Lula defende em Israel o Estado palestino e fim de assentamentos

Ao realizar a primeira visita oficial de um chefe de Estado brasileiro a Israel, o presidente Lula reafirmou a “necessidade da coexistência de um Estado Palestino com o Estado de Israel” e criticou o “anúncio da construção de residências em Jerusalém às vésperas do reinício das negociações”

“É uma grande honra ser o primeiro chefe de Estado brasileiro que visita oficialmente Israel e ter o privilégio de dirigir-me à sua Casa do Povo.

Volto a este país, que visitei em 1993, na condição de presidente do meu partido, o Partido dos Trabalhadores. Daquela visita levei uma inesquecível recordação.

Falo agora como presidente da República Federativa do Brasil, mas também na condição de ex-parlamentar que nos anos 80 participou, em nosso Congresso, da refundação constitucional de meu país, depois de vinte anos de ditadura.

Falo na condição de dirigente de um país que acompanhou o nascimento de Israel. Como esquecer que a sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas que aprovou a criação do Estado, em 1948, foi presidida por um brasileiro, Osvaldo Aranha.

Falo, finalmente, na condição de um amigo de Israel. Venho de um país que recebeu dezenas de milhares de imigrantes judeus, perseguidos em suas terras de origem pela intolerância étnica, cultural e religiosa. Muitos deles puderam chegar ao Brasil graças a dois funcionários humanistas que honram a diplomacia brasileira: dona Aracy, do Consulado de Hamburgo, e o embaixador Souza Dantas, de nossa legação em Paris.

A contribuição que esses imigrantes e seus descendentes deram e continuam dando ao Brasil é extraordinária. Ela está em nossa literatura, com Clarice Lispector e Moacir Scliar; em nossas artes visuais, com Lasar Segall e Carlos Scliar; em nosso cinema, com Leon Hirszman. Ela é ainda mais visível no mundo da ciência e da cultura, na atividade empresarial e na atividade política.

Senhoras e senhores parlamentares,

  Uma visita como esta serve para aprofundar relações bilaterais. Relações que têm experimentado um avanço considerável nestes últimos anos e que, espero, possam ganhar mais intensidade a partir de agora.

Penso nos números de nosso comércio exterior, em extraordinário progresso. Se bem que Israel e Brasil poderiam ter uma balança comercial infinitamente maior, na hora em que os dois países começarem a utilizar todo o seu potencial. Penso em nossa cooperação cultural, científica e tecnológica. Penso, finalmente, no acordo Mercosul-Israel, o primeiro estabelecido com um país fora da América Latina, a despeito das resistências que alguns ofereceram.

AUTODETERMINAÇÃO

Mas esta é, igualmente, a oportunidade de debater questões mais gerais e profundas. Queremos discuti-las respeitosamente, mas com franqueza. Com aquela franqueza que deve marcar o relacionamento entre amigos.

A política externa de meu país tem uma vocação universalista. Está comprometida com valores. Respeitamos a autodeterminação dos povos. Defendemos os Direitos Humanos. Queremos um mundo mais justo econômica, social e politicamente. Buscamos incessantemente a paz e, por essa razão, propugnamos a solução negociada dos conflitos.

O Oriente Médio vive, há décadas, dolorosos enfrentamentos que têm custado milhares de vítimas. Por detrás das terríveis estatísticas de mortos, feridos e banidos estão dramas humanos, diante dos quais ninguém pode ficar insensível.

    Para resolver situações dilacerantes é necessário construir alternativas racionais e duradouras de paz. Mas não é suficiente pôr apenas a cabeça a funcionar. É preciso, igualmente, que o coração esteja presente. É fundamental um sentimento de compaixão para superar antagonismos que aparecem como insuperáveis.

Em minha trajetória pessoal – como sindicalista e dirigente político – vivi situações de alta conflitividade. Não fugi aos conflitos, mas busquei resolvê-los pelo diálogo, ainda quando ele parecia exercício ingênuo, tarefa impossível. Na oposição, busquei o diálogo. Cheguei à Presidência pelo diálogo, governei dialogando. Apostei na democracia, mesmo quando ela aparecia como um horizonte inatingível. Com esses sentimentos, temos reiterado as posições históricas de nossa diplomacia.

