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Zimbábue regulamenta participação do
capital estrangeiro na economia do país
A Uma lei que regula a participação nacional e estrangeira na composição do
capital das empresas do país entrou em vigor no dia primeiro de março no
Zimbábue. A lei, aprovada em 2007 e prevista para vigorar só a partir desse
ano, estabelece que as empresas tenham até 49% de capital estrangeiro e 51%
de capital nacional, e estabelece que isso deverá ocorrer durante os
próximos cinco anos.
O Zimbábue, que vinha tendo muitos problemas em sua economia, conseguiu nos
últimos dois anos melhorar bastante. Os altíssimos níveis inflacionários se
reduziram para 8% nos dias de hoje. Em 2009 o PIB do Zimbábue atingiu 4,7%
de crescimento. Num ano em que a crise mundial dos monopólios atingiu tantos
países, talvez tenha sido o país da África que mais cresceu.
O acordo conquistado pelo governo do Presidente Robert Mugabe com o
oposicionista Morgan Tsvangirai permitiu um certo equilíbrio, mas apesar
deste ter assumido como Primeiro Ministro em fevereiro de 2009, manteve sua
atitude contrária ao governo e ao Presidente Mugabe.
Tsvangirai nunca aceitou a política de reforma agrária feita por Mugabe para
repartir as terras do país - em sua maioria nas mãos dos colonizadores
brancos pró-ingleses - com a maioria negra, e se opõe ao caminho proposto
por Mugabe para que o país tenha um maior controle de sua economia que
permita que as riquezas do país estejam a serviço do desenvolvimento e
beneficiem a maioria do povo.
Tsvangirai diz que a lei sobre as empresas tem de ser revista “porque ele
não foi consultado quando de sua aprovação”. Ele estava auto-exilado na
Holanda desde sua última derrota para Mugabe nas eleições presidenciais de
2008 e só voltou ao país para assumir o posto de primeiro ministro no
governo.
Tsvangirai defende a dolarização da economia e abertura total do país ao
capital externo e quer que o Zimbábue se pendure no FMI para conseguir um
dinheirinho extra.
Por enquanto o FMI não aceita fazer empréstimos ao Zimbábue em função de uma
dívida de 140 milhões de dólares que o país tem com o órgão e que precisa
ser renegociada, mas o oposicionista aproveitou que essa discussão toda foi
posta para lançar sua candidatura à presidência da república nas próximas
eleições daqui a dois anos.
O povo tem aprovado as medidas do governo.
“Hoje a inflação é bem pequena, nós temos tido cada vez mais clientes, as
lojas estão cheias, eles entram escolhem e compram seus produtos”, disse a
um jornalista do Le Monde, Rocco Malahias, dono de um dos cinco
supermercados de Harare.
Um publicitário, Patrick Ogee, também entrevistado pelo Le Monde, afirmou
que “Eu sou dono de uma pequena empresa de publicidade, as atividades ainda
estão lentas, mas eu sinto que as perspectivas econômicas são muito boas”.
A maioria negra do país mantém o apoio ao Presidente Mugabe, considera
positiva a lei sobre as empresas e quer a continuidade do processo de
distribuição das terras como forma de reorganizar a agricultura, principal
atividade econômica dos zimbabueanos.
ROSANITA CAMPOS |