Vagabundas da
"Folha" grudam no saco do Império
Logo depois da demolição de alguns
prédios em Washington e Nova Iorque, o sr. Baby Frias cometeu no jornal do seu progenitor
um artigo para revelar ao mundo que de agora por diante todos devem se curvar aos EUA - e
sem reclamar. Todos "terão de apoiar sua campanha de retaliações"; suas
"intervenções contarão com apoio e talvez se tornem rotina"; "o raio de
manobra de países como a França e a China foi cortado". Quanto ao Brasil,
"nossa política externa deverá abandonar as pretensões a alguma autonomia. Vamos
sacrificar o que resta de independência no altar do Ocidente".
Deveria haver uma lei proibindo o
nepotismo nas redações de certos jornais. Não que isso resolvesse o problema desses
jornais, mas pelo menos evitaria às famílias dos donos alguns constrangimentos.
"Ocidente"? Pois é, segundo ele o Ocidente são os EUA, que por sinal não são
um país, mas uma religião - que tem até "altar" diante do qual todos devem se
prosternar.
Que essa é a religião dele e da
"Folha de S. Paulo", já era sabido. Mas o sr. Frias Júnior, além de coroinha
do altar ianque, é especialista em todas as coisas das quais não tem a menor idéia do
que seja, isto é, em tudo. Mais precisamente, religioso que é, opera na sacristia o
milagre de tomar suas fantasias em geral e seu acoelhamento em particular como se fossem o
mundo. Aliás, assim como tem quase certeza - certeza mesmo, ele não tem nenhuma - de que
o céu localiza-se nos EUA, acha que o mundo é a redação da "Folha".
Em suma, ele está aliviado.
Finalmente arrumou uma forma de ser capacho sem se sentir culpado por ser um capacho.
Portanto, haja cadernos e mais cadernos sobre os EUA, cada um tentando superar o outro no
besteirol capachista. Segundo o seu catecismo, a culpa não é dele, mas dos que
forneceram aos EUA uma pequena - muito pequena - amostra do que a casta dominante
norte-americana faz por atacado ao redor do mundo, e há décadas. Em resumo, a culpa dele
ser capacho é dos que não são capachos.
Porém, não será dessa vez que o
quase lustroso Baby Frias terá essa oportunidade. Realmente, como ele diz, "não é
difícil prever" o que acontecerá. Se tivéssemos alguma dificuldade, para acertar
bastaria prever o contrário do que ele quer que aconteça. O Império tem hoje exatamente
a cara do usurpador que fraudou as já fraudulentas eleições americanas: aquela cara de
panaca que não sabe o que fazer e, se fizer algo, será pior para ele. Levou uma cacetada
nas fuças - e na frente de todo mundo. Naturalmente, como o valentão da piada, está no
momento berrando que isso não vai ficar assim. Realmente, não vai. Se se meter a besta,
vai apanhar de novo.
Portanto, se o herdeiro do dono da
"Folha" quer arrumar um pretexto para ser um capacho sem sentimento de culpa,
que procure outro. O que, aliás, de nada adiantará, da mesma forma que não adiantarão
as menções, completamente ignorantes, sobre "a Rússia absolutista do século
19", onde, segundo ele, teria surgido "o terrorismo moderno". Como se vê,
o rapaz também é dado às categorias históricas - sem saber o que é terrorismo já o
dividiu em "moderno" e antigo...
Terrorismo hoje é o que os EUA
praticam em todo o mundo - na Iugoslávia, no Iraque, no Vietnã, na Coréia, no Panamá,
em Granada, na Nicarágua e em todo e qualquer lugar. O que houve em Washington e Nova
Iorque não foi uma ação terrorista, mas uma ação de guerra, uma ação militar dos
agredidos contra os agressores. E, evidentemente, nada teve a ver com alguns
revolucionários anticzaristas de mais de 100 anos atrás, cujas ações visavam o czar e
outros trogloditas daquela época.
Mas não é a toa que ele tirou essa
asnice de "Os Demônios" (mais corretamente, "Os Possessos") de
Dostoievsky, o panfleto mais puxa-saco, mais reacionário, mais estúpido e mais
paranóico já publicado na Rússia, mesmo debaixo do czarismo. É natural que ele se
identifique com um esmagado, um castrado como Dostoievsky e confunda os escritos babosos
do latrinoso literato com documentos históricos. Apesar de, pelo que diz a respeito, não
ter passado da orelha do livro. O que, é forçoso reconhecer, talvez seja, afinal, uma
qualidade da qual ele não deveria se envergonhar.
CARLOS LOPES
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