|
Cineastas
latino-americanos repudiam práticas monopolistas no audiovisual
Defendendo o
direito à visibilidade de suas produções, o I Encontro de Documentaristas
Latino-americanos do Século XXI reuniu em Caracas mais de 100 cineastas de 19
países da região
Nos
dias 4 e 7 de novembro aconteceu em Caracas o I Encontro de Documentaristas
Latino-americanos do Século XXI, com a participação de mais de 100
representantes de 19 países da região.
O evento
reafirmou os compromissos estabelecidos no I Seminário e Fórum do Documentário
Latino-americano, que aconteceu em junho, no Rio de Janeiro, quando foi aprovada
a Carta do Rio de Janeiro e marcado o encontro na Venezuela.
Em Caracas,
os cineastas voltaram a afirmar a importância de se garantir a diversidade
cultural do continente latino-americano, colocando o cinema e, em particular, o
documentário, como importante instrumento de desenvolvimento cultural e
integração entre os povos.
A regulação
das práticas monopolistas nos mercados cinematográficos latino-americanos e o
direito à visibilidade e a presença de suas próprias culturas e os sujeitos que
a representam dentro de suas nações, foi um dos principais itens das resoluções
do encontro, que coloca também ser dever do Estado promover essa regulação para
garantir o devido espaço às produções locais.
“Os novos
tempos e suas exigências obrigam à reativação do movimento documental
latino-americano, para que ele ocupe novamente o elevado valor cultural e
político, solidário e de testemunho a que está sendo chamado, como
contrapartida necessária ao direito à própria identidade, que obriga a adoção de
medidas para fazermos efetivos, dentro de seus territórios e no marco da
mundialização dos sistemas de comunicação e cultura, em particular quando
existem práticas monopolistas, oligopólicas, de cartelização e ou dumping de
parte de empresas das indústrias culturais e meios de comunicação, dentro de
nossos próprios países, estrangeiras e ou multinacionais”, afirma um dos tópicos
da resolução aprovada.
O encontro
também propôs a livre circulação das produções latino-americanas na região como
uma ação do Mercado Latino-americano do Audiovisual, a atualização dos marcos
normativos das políticas audiovisuais para favorecer a ocupação nos circuitos
tradicionais para essa produção em cada um dos países, o estabelecimento do
número de cópias de estréias de filmes importados para restituir o equilíbrio
nas ocupações das telas e garantir a presença das produções nacionais e
latino-americanas, a consolidação das cotas de telas existentes para as
produções nacionais, além de fixar cotas mínimas de filmes e documentários
nacionais dirigidos a crianças e jovens nos canais de televisão, entre outras
propostas. |