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Encontro
da poesia com a vida em novo livro de Sidnei Schneider
Sidnei
Schneider é hoje um dos maiores poetas brasileiros em atividade – isto é, vivos.
Numa arte em que o panorama atual está muito longe de ser entusiasmante, Sidnei
conserva uma clareza de expressão e um domínio dos instrumentos poéticos
verdadeiramente únicos. Além disso – e talvez seja o determinante – sua
solidariedade com os demais seres humanos e recusa a um egocentrismo estreito,
vazio e, sobretudo, chato, faz dele um artista mais do que relevante.
Há quem fale muito do
suposto divórcio, sublinhado por Hegel na poesia alemã de seu tempo, entre a
ética e a estética. No entanto, não é no poema em si que esse divórcio pode ser
superado, mas no encontro da poesia com a vida - eis uma lição intensamente
presente no primeiro livro de Sidnei Schneider, “Plano de Navegação”, e, agora,
em seu segundo livro, “Quichiligangues”, lançado na última quarta-feira na Casa
de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre.
O que quer dizer este
nome estranho? Sidnei não é poeta de deixar obscuridades a afastá-lo do leitor.
Pelo contrário, vê no leitor o seu semelhante. Na última página, esclarece:
“Quichiligangue s.f. Insignificância, bagatela. Dicionário Escolar da Língua
Portuguesa/Francisco da Silveira Bueno. 11ª edição. Rio de Janeiro: MEC/FAE,
1985. [O vocábulo não consta nos dois mais utilizados dicionários do país]”.
Sidnei Schneider é,
portanto, um poeta que lê dicionários. Não se contenta com o vocabulário de cada
dia – onde as palavras acabam gastas em seu significado. Assim são as suas
bagatelas, em que se sente, ao lê-las, aquilo que se chama prazer estético – o
sinal da verdadeira obra de arte.
Alguém, parece que
Flaubert, definiu a literatura como a luta contra o lugar-comum. Poderia ser uma
conceituação precisa da poesia de Sidnei, onde jamais encontramos solução fácil
para o poema – aquela em que o extremo exemplo é a caricatural rima de bosque
com quiosque, mas que, em fórmulas menos ridículas, costumam infestar
determinados livros de poesia.
Não é um poeta que tem
aparente facilidade em fazer o poema. Pelo contrário, ele não concede espaço ao
espontâneo. Em cada linha o esforço do fazer é uma marca, um registro típico do
seu poema.
Poderíamos apontar
também como Sidnei se apropriou de determinadas conquistas da poesia moderna –
Eliot, Pound, Rilke, Valery - sem resvalar para o solipsismo (o “eu sozinho”)
que matou tantos dos poetas que seguiram essa vertente.
Porém, melhor será que
o leitor comprove se estamos ou não exagerando. Em caso de dificuldade em
encontrar o livro de Sidnei – a distribuição de livros no Brasil ainda não
entrou no PAC do presidente Lula - basta consultar a editora pelo e-mail
dahmerim@gmail.com.
CARLOS LOPES |