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PIB dos EUA no 2º trimestre rasteja para
raquíticos 0,4%
Revisão
encolheu a variação do PIB dos EUA no 2º trimestre de 0,6%, para 0,4%, em
relação ao trimestre anterior, ou de 2,4% para 1,6% anualizados. No período,
taxa do PIB da Europa ultrapassou EUA
Confirmando os temores de ladeira abaixo, a última revisão do Departamento
do Comércio, divulgada na sexta-feira dia 27 encolheu a variação do PIB dos
EUA, no segundo trimestre, dos já anunciados anteriormente 0,6%, para ainda
mais raquíticos 0,4%, em relação ao trimestre anterior.
Esses 0,4% no segundo trimestre também deixam a economia dos EUA atrás da
Zona do Euro, que no mesmo período alcançou 1%, resultado puxado pelos 2,2%
% da Alemanha e 0,6% da França – o melhor em quatro anos. Como comentou o
jornal francês “Le Monde”, “há muito tempo que o Velho Continente não se
distanciava tanto do Novo”. Em relação a igual período do ano passado, o PIB
europeu subiu 1,7%.
Nas contas “anualizadas” de Washington, a rebaixa fora de 2,4% para 1,6% -
isso, graças à extrapolação arbitrária para quatro trimestres do que só
ocorreu em um. Mas nem isso evitou que o “New York Times” tivesse de
registrar o resultado como um “sinal ainda mais claro” de que a recuperação
passou a “rastejar”.
DESEMPREGO
Possivelmente, para os 30 milhões de desempregados nos EUA, ou os 1 milhão
que a cada ano estão tendo as casas retomadas pelos bancos, ou, ainda, os
estudantes do Havaí que ficaram sem aula às sextas-feiras por causa da
falência do estado, o “rastejar” do comentário do jornal novaiorquino é, no
mínimo, um tanto róseo.
Assim, a derrubada em Wall Street da semana passada se repetiu nesta
segunda-feira dia 30. Na sessão de menor volume de operações do ano, os
índices Dow Jones, S &P 500 e o Nasdaq, perderam, respectivamente, 1,39%,
1,47% e 1,56%. Entre os bancos, as ações do Bank of América sofreram queda
de 2,5%.
Com a paralisia na economia e juros interbancários a zero, os especuladores
fogem para os títulos governamentais. Os papéis de 10 anos, que pagavam taxa
de 3,99% em abril, desceram, nas palavras de Mike Whitney, “ao inferno de
Bernanke”. Estavam a 2,61% na outra semana, e na quinta-feira baixaram a
2,48%. “Se continuarem a ruir a esta razão, ficarão abaixo de 2% até o final
do ano. Benvindo ao Japão”, afirmou o colunista, comparando a situação com a
prostração de mais de uma década, e deflação, que afligem até hoje o país
asiático. Em entrevista, o próprio Bernanke se declarou “preparado” a agir
para evitar uma deflação.
Famílias endividadas, consumo deprimido, estados no vermelho, programas
sociais sob ataque. A “recuperação sem empregos” dos EUA se revela
desemprego sem recuperação. PIB: dos 1,25% no último trimestre de 2009,
baixando para 0,9% no primeiro trimestre de 2010, e agora 0,4%. Em julho, a
indústria registrou uma queda de 3,8% nos pedidos de bens duráveis,
excluídas aeronaves. Neste segundo trimestre, o Departamento de Comércio
revisou suas estimativas iniciais de US$ 75,5 bilhões de renovação de
estoques para quase 20% menos, US$ 63,2 bilhões.
A semana anterior já havia sido dramática em matéria de notícias sobre
construção civil e mercado imobiliário. O colapso parece não ter fim. As
vendas de casas usadas em julho desabaram para o ponto mais baixo em 10
anos, uma contração de 25,5% em relação a igual mês de 2009, de acordo com a
Associação Nacional dos Corretores de Imóveis, mais do dobro do previsto. No
país inteiro: menos 29,5% no Noroeste; menos 22,6% no Sul; menos 25% no
Oeste e menos 35% no Meio Oeste.
A venda das casas novas despencou ao pior nível em 47 anos, menos 32,4% em
relação a 2009. Quase um-terço das casas usadas vendidas em julho havia sido
tomado pelos bancos. Os imóveis comerciais, de acordo com o site Calculated
Risk, já perderam 41,3% do valor desde o pico de 2007 - o iceberg ameaça pôr
a pique mais bancos regionais e estender o fogo a Wall Street. O programa de
“estímulo” poderia ter canalizado uma grande massa de recursos para obras de
infraestrutura – o que, por exemplo, a China fez – e reativado a construção,
mas isso não foi feito.
Uma “década perdida”. Apenas para manter o atual patamar de desemprego –
desesperadores 30 milhões de pessoas – seria preciso um aumento do PIB, às
taxas trimestrais anualizadas que Washington tanto aprecia, de 2,5%. Em
junho-julho, foram 250 mil demissões. Já chegam a dez milhões os
desempregados de ‘longa duração’ – aqueles sem emprego há mais de seis
meses. A cada mês, só considerando os jovens que precisam do primeiro
emprego, faltam mais 150 mil novos postos de trabalho. No setor
automobilístico, segundo Jared Berstein, o conselheiro-chefe econômico do
vice Joe Biden, as montadoras sangraram 431 mil postos de trabalho em 2008 e
só repuseram 76 mil. Mas os “novos contratados” passaram a receber US$ 14 a
hora – a metade do que era pago anteriormente. Em 2009, a produção desabou
34,3% em relação a 2008, e os EUA caíram para quinto lugar, atrás da China,
Japão, Alemanha e Coreia do Sul.
ANTONIO PIMENTA
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