
de funcionários medíocres e que se auto-promovem. Porém, também são
profundamente antidemocráticos porque negam de forma arbitrária aos
eleitores seu direito de escolher entre bons e maus políticos…”
“A maioria dos lugares que
buscam eliminar os limites de mandatos provavelmente o farão através de
eleições, no referendo em novembro… Mas essas eleições não atraem muitos
eleitores. Ao final, um voto do Conselho é provavelmente a maneira mais
democrática de resolver o assunto.”
“Vale a pena repeti-lo: Esta é
uma regra que deve ser abolida. Se os eleitores não gostam do resultado,
podem registrar seus pontos de vista nas urnas.”
Então, segundo o New York
Times, a reeleição sem restrições é boa, e os referendos são maus. Prefere
que o corpo legislativo da cidade decida sobre o assunto em lugar dos
eleitores, porque segundo a lógica do New York Times, as pessoas não votam
porque não lhes interessa muito o tema, e é mais democrático tomar decisões
num Conselho de políticos que através de eleições.
Podemos imaginar a reação
deles se o Presidente Chávez tivesse dito que a Assembléia Nacional devia
decidir sobre a Reforma Constitucional porque isso é mais democrático que
deixar a população votar num referendo. Na Venezuela, não se subestima a
cidadania dizendo que “não lhe interessa o tema”. Informa-se, anima-se e
apóia-se as pessoas para que exerçam seu direito de voto. Aqui queremos que
as pessoas votem, participem e decidam seu futuro. Isso é uma verdadeira
democracia. Nesta verdadeira democracia, coincidimos em algo com o New York
Times: deve-se permitir a reeleição sem restrições. Se o povo quer reeleger
seu presidente, deve ter esse direito, se não, registra-se seu ponto de
vista nas urnas. |