| Iugoslávia heróica derrota desmembramento de
Kosovo
"Nós não
apenas defendemos nosso país, mas trouxemos de volta ao cenário internacional a ONU.
Esta é a nossa contribuição ao mundo. O heroísmo de nosso povo na resistência ao
inimigo, muitas vezes mais forte e maior, marcará o fim do século 20"
O altivo discurso do
presidente Milosevic
NA ÍNTEGRA
"Queridos cidadãos, a
agressão Acabou. A paz prevaleceu sobre a violência. Feliz paz para todos nós! Neste
momento, nossos primeiros pensamentos vão para os heróis que deram suas vidas pela
defesa de nossa terra natal, na luta pela liberdade e dignidade de nossa nação. Os nomes
de todos eles serão tornados públicos.
Contudo, neste momento
gostaria de informar a vocês que, na guerra que durou exatas 11 semanas, de 24 de março
até hoje, 462 soldados do exército iugoslavo e 114 policiais foram mortos. Nunca
poderemos retribuí-los. Temos de fazer o que podemos e o que é nosso dever, cuidar de
suas famílias e retribuí-los estando sempre prontos para defender nossa liberdade e a
dignidade desta terra pela qual eles entregaram suas vidas.
Toda a nação participou
nesta guerra - dos bebês nos hospitais aos pacientes seriamente enfermos das unidades de
terapia intensiva, aos soldados nas trincheiras da defesa aérea e soldados nas
fronteiras. Ninguém irá esquecer o heroísmo dos defensores das pontes, os cidadãos que
defenderam as fábricas, as praças, suas cidades, seus empregos, seu Estado e seu povo. O
povo é o herói - esta é a mais rápida conclusão desta guerra. As pessoas são os
heróis e devem se sentir como heróis e se comportarem como tal: com dignidade, nobreza e
responsabilidade.
"Toda a nação
participou nesta guerra - dos bebês nos hospitais aos pacientes seriamente enfermos das
unidades de terapia intensiva, aos soldados nas trincheiras da defesa aérea e nas
fronteiras. Ninguém irá esquecer o heroísmo dos defensores das pontes, os cidadãos que
defenderam as fábricas, as praças, suas cidades, seus empregos, seu Estado e seu povo. O
povo é o herói".
Desde o início do ano,
numerosas manifestações foram realizadas no país inteiro. Sua mensagem unitária foi:
Não abriremos mão de Kosovo. Nunca abrimos mão de Kosovo. Hoje, a integridade
territorial e soberania estão garantidas pelas nações do G-8, a ONU. Esta garantia
está no esboço da resolução. O acordo de Belgrado fechou as questões em aberto,
relacionadas com a possível independência de Kosovo, que existiam antes da agressão. A
integridade territorial de nosso país nunca poderá ser questionada novamente. Nós a
preservamos e fomos vitoriosos em defender o país porque levamos todo o problema para o
pináculo da autoridade mundial, as Nações Unidas, obtendo que sua solução fosse
buscada sob os auspícios das Nações Unidas e em consonância com a Carta da ONU. As
forças internacionais a serem deslocadas para Kosovo com a tarefa de assegurar com
equidade a segurança de todos os cidadãos, estarão sob auspícios da ONU, bem como o
processo político que será baseado nos princípios já discutidos e na soberania e
integridade territorial de nosso país. Isto significa que apenas a autonomia, e nada mais
do que isso, pode ser mencionado neste processo político.
"Nunca abrimos mão de
Kosovo. Hoje, a integridade territorial e soberania estão garantidas pelas nações do
G-8, a ONU. Esta garantia está no esboço da resolução. O acordo de Belgrado fechou as
questões em aberto, relacionadas com a possível independência de Kosovo, que existiam
antes da agressão. A integridade territorial de nosso país nunca poderá ser questionada
novamente".
Ao irmos perante a ONU,
nós não apenas defendemos nosso país, mas trouxemos de volta ao cenário internacional
a ONU, que não funcionou por 80 dias, desde o início dessa agressão. Esta é a nossa
contribuição ao mundo: evitar a criação de um mundo baseado nos ditames de um centro.
