|
O tratado de paz
duradoura na Península Coreana é um objetivo de todos os povos
Hoje, 10 de outubro, o Partido do Trabalho da Coréia
comemora seu 63º aniversário.
O PTC e seu dirigente máximo, presidente
Kim Jong Il, têm se empenhado a fundo na luta pela reunificação da Península
Coreana dividida pela agressão dos EUA na chamada “Guerra da Coréia”
(1950-1953).
A despeito das manobras do presidente
Bush para apresentar a República Popular da Coréia como integrante de um
suposto “eixo do mal”, a nobre causa da reunificação coreana vem granjeando
crescente solidariedade internacional.
Publicamos aqui o discurso de Rosanita
Campos, historiadora e membro do Secretariado Nacional do MR8, que
representou o Movimento no “Encontro Internacional de Solidariedade ao povo
Coreano em sua luta para que se concretizem as Declarações Conjuntas de 15
de Junho e de 4 de Outubro entre o Norte e o Sul”, realizado em Pyongyang em
10 de Setembro de 2008. A delegação do MR8, que participou das comemorações
do 60º aniversário da independência da Coréia foi composta também pela
companheira Ana Cabreira.
Segue o discurso, na íntegra.
Hoje o povo coreano luta energicamente pela reunificação
independente, a paz e a prosperidade da nação, materializando a histórica
Declaração Conjunta de 15 de junho de 2000 e a Declaração de 4 de Outubro de
2007.
Nessas declarações estão concebidos os princípios e métodos
para a solução da questão da reunificação de maneira independente sob a
consigna “Por conta própria de nossa nação”. Nelas também estão refletidos
os projetos para o desenvolvimento das relações entre o norte e o sul da
Coréia, para conjurar a guerra e assegurar a paz na península.
Respeitar essas declarações se coloca como tarefa
primordial para a reunificação independente da Coréia e para a garantia da
paz e da segurança na região. Entretanto, a paz na península coreana se vê
seriamente ameaçada e o esforço de seu povo para por em prática essas
declarações enfrenta graves desafios devido à cínica política de confronto
com o Norte por parte dos EUA, do Japão e dos anexionistas do sul da Coréia.
EUA, o principal culpado pela divisão da Coréia, chama de
“conversação de paz” sua política de hostilidade contra a RPD da Coréia e
incita as forças conservadoras no poder na Coréia do Sul contra o Norte.
A ocupação e a dominação do sul pelos EUA é a razão
essencial para que a península coreana esteja dividida há mais de meio
século e seja um ponto candente que ameaça a paz não apenas na península,
mas na Ásia e no mundo.
Essa ocupação militar obedece à estratégia norte-americana de dominação do
mundo. É um baluarte estratégico, ponta de lança para a ocupação de toda a
Coréia e mais à frente, do nordeste da Ásia.
Os EUA reprimiram violentamente o sul da Coréia - desde os
primeiros dias de sua ocupação – e a luta de seus habitantes pela
independência e pela reunificação da Pátria e frustrou, em várias
oportunidades, a vontade do povo do sul favorável à reconciliação, à unidade
e à reunificação.
Eis porque a humanidade progressista do mundo exige o fim
da dominação norte-americana no Sul da Coréia e de sua política hostil ao
Norte da nação, pois, isso se contrapõe à aspiração do povo coreano em
garantir a soberania de toda a nação e viver na Pátria unificada. Os EUA
continuam atuando contra essa exigência do povo coreano e dos povos amantes
da paz, continuam incrementando suas forças de agressão nesta nação e
fazendo manobras com suas tropas em virtude de uma “emergência” na
península.
Nos últimos dias eles exacerbaram a tensão ao realizar
treinamentos para capacitar o exército norte-americano na Coréia do Sul como
uma força de ataque e deslocamento rápidos, para assim fazer frente à Coréia
e aos países da região.
Usaram a experiência da guerra no Iraque e no Afeganistão
para traçar uma nova estratégia de guerra cujo enfoque é o ataque a partir
do ar e deslocaram seu exército de terra, estacionado na linha de demarcação
militar, ao sul do rio Han, e ao mesmo tempo reforçaram suas forças de mar e
ar capacitando-as a fazerem ataques preventivos de alta precisão na Coréia
do Sul e ao seu redor.
Realizam também, exercícios de guerra mais provocativos
contra a Coréia do Norte entre os quais a perigosa “modalidade de ocupação
antecipada à base estratégica” deixando patente sua ambição de agressão à
RPDC.
