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Para Temporão,
mutirão de Serra não é proposta séria para Saúde
O ministro da
Saúde, José Gomes Temporão, rebateu o candidato do PSDB a presidente da
Repúiblica, José Serra, que tem criticado a interrupção dos mutirões para
cirurgias eletivas, como as de correção da catarata.
“Mutirão é para
atacar um problema agudo, específico, que demanda uma ação pontual para
resolver. Transformar isso numa política permanente é descabido, é
reconhecer que o sistema de saúde é um fracasso. Eu chamei isso, em 2006, de
“populismo sanitário”. Pegamos as quatro cirurgias que eram feitas em
mutirões e incluímos num rol de 90 tipos diferentes de cirurgias. Resultado:
500 mil cirurgias a mais que o governo anterior. Estruturamos uma política,
definimos os critérios, financiamos os procedimentos do SUS. Mas quem define
as metas, onde serão feitas as cirurgias, em que quantidade, é o gestor
municipal. Cirurgia eletiva é uma atribuição municipal, a União financia”,
afirmou Temporão em entrevista para a revista CartaCapital, destas semana,
concedida ao repórter Rodrigo Martins.
Temporão repeliu
as críticas do tucano à sua gestão na Saúde dizendo que o governo pecou na
prevenção e na promoção da saúde. “Ele fala, mas não apresenta dados. Diz
que recuamos na prevenção, na saúde da mulher. Mas o que exatamente?
Aumentamos o número de pré-natal. Só no ano passado distribuímos mais de 500
milhões de preservativos. Serra se coloca como pai do programa de combate à
Aids, mas a primeira quebra de patente da história do Brasil foi durante o
governo Lula, não foi o Serra nem o presidente Fernando Henrique. E nós
incorporamos novos medicamentos ao coquetel anti-Aids. Como dizer que não
houve avanços?”, questionou.
Sobre o acesso
aos remédios, Temporão lembrou que em sua gestão foram criadas “as farmácias
populares, com remédios subsidiados. São 534 estabelecimentos que vendem
medicamentos a preço de custo, cerca de 105 drogas e preservativos,
especialmente remédios para hipertensão, diabetes, colesterol, pílula
anticoncepcional, insulina. Além disso, no fim de 2002, a participação dos
genéricos no mercado de medicamentos era de 5%. Neste ano vai fechar em
22%”. “Também fizemos as duas maiores campanhas de imunização do País: 67
milhões de vacinados contra a rubéola, em 2008, e 89 milhões agora contra
H1N1. Erradicamos o cólera em 2005, a transmissão da doença de Chagas em
2006, a rubéola em 2009”.
O ministro ainda declarou que a queda da CPMF faz falta para o setor.
“Teríamos 40 bilhões de reais a mais atualmente. Por isso o governo propôs
um novo tributo, a Contribuição Social da Saúde”, disse Temporão. Ele
considerou positivo o fato dos candidatos à Presidência da República terem
se comprometido com a necessidade de regulamentar a Emenda 29, estabelecendo
que 12% das receitas dos estados e 15% dos municípios devem ir para a Saúde.
“Mas ainda há uma interrogação: de onde sairão os recursos adicionais para a
saúde? Trocando em miúdos, nenhuma alternativa que não garanta ao menos 40
bilhões de reais a mais terá um efeito significativo para a saúde, que está
subfinanciado”, advertiu. |