A construção do socialismo na URSS (I)
Iniciamos hoje, neste caderno especial, ao qual seguirá
outro na próxima edição, a publicação dos capítulos da “História do
Partido Comunista (bolchevique) da URSS” referentes à construção do
socialismo naquele país. O texto corresponde à íntegra das duas seções
finais do capítulo VII e dos capítulos VIII, IX, X, XI e XII da obra,
publicada em 1938 na URSS.
Na segunda metade da década de 30 do século XX, o Partido
Comunista da União Soviética, que tinha - nas palavras de seu fundador, Lenin
- a honra de chamar-se “bolchevique”, já havia, em poucos anos, percorrido
um longo e extraordinário caminho. Em pouco mais de 30 anos, desde sua formação
a partir dos círculos de revolucionários que lutavam contra o absolutismo
czarista, o partido havia vencido o oportunismo dentro do movimento operário no
princípio do século - de onde veio a palavra “bolchevique”, membros da
maioria revolucionária do antigo Partido Operário Social Democrata Russo -,
havia liderado o levante do povo durante a Revolução de 1905 e estado à
frente da classe operária e do campesinato na primeira revolução socialista
da História, em outubro de 1917.
Foram anos de luta heróica e abnegada, em condições
extremamente difíceis. Nenhum outro partido do mundo havia, na época,
conseguido formular com tal clareza a teoria - a estratégia e a tática - da
revolução democrática e da revolução socialista, assim como a justa resolução
das questões nacionais, e resgatado o marxismo, escamoteado pela direção da
II Internacional após a derrota da Comuna de Paris. Pouco após a morte de
Lenin, em 1924, José Stalin, no prefácio de seu livro “Fundamentos do
Leninismo”, sintetizaria: “a Rússia tinha de converter-se no ponto de
convergência das contradições do imperialismo, não apenas no sentido de que,
precisamente na Rússia, essas contradições colocavam-se explicitamente com
maior facilidade por causa do seu caráter especialmente monstruoso e intolerável,
e não só porque a Rússia era o apoio mais importante do imperialismo
ocidental, o alicerce que unia o capital financeiro do Ocidente com as colônias
do Oriente, mas também porque apenas na Rússia é que existia uma força real
capaz de resolver as contradições imperialistas pela via revolucionária”.
Esta força real era o proletariado russo, à frente do qual estava Lenin e o
partido bolchevique.
No entanto, apesar da grandeza das batalhas anteriores, a
próxima seria muito maior. Seria, aliás, a maior já travada na História da
Humanidade. Lenin já havia apontado que a tomada do poder, apesar de todas as
vicissitudes enfrentadas pelos bolcheviques, era relativamente fácil quando
comparada ao que em seguida era necessário empreender: a construção, pela
primeira vez na face da Terra, do socialismo, um novo modo de produção, uma
nova sociedade - solidária, consciente, coletivista, sem exploração e
radicalmente democrática.
É esse feito titânico, realizado pelo povo soviético, do
qual emerge a gigantesca figura de José Stalin, que é relatado nos capítulos
da “História do Partido Comunista (bolchevique) da URSS” que hoje
oferecemos aos nossos leitores.
Como seria e é inevitável, a construção do socialismo
na URSS foi reiteradamente vilipendiada pelos imperialistas, pelos exploradores,
e por aqueles que se fizeram seus agentes e porta-vozes. Mais do que
vilipendiada, tanto no plano externo, onde montou-se um cerco para asfixiar o país
dos sovietes, quanto no plano interno, onde aqueles poucos que não conseguiram
superar seu alucinado individualismo passaram à sabotagem e ao terrorismo
contra o Estado socialista, contra o partido e contra a sua direção, a construção
do socialismo fez frente a uma acirrada, aguda e criminosa resistência, mais
criminosa ainda após o golpe de Hitler na Alemanha e a articulação dos
sabotadores internos com o nazismo. Naturalmente, não se poderia - e não se
pode - esperar que os inimigos da revolução a apóiem e a aplaudam...
Porém, era evidente para Stalin e para o partido que novas
provas se aproximavam para o povo soviético, e que, por mais difíceis que
fossem, seria necessário superá-las. Em 1938, quando o Comitê Central do
partido aprovou a publicação da sua História, o mundo estava à beira da mais
cruel e sangrenta guerra até então já travada. Era necessário vencer o
imperialismo na sua forma mais degenerada - o nazismo. Para isso, a condição
era que o partido e o povo estivessem, antes de tudo, conscientes de sua trajetória,
de sua luta, de suas conquistas e de sua capacidade de vencer os mais inauditos
desafios que a realidade lhes colocassem. Não se defende um país, ou o quer
que seja, senão quando se acha que vale a pena defendê-lo. A debacle de vários
países da Europa diante de Hitler provaria à exaustão esta verdade elementar.
Porém, mais ainda ela seria demonstrada pelo heroísmo em massa e pela vitória
do povo soviético contra o mesmo inimigo.
Essa foi a função que assumiu a “História do Partido
Comunista (bolchevique) da URSS” e, não por acaso, o próprio Stalin
coordenou a comissão do partido que a redigiu, contribuindo para ela com o seu
capítulo mais conhecido, a profunda síntese das questões fundamentais do
marxismo posteriormente editada em livro sob o nome “Materialismo Dialético e
Materialismo Histórico”.
A força da “História do Partido Comunista (bolchevique)
da URSS” está em seu rigoroso apego à verdade. Caso contrário, seria impossível
que ela tivesse o efeito que teve no partido e no povo soviéticos. Estes haviam
vivido os acontecimentos relatados pela obra. O mesmo impacto causado pela
verdade foi percebido por outros povos do mundo - principalmente depois da II
Guerra - e o leitor poderá comprová-lo, quase
70 anos depois, ao ler o que agora publicamos.
CARLOS LOPES