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Yeda quer
proibir protestos do povo na Pça. da Matriz
Incomodada
com os protestos contra o seu governo, a tucana Yeda Crusius cogita proibir
manifestações populares na Praça da Matriz, como é chamada a praça Marechal
Deodoro, tradicional ponto de manifestações políticas e sociais da capital
gaúcha desde a instalação do Palácio Piratini, sede do governo do Estado, no
local. A Polícia Militar alega o “perigo de confusões” para justificar a idéia
que está causando polêmica na Assembléia Legislativa.
Por quê a
“preocupação” agora? O que existe de diferente em relação aos demais protestos
que aconteceram na praça é que o atual ocupante do palácio tem viés autoritário,
não recebe os manifestantes que usam a praça para serem ouvidos, seja pela
governadora, pelos deputados estaduais (a Assembléia também fica em frente à
Praça da Matriz) e pela sociedade.
Segundo o
comandante-geral da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, a praça não é
local apropriado a protestos por não ter espaço aberto o suficiente e que, em
caso de confusão, poderia resultar em pessoas feridas. No entanto, lideranças
populares lembram que a praça é palco de manifestações há muito tempo, sem que
fossem registrados confrontos como recentemente.
A proposta de
proibir protestos em frente ao Palácio Piratini teria sido levantada pelo
coronel, mas apesar de negar a paternidade, Yeda Crusius deixou escapar alguma
simpatia. “Nas manifestações, o que é usual, quem sabe em 98% das manifestações,
é respeitada uma certa distância. Mas aqueles que buscam o confronto invadem
esta área e invadem o palácio. É uma minoria barulhenta, e é esta que tem de
saber quais são as regras”, declarou a governadora ao ser indagada sobre a
polêmica.
O líder da
bancada do PT, Raul Pont, criticou o comandante-geral da BM, argumentando que
ele está fora da realidade: “Vou recomendar ao coronel que leia a Constituição”.
O líder do governo, Pedro Westphalen (PP), disse compreender a intenção do
coronel de contribuir para solucionar problemas relacionados a conflitos com
manifestantes, mas não considera esta a melhor saída.
A preocupação
com a ocorrência de confusões na Praça da Matriz é óbvia, pois as confusões,
quando acontecerem, são por que a Brigada Militar está em pé de guerra para
reprimir qualquer manifestação. E agora, Yeda quer passar essa proibição por
dentro da Assembléia Legislativa, para dar uma cara de democrática a uma decisão
arbitrária. O resultado disso: mais confusão na certa. |