Defendemos a existência de um Estado de Israel, soberano, seguro e pacífico. Ele deverá conviver com um Estado Palestino, igualmente soberano, pacífico, seguro e viável, sobretudo pelo traçado de seu território.

Com esses propósitos, chegamos à reunião de Annapolis, lamentando que o movimento que aí se iniciou tenha ficado pelo caminho. Não podemos continuar desperdiçando esforços multilaterais, sobretudo quando apresentam um extraordinário potencial.

Naquela ocasião, reiteramos nossa posição sobre a coexistência necessária de um Estado Palestino com um Estado de Israel, e expressamos nosso repúdio ao terrorismo, praticado sob qualquer pretexto e por quem quer que fosse.

Essa postura se faz mais necessária agora, quando assistimos a uma paralisação das negociações e iniciativas unilaterais que as dificultam, como o anúncio da construção de residências em Jerusalém às vésperas do reinício de uma rodada de negociações.

O impasse agrava a deterioração das condições de vida nos territórios palestinos ocupados, mas também alimenta fundamentalismos de todos os lados e coloca no horizonte conflitos mais sangrentos ainda.

Temos urgência de ver israelenses e palestinos vivendo em harmonia. A estabilidade dessa região atenuará o sofrimento daqueles que perderam seus entes queridos em décadas de enfrentamento. Com alguns deles – familiares de vítimas dos dois lados – devo encontrar-me para escutar seus sentimentos e suas aspirações.

Mas essa estabilidade desejada será, sobretudo, a garantia de que um conflito regional não se espraiará pelo resto do Planeta, ameaçando a paz mundial. O que está em jogo aqui, portanto, não é somente o futuro da paz nesta região, mas a estabilidade de todo o mundo.

Venho de um continente que possui grandes riquezas naturais, mas também marcado por desigualdades regionais e sociais. A consciência dessa situação inaceitável fez com que muitos governos latino-americanos iniciassem, nos últimos anos, um exitoso processo de mudança econômica e social que tem fortalecido a democracia política e a paz.
 

“Que o exemplo da América Latina livre de armas nucleares possa ser seguido em outras regiões
 

“Temos orgulho de proclamar que a América Latina e o Caribe é uma zona livre de armas de destruição massiva. Em meu país há uma proibição constitucional de produção e utilização de armamento nuclear. Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo.

No Brasil, compreendemos que não será possível sermos uma nação próspera e justa se estivermos cercados, em nosso entorno, de pobreza e de desigualdades que aumentem ressentimentos.

Em meu país, dez milhões de árabes e de seus descendentes convivem de forma harmoniosa com milhares de judeus.

Gostaríamos que essa situação fosse como uma metáfora na busca de um entendimento profundo e duradouro nesta região do mundo, distante geograficamente de nós, mas próxima de nossos corações e nossas mentes.

Árabes e judeus são povos magníficos, com esplêndidas tradições culturais. Povos que construíram suas identidades no curso de uma história, muitas vezes cheia de sofrimento. Desse sofrimento, de que é testemunho o Museu do Holocausto, que visitei em 1993, e o Yad Vashem, que visitarei amanhã. Desse sofrimento que evoquei recentemente na mais antiga Sinagoga da América Latina, no Recife, quando lá me recolhi para evocar e condenar a barbárie da Segunda Guerra Mundial, que marcou toda a Humanidade e o povo judaico em particular.

Nunca mais! Nunca mais, temos que repetir sempre! Mas para que esse chamamento não seja um grito desesperado e inútil, é necessário que enfrentemos os impasses que se perpetuam nesta região com coragem e determinação, mas também com desprendimento.

Nos grandes gestos, de homens e mulheres, sempre estão presentes grandes sacrifícios e grandes concessões. Eles exigem renovação de intenções, alargamento de ambições e ampliação de interlocutores.

