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Chacina no
México foi perpetrada por narcotraficantes aliciados entre desertores
de tropa treinada pela CIA
Marco Antonio García, prefeito da cidade mexicana de Hidalgo, do estado de
Tamaulipas, onde, no dia 24, 72 imigrantes foram encontrados mortos, foi
assassinado no dia 29. A polícia atribui a onda de assassinatos a um cartel
denominado Los Zetas, integrado por ex-integrantes de unidades de comando
mexicanas treinadas pela CIA. O corpo do brasileiro Juliard Aires Fernandes, de
20 anos, natural de Minas Gerais, foi identificado entre as vítimas da chacina
perpetrada por narcotraficantes. Foram também encontrados os documentos de outro
brasileiro, Hermínio Cardoso dos Santos.
Desde os últimos dias da semana passada uma série de atentados tomou conta de
Tamaulipas. Quatro bombas explodiram na região em apenas 24 horas deixando 17
feridos. As explosões pareciam ter como alvo locais ligados a investigação das
mortes dos 72 imigrantes. Três artefatos caseiros explodiram no sábado na cidade
de Reynosa, onde fica a fazenda na qual os 72 corpos foram encontrados. Uma das
bombas explodiu perto de uma igreja onde era rezada uma missa em homenagem às
vítimas.
Um promotor que liderava a investigação sobre as mortes está desaparecido desde
quarta-feira. Promotores mexicanos disseram temer pela segurança de Roberto
Suarez, que desapareceu junto com um policial que o acompanhava. Dados
reconhecidos até pelo governo de Felipe Calderón apontam que mais de 10 mil
migrantes foram seqüestrados no primeiro semestre deste ano (9,7 mil nesse
período de 2009), fundamentalmente para os extorquir, informou a agencia Notimex.
Desta vez, o único sobrevivente da chacina dos 72, um equatoriano de 18 anos,
também contou que os criminosos se identificaram como do grupo “Los Zetas”.
Segundo o equatoriano, eles tiraram o pouco dinheiro que todos tinham e os
instaram a se integrar no bando para trabalhar como assassinos por 2 mil dólares
mensais. Não aceitaram e foram fuzilados.
Um informe da Câmara dos Deputados do México que aproveita dados de entidades de
vários países da América central e do Grupo de Trabalho em Matéria Migratória do
Partido Revolucionário Institucional, PRI, destacou que a cada ano morrem 200
centro-americanos no México, na tentativa de entrar nos EUA. Dados
extra-oficiais, porém, denunciam que nos últimos cinco anos e como parte da
incursão de narcotra-ficantes no seqüestro de migrantes esse número pode
ultrapassar as 400 mortes.
“Los Zetas” são um grupo de desertores do exército mexicano, treinados pela CIA
e pela Escola das Américas sob pretexto de combate ao Exército Zapatista e que
agora disputam território com o cartel do Golfo, segundo a Notimex. Até o
insuspeito New York Times adverte contra a tentação de atribuir a atrocidade
cometida à guerra contra as drogas levada a cabo no México. “Os cartéis
mexicanos das drogas são alimentados desde fora pelo dinheiro estadunidense, as
armas pesadas e o próprio vício. O ímã que puxa os migantes para o norte é
alimentado por nossa demanda de mão de obra barata”, reconheceu o jornal
norte-americano.
“As autoridades migratórias do México assumiram, na prática, um papel parecido
ao da Polícia Fronteiriça estadu-nidense, com a diferença de que as ações para
impedir o fluxo de migrantes sem documentos para a nação vizinha do norte se
realizam em território nacional, e por agentes do governo mexicano” apontou o
diário mexicano La Jornada em editorial, denunciando a chamada Iniciativa
Mérida, plano bilateral assinado com os Estados Unidos que, de fato, coloca o
governo do México a serviço de Washington.
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