Penso que esta contribuição será imensa na história, e que o heroísmo de nosso povo
na resistência ao inimigo, muitas vezes mais forte e maior, marcará o fim do século 20.
Estou convencido disto. Temos mostrado que nosso exército é invencível - estou certo de
que é o melhor exército do mundo, e ao dizer exército estou falando dos soldados,
policiais, todas as forças da defesa nacional. Eles mostraram a todo o mundo como alguém
defende sua nação, como permanecemos unidos e fortes. Porque o povo era o exército e o
exército era o povo.
Nunca antes nosso povo
esteve tão unido, e nunca em nossa história tivemos tão poucos covardes, que fugiram do
país para esperar pelo fim da guerra, em segurança, no exterior.
Neste momento, enfrentamos
muitos problemas novos, que abrirão muitos novos deveres no fim da agressão e no começo
da paz. Cuidarmos dos mais necessitados, das famílias dos mortos, daqueles que ficaram
mutilados para sempre, todos aqueles trabalhadores , camponeses e cidadãos prejudicados
pela guerra e que precisam de ajuda. Todos precisam de ajuda.
Quando falo de nosso povo,
quero dizer todos os cidadãos da Iugoslávia e todas as etnias. Temos defendido a única
sociedade multiétnica que restou como remanescente da antiga Iugoslávia - isto é outra
grande conquista da nossa defesa.
Estamos diante da
reconstrução de nosso país. Devemos começar a reconstruir imediatamente nossas pontes,
nossas fábricas, nossas estradas. Temos que dar início novamente a um grande
desenvolvimento para refletir a vitalidade de todos os nossos cidadãos. Quando falo de
nosso povo, quero dizer todos os cidadãos da Iugoslávia e todas as etnias. Temos
defendido a única sociedade multiétnica que restou como remanescente da antiga
Iugoslávia - isto é outra grande conquista da nossa defesa. As forças que virão para
Kosovo irão servir à paz, não importando de que países vieram. Um exército sempre
segue ordens, e a ordem aqui é de proteger o povo e a paz. O trabalho à frente exigirá
grande mobilização. Penso que a unidade alcançada nestes tempos difíceis é uma grande
realização que temos de preservar nos tempos à frente. Desejo a todos os cidadãos da
Iugoslávia muito júbilo e sucesso na reconstrução de nosso país!"
Milosevic convoca
iugoslavos às tarefas da reconstrução
Falando a dezenas de
milhares de iugoslavos, em Novi Sad, a segunda maior cidade do país, diante dos
destroços da ponte Zezelj no Rio Danúbio, o presidente Slobodan Milosevic proclamou
"abertos os trabalhos de reconstrução da Iugoslávia".
A ponte Zezelj, a que por
mais tempo resistiu aos continuados bombardeios da Otan, tornou-se um símbolo da
resistência, onde multidões se revezaram para defendê-la. "Estamos começando a
reconstrução aqui, nas pontes de Novi Sad, nas pontes da Vojvodina, porque há muito
simbolismo nisto. As pontes ligam as pessoas, estas pontes ligam Vojvodina com outras
partes da Sérvia, simbolizam a ligação entre as pessoas, que é a mais preciosa
característica da multiétnica Vojvodina, que é a Iugoslávia em escala pequena e, eu
diria, a Europa numa escala pequena, com suas 25 etnias que vivem juntas e dão um exemplo
a outros estados e outras regiões de como viver junto em uma comunidade multiétnica. Por
isso a reconstrução começará aqui".
Milosevic: "Atrás
de nós estão as mais difíceis 11 semanas desde a II Guerra Mundial. Após esta
agressão ninguém mais será capaz de esconder a verdade sobre a Iugoslávia e seu povo,
que foi falsificada por quase uma década, quando o nosso povo foi satanizado a fim de dar
um pretexto para a violência cometida contra ele. Com seu heroísmo, nosso povo não
apenas defendeu o país, mas também desmantelou esta imagem falsa que havia sido
construída ao longo de tanto tempo, que ruiu como um castelo de cartas, e ninguém mais
será capaz de esconder a verdade".
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