Marcha da Dignidade exige em
Madri o fim do arrocho da Troika

O manifesto lido na praça Colon denunciou “as políticas ditadas pela Troika, consistentes com o roubo de direitos e o empobrecimento generalizado” e condenou os despejos em massa

Centenas de milhares de pessoas em Madri exigiram no sábado (21) “pão, trabalho e teto” e repudiaram a Troika e seu fantoche Rajoy na “Marcha da Dignidade”, que reuniu colunas vindas a pé de todas as províncias espanholas e participantes que chegaram por trem e ônibus. A primeira coluna, que teve início em Santiago de Compostela, havia partido no dia 20 de fevereiro; a última de nove saiu de Mérida, no dia 10 de março. Centenas de entidades, sindicatos, coletivos de defesa da Saúde e Educação públicas, grupos juvenis e partidos integraram a Marcha. O protesto também rechaçou a “lei mordaça” de Rajoy, que tenta abafar as manifestações, e o chamado “tafta”, o acordo pró-bancos da União Europeia com os EUA, que vem sendo negociado pelas costas da população.

Na praça Colon, para onde convergiram as colunas, manifestantes bradavam “de norte a sul, de leste a oeste, a luta segue, custe o que custar”; “fora corruptos”; e “chamam de democracia e não é”. “A crise não acabou. Eles nos têm tirado o trabalho, em muitos casos até a casa, mas não nos arrancarão a dignidade, por isso seguimos lutando”, afirmou ao Sputnik Nóvosti Mari Carmem, que viera, caminhando, desde a Andaluzia, junto com dezenas de companheiros. A proposta do movimento é realizar, em outubro, no dia 22, uma greve geral contra o arrocho.

O manifesto lido na praça destacou que o povo espanhol vem sofrendo “as políticas ditadas pela Troika, consistentes com o roubo de direitos e o empobrecimento generalizado”; condenou o “desmantelamento da Saúde, Educação e Previdência”; e denunciou que “não tem havido nenhum corte na hora de injetar dezenas de bilhões de euros para salvar os bancos e os especuladores”. A multidão também repeliu outras mazelas impostas, como os despejos em massa. Faixas apontavam: “não ao pagamento da dívida”; “nenhum corte a mais” e “fora os governos da Troika”.

No protesto multidinário, também a indignação com a corrupção que campeia, entre os dois maiores partidos, notórios cúmplices da Troika, o PP e o PSOE, e cujos malfeitos não saem das páginas dos jornais. Além de entreguistas, são ladrões. “Descobrimos que nos dois maiores partidos do país havia uma corrupção quase sistêmica enquanto não paravam de ocorrer os cortes nos direitos básicos”, afirmou a Sputnik o manifestante Juan. “Estamos nas ruas para acabar com esse tipo de político, queremos uma democracia real”.

O porta-voz da Marcha, Javier Garcia, denunciou que “a situação social que vivemos é um crime contra a população”, acrescentando que a Espanha continua “em uma situação de emergência social”. “Temos 30% da população jogada na pobreza, 600 mil famílias foram despejadas de suas casas, cinco milhões de pessoas estão sem emprego, meio milhão de jovens tiveram que rumar para o estrangeiro para sobreviver. Continuam os cortes na Saúde, na Educação, na Previdência”. Passadas as nove da noite, carga da polícia contra manifestantes provocou distúrbios e prisões, sendo que 15 precisaram ser levadas a hospitais.

ANDALUZIA

Na eleição para o parlamento da Andaluzia, o governo Rajoy sentiu o baque, perdendo 17 cadeiras e o poder, que voltou para as mãos do PSOE, que anteriormente governara ali por 30 anos seguidos. Mas o grande destaque do pleito foi a votação do Podemos – o partido anti-Troika – liderado por Pablo Iglesias, que elegeu 15 deputados, se tornando a terceira força política. O secretário de organização do Podemos, Sergio Pascual, assinalou que os resultados eleitorais demonstram que “a mudança” no cenário político da Espanha “já é irreversível”. A votação do Podemos foi atingida apesar da estrutura incipiente e dos escassos meios materiais. Já Iglesias, que tem denunciado a desindustrialização da Espanha e que esta se tornou uma “colônia da Alemanha”, saudou o resultado: “o caminho se faz caminhando. Obrigado Andaluzia por este primeiro passo”.

ANTONIO PIMENTA


Capa
Página 2
Página 3

CNT: 83,2% querem realização de manifestações contra o governo

Corruptos não querem mais partidos

Com o pacote neoliberal, o governo usa gasolina para apagar fogo, denuncia PPL

PPL: Plataforma de Lutas

As multidões que foram às ruas têm razão, afirma Ciro

FHC elogia Levy e diz que a política de Dilma não é diferente da do PSDB

João Vaccari agora é réu, decide juiz Sérgio Moro

Página 4 Página 5

Governo nega aumento a servidor e diz que meta é arrochar salário

Centrais fazem ato nacional dia 30 contra MPs 664 e 665

40 mil professores ocupam a Paulista em assembleia e ampliam greve por reajuste

Fábricas da GM e Mercedes Benz abrem mais um plano de demissão em massa em São Paulo

Trabalhadores da limpeza urbana iniciam paralisação em 130 cidades da Grande São Paulo: reivindicação é 11,73%

Após 10 dias de greve, garis do Rio conquistam 8% de reajuste

CARTAS

Página 6

Planalto promete: "o corte no orçamento não será pequeno"

Ministro da Indústria trabalha para elevar déficit comercial do Brasil com os EUA

Focus prevê que PIB será menor ainda e a inflação deve chegar a 9,3% em 2015

AEPET considera ‘absurda privatização’ ideia de Bendine de fatiar a Petrobrás para vender ativos

Após abiscoitar pré-sal, Total quer burlar lei que garante conteúdo local em plataformas

Venezuela: campanha pelo fim do decreto/ameaça dos EUA já tem mais de um milhão de assinaturas

Médicos voltam a Cuba após participarem de jornada contra o ebola

ONU condena Israel por violar direitos humanos na Palestina

 

Página 7 [ModelosNovaEdicao/P27/pag7indice.htm]Página 8

O Duque de Caxias pelo general Werneck Sodré