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Alckmin apresenta como seus hospitais que
outros fizeram
O maior desafio que tenho enfrentado na
cobertura da campanha tucana em São Paulo é encontrar um hospital que tenha sido
iniciado e terminado pelo candidato do PSDB ao governo, Geraldo Alckmin. Ele
vinha alardeando aos quatro ventos que tinha entregue 30 hospitais. Na verdade
iniciou apenas um. O de Francisco Morato. O resto foi da lavra de outras
administrações que ele computou como obra sua. Dos 30 hospitais que Alckmin
festeja, l6 foram iniciados por Quércia. Destes, Covas inaugurou 11.
O Hospital Regional de Cotia é um bom exemplo da
inoperância e da demagogia de Alckmin. Foi entregue em 2007, mas sua obra é de
muito antes. Foi inaugurado em 1968. Era administrado pela Prefeitura e, em
2007, passou para o controle do Governo de São Paulo. Aí foi anunciado como
“realização” de Alckmin. E é bom que se diga que, logo em seguida, o tucano
entregou a gestão do hospital para o Seconci-SP, órgão ligado à entidades
empresariais da construção civil.
Um outro hospital emblemático da enrolação de
Alckmin é o Hospital Mário Covas, inaugurado por ele em 2001 e que atende a sete
municípios da região do grande ABC. A decisão de construí-lo não foi do tucano.
O início das obras deste hospital se deu em 1976, quando foi denominado Hospital
Regional de Clínicas. No caso do Hospital Regional do Vale do Paraíba, em
Taubaté, o governo tucano anunciou como obra nova a simples desapropriação do
Hospital Santa Isabel e a sua transferência para um outro grupo privado, a
Sociedade Assistencial Bandeirantes.
Mas não ficaram por aí as lorotas do candidato
tucano ao Bandeirantes. Outra das realizações fantasmas dele, o Hospital Geral
de Pedreira (HGP), também foi iniciado na administração de Quércia. As obras
ficaram quatro anos paradas na primeira administração do PSDB. Inaugurado em
1998, foi o primeiro hospital público de São Paulo a ser privatizado. Sua
administração foi entregue para uma Organização Social (OS), invenção do PSDB
para tirar do poder público a gestão da saúde. O HGP é resultado de anos de
reivindicações dos moradores da região junto ao poder público. Hoje, cerca de
500 mil habitantes dos bairros Pedreira, Campo Grande e Cidade Ademar têm
dificuldades para serem atendidos no hospital.
Nos números de Alckmin, outros nove hospitais
novos teriam sido entregues por Serra. Mentira. Como dissemos na edição
anterior, desses nove hospitais apenas dois são realmente novos. Os outros são
instituições filantrópicas que estabeleceram contrato com o Governo de São
Paulo. Na verdade, para ser mais preciso, apenas um hospital estadual entregue
por Serra é realmente novo. O Centro de Reabilitação Lucy Montoro.
O outro, alardeado como novo, é o Instituto do
Câncer de São Paulo (ICESP). Foi inaugurado por Serra em 2009. Só que o prédio,
localizado na Avenida Doutor Arnaldo, na Zona Oeste da capital, estava pronto há
mais de vinte anos. Ficou parado durante praticamente todas as administrações
tucanas. Criado no final da década de 80, ele seria inicialmente o Instituto da
Mulher. Serra desistiu da idéia e o transformou no Icesp. Transferiu para lá o
serviço de oncologia do Hospital das Clínicas. Ou seja, o que Serra fez foi
apenas mudar a oncologia do HC de lugar.
Em relação aos Ambulatórios Médicos de
Especialidades (AMEs) do Estado, a demagoagia é a mesma. A maioria das AMEs são
adaptações de unidades de saúde que já existiam. É assim em Votuporanga, Marília
e São José do Rio Preto. Não é à toa que Alckmin deixou de falar em inaugurações
e passou a falar em “inaugurações e reformas”. Quase todas as AMEs são
maquiagens de ambulatórios já existentes.
Além disso, os tucanos estão entregando quase
todos os hospitais públicos estaduais à iniciativa privada sob a camuflagem das
chamadas Organizações Sociais de Saúde (OSs). Elas administram os hospitais
através dos contratos de terceirização, sem licitação ou qualquer controle do
Tribunal de Contas. Essas arapucas recebem dinheiro público para “gerenciar” os
serviços de saúde, sem a obrigação de prestar contas. Atualmente, já são 25
hospitais, três ambulatórios de especialidades, um laboratório e um centro de
referência para idosos entregues à administração privada. Além disso, o governo
tucano cortou mais de 170 mil cargos funcionais na área da saúde desde 1994.
Os hospitais geridos pelas OSs oferecem serviços
precários e insuficientes e não realizam atendimentos mais complexos para
atender somente os casos simples, classificados como de “rotatividade rápida”.
Já os mais “caros” acabam sobrecarregando os hospitais da administração direta.
Várias unidades, inclusive, já fecharam os atendimentos de pronto-socorros.
“Para onde vai o baleado, a vítima de infarto e os atropelados? Todos esses
pacientes não entram nas unidades geridas pelas OSS”, denuncia Célia Regina,
presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde de São Paulo (Sindsaúde).
SÉRGIO CRUZ
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