Pensemos nas palavras de Albert Einstein, quando nos disse: “Não se pode fazer a mesma coisa, dia após dia, e esperar resultados diferentes”. O Brasil quer, modestamente, ajudar a obter esses “resultados diferentes”. Foi o que fizemos em nosso continente, junto com outros países amigos da América Latina e do Caribe, ao participar de esforços coletivos para solucionar conflitos e debelar ameaças à paz.
A única recompensa que esperamos ter aqui é a felicidade de israelenses e de palestinos.

O impasse que vive o Oriente Médio mostra as enormes dificuldades que enfrenta hoje a governança global, em particular as Nações Unidas.

Em 1948, como lembrei, o surgimento do Estado de Israel teve o patrocínio das Nações Unidas. Não será o caso de que as Nações Unidas, renovadas e com maior legitimidade, assumam agora um papel mais ativo na busca da paz?


Amigas e amigos,


  Ao dirigir-me aos parlamentares israelenses sei que não estou falando apenas a mais alta instituição do Estado de Israel. Sei que, por vosso intermédio, falo a mães e pais, esposas e filhos dos que partiram em meio a conflitos que poderiam ter sido evitados.

É chegada a hora de abrir um círculo virtuoso de negociações nesta região do mundo, superando desconfianças e desentendimentos, em nome de valores mais elevados. A história recompensará os que seguirem este caminho.

Concluo, uma vez mais mencionando esta figura luminar do século XX, Albert Einstein, quando proclamou: “A paz não pode ser mantida pela força. Somente pode ser alcançada pelo entendimento”.

Shalom e muito obrigado”.


 


Primeira Página

 

Página 2

PIB de 2009 e as mazelas do entulho tucano na economia (CARLOS LOPES)

Indústria repele intenção do BC de aumentar juros

Nassif desmonta mais um ‘factóide’ da Folha

Expediente

Página 3

Serra vai ficando para trás, apontam novas pesquisas

PSDB de Minas lança Aécio Neves candidato ao Senado

Lula e Dilma inauguram unidade de propeno da Repar

Rio faz manifestação em defesa dos royalties

Bancoop: Justiça não vê consistência e rejeita o pedido do promotor Blat

Quadrilha de Dantas insiste no afastamento do juiz De Sanctis

Edinho reprova fala de Ciro contra PT e cobra retratação

Página 4

Elétricas privatizadas levam escuridão e caos ao RJ e SP

Capital estrangeiro avança sobre as terras brasileiras - Brizola Neto

Anatel volta a ser ré em processo contra a internet reduzida de teles

Telefónica mantém liderança com 37% das queixas ao Procon-SP

Preso assassino de Glauco Villas Boas

Cartas

Página 5

Professores ocupam a avenida Paulista por 34,3% de reajuste

SindSaude: “Terceirizar é permitir que entes privados façam o que quiserem com a saúde pública”

Instituto do Câncer quer transformar médicos em PJ, denuncia sindicato

Murer leva ouro em mundial de atletismo no salto com vara

CUT repudia ação do Dem contra contribuição sindical

Página 6

Arrocho e desmonte do Estado de Sarkozy são derrotados nas urnas

Protestos de trabalhadores, alunos e professores nas ruas de mais de 60 cidades francesas

Trabalhadores gregos fazem nova greve geral e ocupam Atenas contra o ataque aos salários e aposentadorias

China denuncia: violações de DH nos EUA assolam presídios e agridem liberdade de imprensa 

Fariñas foi condenado por espancar mulher e idoso 

“Resolução contra Cuba é ingerência que agride as leis internacionais”

Página 7

Lula defende em Israel o Estado palestino e fim de assentamentos

Hillary a Netaniahu: o anúncio de 1600 casas em Jerusalém é insulto

Chanceler israelense dá piti e não comparece ao Parlamento durante visita do presidente Lula

