| Delator do Planalto insulta as vítimas
Além do caso do BID, é
um traidor do país, colocando-o nas mãos do FMI e devastando o patrimônio público
De quem Fernando Henrique está falando, ao
berrar histérico, delirante, alucinado, literalmente cuspindo na audiência, que
"tem gente cuja corda na mão é de Silvério dos Reis e não de Tiradentes. Não
têm a coragem de enfrentar os problemas e buscam refúgio na falsidade, buscando
ginásticas mentais para fazer de conta que estão fazendo"? É tão evidente que
até quase nos sentimos desobrigados de responder: dele mesmo, em cada palavra e em cada
vírgula. Não há ninguém neste país a quem caiba de forma tão justa, precisa e
adequada tal descrição.
Alguém que acaba de delatar - como o mais
rastejante dos "cachorrinhos" e alcaguetes - dois Estados brasileiros ao Banco
Mundial para que este cortasse financiamentos, rigorosamente em dia, para projetos
sociais, não poderia fazer melhor descrição de si mesmo: alguém mais zeloso pelos
interesses do Banco Mundial do que pelos do Brasil, e até mesmo mais zeloso pelos
interesses do Banco Mundial do que o próprio Banco Mundial, que não tinha se manifestado
até então.
Mas como todo delator, todo traidor e todo
psicopata, ele não consegue falar de si mesmo senão atribuindo sua torpeza a outros -
mais precisamente, a quem é o oposto dessa torpeza. Naturalmente, não há novidade
alguma em um micróbio dessa cepa expor seu lixo interno tentando lançá-lo sobre outros.
Silvério dos Reis é o nome da traição na
história brasileira, assim como Judas Iscariotes o é na história mundial.
No entanto, é forçoso reconhecer, ele não é o
maior traidor que já apareceu por aqui, embora tenha sido tão asqueroso quanto o que
hoje o ultrapassa nesse repulsivo campeonato.
Há cinco anos, Fernando Henrique era, na
política, um elemento a caminho da porta da rua. Estava, como sempre, "buscando
refúgio na falsidade", embora nem mesmo exibia mais aqueles espetáculos que se
assemelhavam, mas pouco tinham a ver, com ginástica, muito menos mental - porque sempre
lhe faltou esse atributo. Em suma, aquela verborréia imbecil que o fez notório.
Quem o salvou da rua da amargura foi o presidente
Itamar Franco. Natural, aliás, que um homem de caráter, tal qual Itamar, não percebesse
então o que os tios de Fernando Henrique e seu próprio pai, generais da campanha do
petróleo, levaram anos de convivência para chegar à dolorosa conclusão, e mesmo assim
parcialmente: tratava-se de alguém desprovido de qualquer caráter. Talvez seja a coisa
mais difícil para quem tem caráter, perceber que possa existir quem não o tem.
Nos dispensamos de recapitular a série de
traições de Fernando Henrique em relação a Itamar. Não é à toa que ele falou em
Silvério dos Reis precisamente quando Itamar, em entrevista no dia anterior, havia
mencionado o exemplo de Tiradentes - aquele que o povo relembra como o herói que lutou
até às últimas consequências para que o Brasil fosse livre da dominação externa.
Porque Fernando Henrique é um traidor do país -
e, no fundo, sabe disso. Durante os últimos quatro anos se dedicou de forma sôfrega e
irracional a destruir o Estado nacional; a doar o patrimônio, o Tesouro e as riquezas
nacionais; a devastar a indústria, a agricultura e o comércio nacionais; a sufocar a
cultura, a ciência e a pesquisa nacionais; a sucatear as Forças Armadas nacionais.
Não existe aqui outro exemplo de traição
semelhante. Perto disso, Silvério e Calabar eram uns aprendizes de capacho. Fernando
Henrique não possui, nem nunca possuiu qualquer idéia própria. Nunca fez nada, exceto
"fazer de conta que está fazendo" - e disso não existe demonstração mais
escandalosa do que a de entregar o Banco Central diretamente aos especuladores e a
economia ao FMI, depois de seu servilismo ter conduzido à catástrofe que nunca, jamais
em tempo algum, iria acontecer, quando qualquer lógica elementar dizia que aquele era o
caminho mais certo, seguro e inevitável para ela.
Em apenas uma palavra, um castrado. A covardia é
para ele, não uma segunda, mas uma primeira natureza. Logo em seguida ao seu ataque
histérico, quando perguntado sobre quem era o Silvério dos Reis de que tinha falado,
respondeu como uma lesma que acha que pode falar o que quer e não assumir nada do que faz
nem do que fala: "eu espero que ninguém".
Nunca teve "coragem de enfrentar os
problemas" sejam de que ordem fossem ou sejam - e, sobretudo, os seus. E não é por
acaso que usou exatamente essa expressão - é evidente a relação dela com suas atuais
confusões conjugais, como resultado de sua incapacidade para enfrentar seus próprios
problemas, que fizeram sua esposa ir para Paris. Mas até a isso não consegue se referir
sem jogá-lo sobre outros, refugiando-se na falsidade, ou seja, fugindo.
É claro, portanto, o motivo dele ficar - ainda
que atribuindo a outros como faz qualquer psicopata - se retratando de corpo inteiro em
público: ele está, ainda que não consiga admitir, se sentindo como é - um
silvério-dos-reis, um covarde que se refugia na falsidade, um intelectual de fancaria
dado a contorcionismos verbais, os quais confunde com ginástica mental, um faz de conta
total, incapaz de enfrentar qualquer problema, a começar pelos seus.
Não há mais nada, em verdade, a que ele possa
se agarrar para sustentar para si mesmo essa pantomina: uma maravilhosa economia baseada
no vento, um forte país sem Estado, sem indústria, sem propriedade nacional, um povo
satisfeitíssimo em morrer de fome, um mundo de pessoas submissas a ele, uma pose de saber
tudo, quando não sabe rigorosamente nada - de suas fantasias patológicas, ou seja, de
suas alucinações, nada sobrou da ilusão de que tenham algo a ver com a realidade,
reduzidas ao que são: fantasia, doença e alucinação. Por isso, descobriu uma corda na
mão de Silvério dos Reis. Na verdade, ela estava na mão de Judas - que dela fez bom
uso. Mas falta-lhe até mesmo essa medíocre coragem.
CARLOS LOPES
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