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GM tem queda de 45% nas
vendas e vai à beira da falência
A crise mostra sua
cara: depois das “casas em excesso” nos Estados Unidos, e quarteirões
inteiros com casas tomadas aos compradores que ficaram sem casa para morar,
agora a crise de superprodução chega à indústria automobilística
Estandarte do
capitalismo dos EUA, a General Motors, representada pelo seu
executivo-chefe, Rick Wagoner, foi de pires na mão até o Senado testemunhar
que poderá quebrar até o início do ano que vem, após ser devastada por
quedas sucessivas nas vendas, que se transformaram em outubro em um colapso
de menos 45%, na comparação com igual período de 2007. A imploração não
comoveu o secretário do Tesouro Henry Paulson, para quem bailout é só para
os bancos.
Na mesma canoa, Ford e
Chrysler, que, durante décadas, formaram com a GM as “Três Grandes” de
Detroit e da indústria automobilística mundial, e que sofreram quedas nas
vendas de respectivamente, 30,2% e 24,5% em outubro. E igualmente na
iminência de ficar sem dinheiro para tocar a produção e pagar salários e
fornecedores. Em um ano, o “valor de mercado” da GM, isto é, o preço
atribuído pelos especuladores às suas ações, desabou de US$ 22 bilhões, para
cerca de US$ 1,8 bilhão. O caixa da GM encolheu para US$ 16 bilhões, mas por
mês precisa de um mínimo de US$ 11 bilhões a US$ 14 bilhões por mês para
seguir operando – ela, que até 2007 era a maior montadora do mundo. Já a
Ford torrou US$ 7,7 bilhões no terceiro trimestre, para cobrir rombos e
tentar se manter à tona.
CERBERUS
O quadro da Chrysler,
que foi adquirida da alemã Daimler pelo fundo Cerberus, é ainda mais
crítico. Seu executivo-chefe, Bob Nardelli, disse que a empresa “está numa
posição muito frágil” e “perigosamente perto” de não ter o capital mínimo
para sobreviver. Terminou o terceiro trimestre com US$ 6,1 bilhões em caixa,
mas precisa, mensalmente, entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões. A Cerberus
também comprou, recentemente, 51% do controle do banco da GM que financia
suas vendas (GMAC, entupido de débitos).
Mas, se o noticiário
chamou a atenção para a iminente bancarrota da GM, Ford e Chrysler, se não
houver um empréstimo de emergência de US$ 25 bilhões, a crise vai muito
além. O que houve em outubro foi, no registro feito pelo jornal inglês “The
Guardian” , “o colapso do mercado norte-americano” de veículos. Além das já
citadas quedas de 45% (GM), 33,2% (Ford) e 24,5% (Chrysler), as vendas da
Toyota desabaram 23%, as da Honda 25%, Nissan 33%, Mercedes 34% e Porsche
50%.
No conjunto, (as Três
Grandes mais as estrangeiras) as vendas de automóveis e utilitários
despencaram 32% em outubro. O que significa que, em termos anualizados, de
uma capacidade de produção de 16-18 milhões, de acordo com o presidente do
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Automobilística, Ron Gettelfinger,
apenas 10,5 milhões de carros vendidos (outubro 2008/outubro 2007).
De janeiro a outubro,
a queda acumulada no conjunto da indústria automobilística dos EUA, foi de
14,5%. Numa mostra de como o colapso atinge a todos, em março, quando a GM
já perdia 13% nas vendas, a redução na Toyota ainda estava em 3,4%. Em
outubro, a GM era abalroada por 45% no vermelho, e a Toyota por 23%.
EXCESSO
Comunicado da
subsidiária da GM no Brasil estimou em três milhões de veículos a menos a
queda nas vendas de veículos nos EUA, em relação a 2007 (13 milhões, contra
16 milhões). Ou seja, a crise mostra sua cara: depois das “casas em excesso”
nos EUA, e quarteirões inteiros com casas tomadas aos compradores que
ficaram sem casa para morar, agora a crise de superprodução chega à
indústria automobilística. O que o capo da GM, Mr. Wagoner, descreveu nas
seguintes palavras. “O gasto com consumo, que representa perto de 70% da
economia dos EUA, em queda dramática, mais o abrupto fechamento dos mercados
de crédito, criaram uma espiral para baixo nas vendas de veículos”.
Há milhões querendo
comprar carros, há 18 milhões de carros de capacidade de produção, mas não
há como realizar essa capacidade com lucro, porque contraíram tanto a renda
das famílias americanas desde os anos 70, a ponto da distribuição de renda
ter regredido aos patamares de 1928, conforme até o “New York Times”. “Os
300.000 americanos no topo coletivamente detém quase tanta renda quanto 150
milhões de americanos na base” da pirâmide, acrescentou o jornal. E na
verdade essa é ainda uma “comparação” muito ampla, pois o número de
biliardários, que é quem detém a parte do leão desses “1%”, é muito, mas
muito mais reduzido. E a estimativa de desigualdade apenas pela “renda”
encobre a parte maior da riqueza abocanhada por essa oligarquia gananciosa,
e que se traduz em propriedades e títulos. Inclusive porque pagam muito
menos, ou nem pagam, impostos. O aumento da desigualdade também está
registrado no estudo do economista Emmanuel Saez (Universidade de Berkeley),
que mostra que a parcela de renda mantida pelo 1% no topo de 2005 era
comparável ao de 1928.
ANTONIO PIMENTA |