OEA denuncia compra de votos em larga escala em eleição da Colômbia

Faure Gnassingbé é reeleito presidente de Togo com 61%

“Waterboarding” é a técnica certa para interrogar, diz Rove, ajudante mais chegado de Bush

Página 8

Entrevista com Jean-Bertrand Aristide: “O que está em jogo no Haiti é a dignidade de todo o povo ou a dependência servil” (2)

Leia

O pré-sal é nosso! Leilão é privatização!
Lula adverte Hillary a não tratar o Irã como Bush tratou o Iraque
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Centrais querem mais emprego e menos juro para impedir tsunami de invadir nossa praia

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Múltis drenam do país US$ 3,266 bilhões só em dez dias de março

Vale demite, reduz salários e distribui R$ 5 bi a acionistas

Sob pressão, BC recua juro outro pontinho e meio

Aumento do IDE agrava sangria de recursos do Brasil para fora

Desnacionalização e gestão temerária sufocam a Embraer

Solução para a Embraer é voltar a ser do Estado

Febraban diz que reduz spread se a União pagar conta de inadimplentes

“Decisão do governo é não emprestar a quem desemprega”, diz Lula

Lula: “Eles cultivam o ódio dos de cima contra os de baixo” 

BC assalta 80 bi das reservas para ajudar bancos em Wall Street

Juros e pilantragem de múltis fazem produção industrial encolher 19%

Repatriamento de capital por múltis ameaça as contas externas do Brasil

Juro alto do BC é o fundamento do spread aloprado

Conselheiros do CDES pedem a antecipação da reunião do Copom

Meirelles recua debaixo de vara e reduz os juros em um pontinho

Centrais fecham com Lula ofensiva contra os juros, demissões e redução dos salários

Fiesp abre guerra contra os salários dos trabalhadores

BB paga R$ 4 bilhões para Votorantim ficar com o controle do BV

Juros e alarmismo midiático freiam a produção industrial

 Israel testa Obama com chacina contra palestinos em Gaza

Para Lula, juros têm que cair no começo de 2009

Para nababos da Vale, povo duro é a melhor receita contra a crise

“Toma o beijo da despedida, seu cachorro!”

Meirelles afronta o Brasil e não reduz taxa de juros para jogar país na crise

Alencar mantém BC sob pressão: “esses juros são anomalia”

Lula a Meirelles: “juro está além daquilo que o bom senso indica”

Montadoras almoçam os R$ 8 bi do crédito e mantêm ameaça de demitir trabalhadores

Meirelles diz que não aceita baixar juro para priorizar crescimento

Juro alto dissipa 29% da renda disponível no país, afirma Ipea

Procurador avalia que há provas para Daniel Dantas pegar um ano a mais que Al Capone

“Gasto público que precisa ser cortado é o juro”, diz Ipea

Meirelles quer que Brasil traia o compromisso com G-20 sobre redução do juro

China põe R$ 1 trilhão na infra-estrutura para crescer 9% em 2009

EUA responde à crise votando em massa na mudança

Fusão de Unibanco com Itaú torna mais anti-social sistema financeiro privado

Banqueiros põem o compulsório no bolso e dão uma banana ao crédito

Greve da Polícia Civil cresce e responde a Serra nas ruas de SP

Eleições em S. Paulo opõem integridade de Marta à dissimulação indecorosa de Kassab

Governador trai promessa e dá ordem para PM atacar policiais

Marta sobe porque é Lula. Kassab cai porque é oposição

Retratação de Gabeira reafirma preconceito contra “suburbanos”

Inauguração da P-51 é resposta do Brasil à crise

Eleições dão vitória aos aliados de Lula em todas as regiões

Lula pede a S. Paulo que vote em Marta: “temos as mesmas idéias e projetos”

Veto popular assusta republicanos e trava bailout de US$ 700 bi a especulador falido

Economia na mão de especuladores levou EUA à crise, diz Lula

Para Serra, Kassab é leal. Alckmin, não

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Comando do Exército desmente Jobim: “a maleta da Abin não serve para escutas”

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