Por outro lado, os EUA impulsionam ativamente o
fortalecimento da aliança militar tripartite (EUA, Japão e Sul da Coréia) e
com a desculpa da “devolução do direito de mando das operações em tempo de
guerra” promove uma política de confronto das forças do poder atual no Sul
contra o Norte da Coréia, considerando os belicistas sul-coreanos como
brigada de choque na agressão ao Norte.
O Japão que causou tantas penas e desgraças aos povos do
sul e do norte da Coréia, mesmo depois de derrotado continua, até o presente
momento, suas práticas e manobras para dificultar a reunificação e
satisfazer a ambição de uma nova agressão. Realiza uma política hostil
contra o norte em vez de desculpar-se e compensar os coreanos pelos atos
criminosos que contra eles cometeu por tanto tempo.
Nos últimos anos o Japão deu ao “departamento de defesa” o
status de “ministério da defesa” e converte as “forças armadas do corpo de
autodefesa” em forças modernas, capazes de rápida mobilização e controle de
vastas zonas. O governo japonês tornou inativa a lei de seu país que proíbe
a guerra (Artigo 9) ao fabricarem várias leis como a “lei relativa ao tempo
de emergência”, a “lei do estabelecimento da garantia da segurança”, a “lei
diante de uma situação de ataque das forças armadas” e etc., e assim
preparam a base legal para agredir outros países.
O Japão participou do sistema de defesa antimísseis dos EUA
com o pretexto de fazer frente às “ameaças militares”. Além disso,
manifestou descaradamente seu intento de possuir armamento nuclear.
Como sabemos, hoje não há nenhum país – inclusive a Coréia
do Norte - que ameace militarmente ao Japão no nordeste da Ásia. Quem tem
uma ignominiosa história de invasão a países e cheia de crimes contra a
humanidade é o Japão e é ele que hoje incita uma nova corrida armamentista e
ameaça militarmente o nordeste da Ásia.
Os atuais governantes da Coréia do Sul recorrem
freneticamente às confrontações e às manobras de guerra contra o Norte,
dando prioridade à cooperação com os EUA e o Japão negando completamente o
princípio “entre nós, os co-nacionais” que é o espírito principal da
Declaração Conjunta Norte-Sul de 15 de Junho e da Declaração de 4 de
Outubro.
Lee Myong Bak, presidente do Sul da Coréia agride o
princípio “entre nós os co-nacionais” com um nacionalismo chovinista,
caluniando alusivamente as duas declarações. Sob o pretexto de
“pragmatismo”, Lee Myong Bak disse publicamente e sem vacilação que
submeteria a relação com o norte e o sul à sua política de priorização à
cooperação com as forças estrangeiras, e assim, leva a uma grave e
imprevisível crise as relações entre Norte e Sul alardeando sua dita
“política de desnuclearização” dirigida ao Norte, e negando os avanços
conseguidos ao longo dos oito anos desde a aprovação da Declaração Conjunta
de 15 de Junho.
Lee Myong Bak tem incrementado a realização de exercícios
militares na fronteira. Pede a interrupção da redução das forças armadas de
ocupação dos EUA no sul da Coréia e introduz modernos equipamentos de guerra
dos EUA ao mesmo tempo em que faz uma dura e improcedente ameaça de ataque
surpresa ao Norte do país, definindo-o como “inimigo principal”.
A realidade na península da Coréia hoje é de uma grave
crise nas relações e no diálogo entre o Norte e o Sul, que vinham se
desenvolvendo bem desde a assinatura da Declaração Conjunta de 15 de Junho e
reafirmada pela Declaração de 4 de Outubro. Com a interrupção do cumprimento
das declarações conjuntas pelo Sul, é mais fácil prover-se a desconfiança, o
desentendimento, os confrontos entre o Norte e o Sul aumentam movidos pela
política hostil contra o norte estimulada pelos EUA e o Japão e assumida
pelo governo do sul.
Lutar contra isso hoje, significa por em prática a
Declaração Conjunta de 15 de Junho e a Declaração de 4 de Outubro, defender
a paz e a segurança no nordeste da Ásia e no mundo.
Todos os progressistas do mundo devem saber corretamente
quem são os que impedem que tais declarações sejam cumpridas e devem
realizar mundialmente um movimento de solidariedade com o povo coreano para
frear e desfazer todos os obstáculos à prática dessas duas declarações.
Congratulemo-nos com os crescentes esforços do Presidente Kim Jong Il e do
PTC à frente do povo coreano para que o acordo de armistício, na verdade um
acordo relativo de cessar-fogo onde a Coréia vive em estado de trégua
temporária, seja substituído por um “Tratado de Paz” para que vigore uma paz
duradoura na península, livre da ocupação norte-americana no sul.
|